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Correio Braziliense

Documentário sobre expedição de Claude Troisgros pelo sertão estreia no GNT

'Claude - Além da cozinha' será exibido nesta quinta-feira mostrando uma viagem do chef francês por quatro estados brasileiros


postado em 31/01/2019 07:57 / atualizado em 31/01/2019 07:57

Claude Troisgros fora da cozinha em documentário que será exibido hoje no GNT(foto: GNT/Divulgação)
Claude Troisgros fora da cozinha em documentário que será exibido hoje no GNT (foto: GNT/Divulgação)

 
O público que aprendeu a gostar do chef/apresentador Claude Troisgros pelos programas que ele apresenta na tevê — Que marravilha! e The taste são alguns deles — poderá conhecer hoje à noite um lado diferente do francês. Dirigido por Ricardo Pompeu, o documentário Claude — Além da cozinha acompanha o cozinheiro numa verdadeira expedição pelo sertão e pela caatinga brasileiros.

A bordo de uma moto, Claude Troisgros percorreu 2,8 mil quilômetros em 19 dias pelo interior de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia. “O que vocês veem é o Claude fora da cozinha e fora da função de apresentador de televisão. É um Claude que faz uma viagem de moto todo ano, atravessa uma região de algum país, vai nos pequenos produtores, dorme na casa das pessoas... É um Claude como ele é, um Claude verdadeiro, em que não há nenhuma apresentação, nenhuma atuação. O que está acontecendo no documentário é de verdade durante a viagem”, afirma o chef, em entrevista ao Correio.

Durante a viagem, Claude se encontra com pessoas que não fazem a menor ideia de quem seja ele e conhece ingredientes e técnicas de cozinha com as quais, mesmo do alto de tantos anos à frente das caçarolas, ele não tem intimidade. Ao lado desses personagens, Claude fez pratos como ceviche de cactos, conheceu um mercado de peixes em Sergipe que manda camarão para o país inteiro e, pela primeira vez, acompanhou o passo a passo de todas as etapas do preparo de uma buchada de bode.

“Claude se interessa por pessoas e por boas histórias. Ele gosta de ouvir a história das outras pessoas e, sempre que possível, faz ganchos para contar as próprias histórias. O mais admirável é que ele está sempre de coração aberto para aprender com o outro. Foi uma experiência muito diferente, porque logo no primeiro dia  nos demos conta de que além de estarmos ali para registrar a viagem do Claude, também éramos a companhia da viagem dele. Éramos apenas cinco  pessoas, além do Claude”, conta o diretor Ricardo Pompeu.

Ricardo lembra que, embora houvesse um roteiro préestabelecido, ele logo foi jogado para o “beleléu”, para usar palavra que Claude adora falar nos programas dele. “Sempre estávamos abertos para o inusitado, para o imprevisto. Mudamos a rota várias vezes, pegamos muitas estradas de terra que não tínhamos planejado, encontramos muitas pessoas no meio do caminho que não imaginávamos encontrar, passamos alguns perrengues. Mas no final deu tudo certo. Esse era o espírito de viagem do Claude”, afirma Ricardo, que conta que, com a experiência acumulada nesse e em outros programas de gastronomia, acaba se arriscando na cozinha.

“Querendo ou não, você acaba estudando muito sobre o assunto. E aí, você chega em casa, olha para a despensa, para a geladeira e tem mais confiança para arriscar algumas coisinhas. Eu tenho cozinhado cada vez mais. Ontem mesmo fiz um pudim de leite (sem furinhos) de deixar a minha sogra orgulhosa”, diverte-se. Quem sabe na próxima expedição de Claude Troisgros  Ricardo não é um personagem que cozinha com ele?

SERVIÇO

Claude — Além  da cozinha
GNT, hoje, às 23h30. Classificação livre.


(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Entrevista / Claude Troisgros

Em Claude —  Além da cozinha, você passa por quatro estados. Qual a contribuição deles para a sua cozinha? 

A contribuição para minha cozinha é sempre muito positiva, pois durante a viagem eu conheço os produtos, as técnicas e as pessoas de cada região do Brasil. Nessa região que atravessei - Alagoas, interior da Bahia, Pernambuco e Sergipe -, todas são no sertão e caatinga,  onde é muito pobre, árido e seco, então as dificuldades que as pessoas que moram nessa região têm com a comida e com os produtos é sempre muito grande. Mas sempre acabo encontrando produtos especiais, técnicas especiais – como buchada, bode, a forma de comer cactos, como cozinhar o bode, enfim, coisas que não estamos acostumados no Sul do Brasil, então, é sempre muito enriquecedor.

No documentário, você cozinha ao lado de pessoas simples. Em seus programas, você também tem uma ligação forte com personagens fora da alta gastronomia. As pessoas te interessam tanto quanto a comida?

Minha viagem inteira foi fora da cidade grande e com a moto, que me permite pegar estradas pequenas de terra, onde o carro não consegue atravessar. Então, encontro pessoas humildes, obviamente. É gente que mora na terra, pobre, mas uma pobreza que não é de fome, mas sim uma pobreza simples. Foi incrível porque dessa forma, a gente encontrou muita gente diferente. Pessoas humildes ou quase como inocentes, que abrem as portas com uma facilidade incrível, oferecem comida, bebida e às vezes para dormir também. Nessa viagem de moto no Rio São Francisco ou em todas as viagens que eu já fiz, eu tenho histórias com essas pessoas humildes. Um fato que aconteceu agora nessa viagem, foi durante uma subida na estrada de terra para o Parque do Catimbau. Como estou de moto, eu vou muito mais rápido do que o carro, onde estava a produção, as câmeras e todos os equipamentos. Em certo momento, percebi que o carro não estava mais me seguindo. Então eu parei e, quando vi, estava em frente a uma casa de terra com muitos pedaços de madeira que representavam alguma forma. Eu fiquei curioso e bati palmas até sair um senhor barbudo que me contou muitas histórias e eu perguntei onde ele arranjava aqueles pedaços de madeira e se ele era um artista ou escultor. Ele me respondeu que costuma sonhar com bichos em forma durante a noite e, durante o dia, vai procurar esses pedaços de madeira dentro da mata, da caatinga. Ele me deu um de presente, que eu trouxe e está inclusive aqui na minha casa no Rio. É no formato de preguiça e eu a chamo de Kikika. Vocês vão vê-la no documentário, pois várias vezes ela aparece. Depois dessa história, o senhor começou a tirar o berimbau e começou a tocar, cantar e foi um momento muito emocionante. Só então, chegaram as câmeras, mas foi um momento muito natural e maravilhoso. Eu adoro essas coisas!

Tantos anos apresentando programas de tevê, ainda fica nervoso diante das câmeras?

Nas primeiras gravações, logo quando comecei, eu ficava nervoso, sim! Mas agora não fico mais. Os diretores costumam dizer que eu sou um câmera friendly. Na realidade, me sinto realizado em poder dividir com o público, em Que marravilha!, por exemplo, o amor que eu tenho pela cozinha. Além disso, eu me divirto muito também.

Foi muito diferente a experiência de apresentar e de, desta vez, ser objeto do documentário?

É diferente, pois apresentar o Que marravilha! ou The taste, obviamente é sempre ligado a cozinha, mas é um cozinheiro apresentador. Nesses programas, não estamos atuando porque estamos apresentando, mas acaba sendo um jeito de atuar também. É diferente do documentário onde tudo é natural. O que vocês veem é o Claude fora da cozinha e fora de apresentador de televisão. É um Claude que faz uma viagem de moto todo ano, atravessa uma região de algum país, vai nos pequenos produtores, dorme na casa das pessoas... É um Claude como ele é, um Claude verdadeiro, em que não há nenhuma apresentação, nenhuma atuação. O que está acontecendo no documentário é de verdade durante essa viagem.

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