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Correio Braziliense

Em entrevista, Paulo Vilhena fala da trajetória na TV e no cinema

Ator completa 40 anos mais maduro como ator, se alternando entre tevê, cinema e conscientização ecológica


postado em 23/01/2019 06:10

(foto: Yuri Ana/Divulgação)
(foto: Yuri Ana/Divulgação)

Difícil olhar para Paulo Vilhena, o João Inácio de O sétimo guardião, e não se lembrar de Paulinho Vilhena, que chama a atenção desde Gustavo, do seriado Sandy & Junior (1998). Vinte anos separam um personagem do outro. Nessas duas décadas, muita coisa mudou na imagem e na vida do ator, que completou 40 anos de idade neste mês: o garotão deu lugar a um homem-feito; o surfista virou defensor de causas ligadas à ecologia; a promessa de galã ganhou um Kikito de melhor ator no Festival de Gramado pelo filme Como nossos pais, de Laís Bodanzky.

“Sempre fui Paulo, Paulinho, Vilhena. Os anos foram solidificando os carinhos nos nomes”, afirma o ator, em entrevista ao Correio.

A idade acabou trazendo para os personagens de Paulo uma característica em comum: a paternidade. Na telinha, João Inácio é pai do adolescente Guilherme (Caio Manhente). No cinema, o ator deu vida a Seu Cebola, o pai do Cebolinha, em Turma da Mônica — Laços, o filme, live-action dirigido por Daniel Rezende que trará os personagens criados por Maurício de Sousa em carne e osso.

Paulo garante que viver o pai de um adolescente em horário nobre não o assustou: “Foi muito engraçado porque meu sobrinho, filho da minha irmã, é como se fosse meu filho. Tem o quarto dele lá em casa, as responsabilidades, a gente sempre troca ideias. Me vejo um paizão, assim como tive um pai sensacional”.

Enquanto os filhos não vêm na vida real (“Pretendo ser pai”, garante o ator), ele cuida da cadela Conceição e das crianças atendidas no projeto Casa Neuronha, mantido por ele e cinco amigos em Fernando de Noronha. Em entrevista ao Correio, Paulo Vilhena fala sobre as paixões por atuar e pela ecologia, sobre O sétimo guardião e sobre Brasília, cidade que o aplaudiu em Chega de saudade, longa vencedor de três troféus Candangos no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2007. Confira.


João Inácio toca em temas polêmicos na trama de O sétimo guardião, como alcoolismo e prostituição, por exemplo. Como tem sido viver o personagem?

O que mais me impacta em cada preparação da personagem que vou vivenciar é ver que o João Inácio é um homem como muitos no mundo, que em algum momento da vida  perde o equilíbrio. A imersão é mágica. Tive a honra de ser dirigido pré-novela por mestres incríveis, que me fizeram transcender sensações. Arte é se permitir. Estou apaixonado por cada cena que recebo.


Apesar de tocar em temas mais pesados, João Inácio tem um quê de comédia também. Para você, como ator, essa alternância é um bom exercício?

Misturar temas sérios e do cotidiano com comédia é superdifícil. Tenho grandes colegas de elenco que, juntos, fazem a trama desenrolar e fazer o tom certo da comédia. A gente se diverte!


Como é para você fazer o pai de um adolescente em O sétimo guardião? Tomou um susto quando foi escalado para o papel?

Foi muito engraçado, porque meu sobrinho, filho da minha irmã, é como se fosse meu filho. Tem o quarto dele lá em casa, as responsabilidades, a gente sempre troca ideias. Me vejo um paizão, assim como tive um pai sensacional.

Em Como nossos pais, de Laís Bodansky: Kikito de melhor ator no Festival de Gramado(foto: Reprodução/Agencia Febre)
Em Como nossos pais, de Laís Bodansky: Kikito de melhor ator no Festival de Gramado (foto: Reprodução/Agencia Febre)

E na vida real, pensa em ser pai? Está preparado para a paternidade num mundo como o de hoje?

Pretendo ser pai. Há pouco tempo, perdi o (cachorro) Zaca, meu parceiro de anos e, na sequência, como um presente de Deus, encontrei a Conceição, em Noronha, um dos meus lugares mais especiais do mundo. Lá, eu e mais cinco amigos apaixonados pela ilha criamos a Casa Neuronha, um projeto que idealizei há alguns anos para dar melhor qualidade de vida às crianças e à população carente do arquipélago. Ou seja: quando a gente pensa que ajuda, é ajudado. Na busca em ajudar as crianças da ilha, encontrei minha cachorrinha, minha filha.


Até há algum tempo, você era um dos atores mais novos do set. Hoje, já tem uma garotada vindo aí. Costuma trocar figurinha com eles?

Sim. A garotada chega junto sempre. É ótimo trocar informação, aprender coisas novas.

Quando o Paulinho Vilhena virou Paulo Vilhena?

Sempre fui Paulo, Paulinho, Vilhena. Os anos foram solidificando os carinhos nos nomes.

Você se mostra bastante preocupado com a preservação do meio ambiente e com a ecologia. Considera-se um ativista dessa área?

Sim. Eu me preocupo, cuido, reclamo, dou bronca. Com natureza e meio- ambiente, não se brinca. Estive em Brasília pelo GreenPeace, tenho meu projeto social Casa Neuronha e exerço diariamente o direito como cidadão quando vejo algo errado na praia.

Você esteve no Festival de Cinema de Brasília com Chega de saudade e com outros trabalhos no cinema e no teatro. Que lembranças tem da cidade?

Brasília me recebe sempre de coração escancarado. Me sinto em casa. Sempre quero voltar.

Por falar em cinema, você estará no live action da Turma da Mônica. Como foi o reencontro com personagens que acabam fazendo parte do nosso imaginário?

Um presente que jamais vou esquecer na vida. Poder ser o Seu Cebola, em live-action, em Laços, me fez chorar e reviver a infância. Pô, eu ia às bancas lá em Santos comprar os gibis da Turma da Mônica. Pensa na emoção em me ver num filme do senhor Maurício de Sousa?

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