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Correio Braziliense

Hoje é o dia do mágico! Conheça a realidade desses profissionais da ilusão

Hoje se comemora o Dia do Mágico. Assim como Brasília, eles têm Dom Bosco como padroeiro


postado em 31/01/2019 07:57 / atualizado em 31/01/2019 07:56

David Copperfield(foto: Homer Liwag/Divulgação)
David Copperfield (foto: Homer Liwag/Divulgação)

Os mágicos têm o dom de fascinar as pessoas. Quem não conhece o clássico truque de tirar o coelho da cartola ou aquele que faz crer na possibilidade de cortar uma pessoa ao meio e depois juntá-la novamente? Há também os truques com as cartas em que a habilidade com a mão desafia a realidade. Com frequência, mágicos reúnem dezenas de pessoas em meio à Rodoviária do Plano Piloto para apresentar seus números. Muitos marcam presença em festas de aniversário infantis e encantam a meninada. Neste 31 de janeiro é comemorado o Dia do Mágico. A data é uma homenagem ao padroeiro deles: São João Bosco.

Na escolha de uma profissão, com o fim do ensino médio, o empresário e mágico Carlos Steiner optou por direito. Ao se formar, ele planejava advogar durante a semana e, nos outros dias, dedicar-se à grande paixão: apresentar números de mágica. Ele conta que, desde muito pequeno, se encantava com isso. Carlos recorda que a sua primeira mágica veio aos 5 anos.

“Meu pai me deu um kit de mágica. Era uma bolinha que andava dentro de um fio e ela parava ao meu comando. Gostava de ver o fascínio das pessoas”, relembra. O público era formado por amigos, familiares ou qualquer um que aparecesse nas reuniões. E ele foi se aprimorando cada vez mais, até que, aos 11, fez o primeiro show pago e pôde começar a ganhar dinheiro.
 
Lance Burton (foto: Kevork Djansezian/AP)
Lance Burton (foto: Kevork Djansezian/AP)
 

“Achei maravilho o fato de ganhar dinheiro fazendo o que gosto. Daí em diante, nunca mais parei”, ressalta. “Aos 16, já era profissional. Trabalhava firme com mágica”. Carlos tinha fascínio por David Copperfield, que mantinha um quadro em programa de tevê na época. O fato de Copperfield colocar um disco voador passando por cima da plateia era o encanto do rapaz.

Carlos chegou a trabalhar como advogado, mas conta que chegava a uma audiência e o juiz questionava: “Você não é o mágico da festa do fulano?”. Ele viu que estava sendo mais famoso como mágico do que como advogado. Então, largou a carreira das leis  para se dedicar exclusivamente à mágica. Hoje, ele tem uma loja que vende produtos de mágica em quiosque , e garante que é muito feliz com a escolha.

História


Dom Bosco  morreu em 31 de janeiro de 1888, em Turim, Itália. Além de ser padroeiro dos ilusionistas, também é protetor de Brasília. Esse título veio por conta de um sonho profético do santo que dizia: “Entre os paralelos 15 e 20 do hemisfério sul, haveria a terra prometida que jorraria leite e mel”. De outra forma, Dom Bosco utilizava números de mágicas em meio à praça para aglomerar jovens.

No Brasil, o precursor do ilusionismo foi João Peixoto dos Santos. Na década de 1920, J. Peixoto — como é conhecido — iniciou uma grande campanha de artistas mágicos. Ele fundou e presidiu o Círculo Mágico Internacional, que centralizou grupos amadores em todo o país.

Associação

 

David Blaine(foto: Emmanuel Dunand/AFP)
David Blaine (foto: Emmanuel Dunand/AFP)

 

O presidente da Associação dos Mágicos de Brasília, Carlos Steiner, conta que a mágica é o segundo maior hobby do mundo. Só perde para a filatelia — atividade de colecionar selos. “É muito difícil conhecer  alguém que não gosta da mágica”, afirma. Para ele, Brasília é um dos melhores lugares do país para os mágicos. 

A associação foi fundada na década de 1980 por um grupo de amantes da mágica em Brasília. O mágico André Freire — um dos fundadores — conta que se juntou a Pedro França, Steiner, Garcia, Milton Trindade, Alexandre Soares, Guilherme Ávila, entre outros. Aos poucos, mais profissionais foram se juntando. “A associação tem como ideal  fomentar que consideramos a rainha das artes: a mágica.”

A associação convida mágicos de fora para fazer uma conferência com o objetivo de trocar ideais sobre a cena. Além disso, eles também vendem produtos. Para trazer profissionais de outras localidades, os integrantes da associação combinam de fazer uma vaquinha para custear, já que a associação não tem fins lucrativos.


Novo ciclo

O mágico André Freire, 50 anos, se define como uma pessoa fantasiosa. Aos 16 anos, começou a trabalhar como animador de festas infantis. “As crianças ficavam fascinadas. Mas eu tinha poucos truques para mostrar. Precisava estudar mais sobre mágica para trabalhar só com isso”, relembra. Na década de 1980, decidiu ir a São Paulo para aprender mais.

Encontrou o que queria na Associação dos Mágicos de São Paulo, que tinha personalidades importantes da mágica do país. “Assim começou minha aventura pelo conhecimento mágico. Conheci nomes de peso, como Henry Vargas, Klauss, Willian Seven, Juan Araújo e Alejando Muniz”, destaca.

O tempo foi passando e o rapaz ingressou na faculdade de administração. Se formou e passou num concurso público. “Não gostava do meu trabalho. Era chato e o tempo não passava.” Para a surpresa de todos, André decidiu largar o emprego e se rendeu aos encantos do mundo da mágica.

*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira



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