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Correio Braziliense

Mostra de cinema CineKlap exibe longas da Dinamarca no CCBB

A mostra de cinema se apoia na diversidade de temas da terra do celebrado diretor Lars von Trier


postado em 29/01/2019 06:20

'Campo minado': compromisso com a realidade afirmado na mostra CineKlap(foto: Reprodução/Internet)
'Campo minado': compromisso com a realidade afirmado na mostra CineKlap (foto: Reprodução/Internet)

Em 16 filmes, despontam aspectos de arte, urbanismo, política, sociedade, respaldados por uma indústria sustentável de cinema que viaja o mundo, dando visibilidade à cultura dinamarquesa. No Brasil, sob a curadoria de Tatiana Groff, consultora do Instituto Cultural da Dinamarca (há 10 anos no Brasil), o CCBB oferece o pacote de filmes, exibidos em caráter gratuito, até 10 de fevereiro, por meio da mostra CineKlap — Dinamarca em Foco. “Com curiosidade orgânica, sempre quis acompanhar a produção da Dinamarca, de olho no processo dos filmes, desde o anúncio da realização de cada um dos títulos. Há mais de 20 anos, trabalho com mostras de cinema; no caso da Dinamarca, percebo que o consumo de filmes nos países nórdicos têm sido alto, especialmente quando se fala em streaming. Dinamarqueses criam cerca de 100 filmes por ano, e assistem aos próprios filmes, prestigiam — além disso, produzem juntos, assimilando know how de vizinhos nórdicos”, comenta Tatiana Groff.

CineKlap — Dinamarca em Foco traz atrativos variados que vão desde a animação infantil Mini e Mozzies — que retrata elementos como bullying e amizade — até o documentário Trans.gênerx (2009), de Saskisa Bisp, ligado a questões de mudança de gênero de personagens centrais. Celebrado internacionalmente, o diretor Lars von Trier não tem filme na mostra.

“Lá, não temos apenas um diretor — pensei em fugir do que era óbvio. Ele é o primeiro nome, como acontece com o cinema nacional no nome de Glauber Rocha. Quis trazer filmes que, na Dinamarca, têm bastante relevância, mas que, no Brasil, sequer são conhecidos. Trabalhei de dentro para fora, contando com diálogos possíveis, pelos temas importantes para o mundo e que estejam em evidência. A produção dinamarquesa conta com apoio estatal, mas se consolida ainda num mix com o apoio privado. É um cinema menos numeroso, mas forte e dotado de qualidade”, comenta a curadora.

Previsto para ser mostrado na quinta-feira (31/1), às 17h, o longa documental O show da guerra (2016), conduzido por Obaidah Zytoon e Andreas Dalsgaard, serve de exemplo. “São mais de 20 prêmios para o filme que mostra conflitos na Síria, por meio de um grupo de amigos. É um radialista cercado por pessoas que embarcam num movie road casado com a realidade. Trata do ano de 2011, com o regime de Bashar al-Assad e a guerra civil culminando”, conta Tatiana Groff.

Campo minado (2015), atração de quinta, às 15h, explora, com ficção, o destino de prisioneiros alemães, cinco anos depois de invasões feitas, na Segunda Guerra, em território dinamarquês. O grupo é obrigado a desativar bombas na Dinamarca, ao mesmo tempo em que encara período de extrema hostilização. “Refugiados, guerra e conflitos culturais ainda estão na mostra. Em O conquistador (2017), uma ficção do estreante Milad Alami, sobre um iraniano, o protagonista busca o casamento como ideal para evitar a deportação — o filme ganhou o prêmio Fedeora, no Festival de San Sebastián (Espanha).

Há um tema político, em O idealista (de Cristina Rosendahl), montado sob o prisma de uma investigação jornalística sobre um bombardeio americano caído na Groenlândia (em Thule). Um personagem busca respostas sobre o interesse dos Estados Unidos em terem escondido o fato; mas ele descobre uma verdade ainda mais complexa”, adianta a curadora.

Talentos para o mundo


Com títulos criados entre 2009 e 2017, CineKlap abre espaço para a extensão da visibilidade internacional da criação em cinema na Dinamarca. “Há exportação de mão de obra técnica e criativa, especialmente na área dos roteiros. Há roteiristas disseminados no mundo inteiro. O sucesso da Netflix Bird box é dirigido pela Susane Blier, a diretora que, em 2010, respondeu pelo único prêmio para a Dinamarca no Oscar, com o filme Em um mundo melhor”, conta Tatiana Groff.

A curadora da mostra, Tatiana Groff, é consultora do Instituto Cultural da Dinamarca(foto: Arquivo Pessoal)
A curadora da mostra, Tatiana Groff, é consultora do Instituto Cultural da Dinamarca (foto: Arquivo Pessoal)


Reforçando a diversidade apresentada na mostra, a vencedora do Urso de Prata de melhor atriz Trine Dyrholm estrela Afinal de contas (2015), que prega um romantismo com teor crítico, numa fita episódica, centrada nos encontros de amigos que buscam a perfeição em relacionamentos. Mola Mola (2014), também integrado à programação, mostra o romance entre um pescador e uma bióloga marinha. Noutra linha, há exposição da vida de personalidades do mundo do famoso design escandinavo e de diálogos com a arte mundial que pontuam fitas como Ai Wei Wei e a Fake News, Um homem em derrocada e Design para a vida. Todos os títulos estão programados para o evento do CCBB.

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