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Correio Braziliense

'Democracia em Vertigem', de Petra Costa, é ovacionado em Sundance

Longa mostra o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff


postado em 25/01/2019 13:31 / atualizado em 25/01/2019 18:23

Filme de Petra Costa é narrado em inglês: de olho no mercado internacional
Filme de Petra Costa é narrado em inglês: de olho no mercado internacional

 
Democracia em vertigem, novo documentário de Petra Costa, foi um dos filmes de abertura do Festival de Sundance 2019, com excelente recepção do público estrangeiro. Democracia em vertigem é o terceiro documentário lançado sobre o tema do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o que poderia indicar não haver nada de novo para se mostrar ou discutir, pelo menos para o público brasileiro. 

Felizmente, o toque pessoal e intimista da diretora – marca dos seus primeiros dois filmes, Elena e Olmo e a Gaivota, potencializa a narrativa, ao conduzir o espectador de acordo com a subjetividade de quem conta a história. Para além da abordagem pessoal, o filme também conta com imagens de bastidores do Palácio da Alvorada durante a votação do impeachment e, especialmente, com imagens de dentro do sindicato dos metalúrgicos do ABC, na prisão do ex-presidente Lula.

Para o público estrangeiro, Democracia em vertigem tornou-se um espelho do contexto político contemporâneo. Se não conheciam detalhes sobre o contexto político brasileiro, os espectadores conseguiram empatizar com a obra e relacionar aquilo que viam com a própria realidade. Essa reação ficou muito clara na sessão da perguntas e respostas, quando a representante do festival definiu o documentário como "épico monumental".

Produzido pela Netflix, Democracia em vertigem está narrado em inglês pela própria diretora, indicando que o filme parece ser dirigido mais ao público estrangeiro do que ao brasileiro. No Brasil, infelizmente, estará condenado a ser avaliado com o mesmo radicalismo que tem caracterizado o debate no nosso país.

Não de trata de um filme imparcial, nem se pretende imparcial. Desde o princípio, assume sua posição, mas é um filme honesto. Não há dissimulações, não há invenções, não há distorções. Há apenas a análise sincera e propositalmente subjetiva, que joga nova luz sobre a história recente do Brasil. Como filme, Democracia em vertigem é envolvente e poderoso – pode despertar paixão e ódio, mas jamais deixará o público indiferente. Considerando a boa reação e o envolvimento do público, bem como o investimento da Netflix, Democracia em vertigem estreia como grande candidato às temporadas de premiação.

Maurício Costa é crítico de cinema e escreve para o site Razão de Aspecto
(www.razaodeaspecto.com)

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