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Correio Braziliense

Dieter Kosslick se despede da direção do Festival de Berlim este ano

Edição de 2019, a 69ª, é a última do alemão que esteve à frente do Berlinale desde 2001


postado em 01/02/2019 18:50 / atualizado em 01/02/2019 18:50

Kosslick se aposenta dos cinemas após a 69ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim(foto: John Macdougall/AFP)
Kosslick se aposenta dos cinemas após a 69ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim (foto: John Macdougall/AFP)
Quando for projetado o primeiro filme do Festival Internacional de Cinema de Berlim, na quinta-feira (7/2), um senhor irônico, provocador, ativo e trabalhador começará a contagem regressiva dos seus últimos dez dias de reinado no mundo do cinema. Esta será a última Berlinale organizada por Dieter Kosslick.

O alemão tinha 53 anos quando deixou a cidade de Hamburgo para assumir, em 2001, a direção da Berlinale, como é chamado em alemão o terceiro maior festival de cinema do mundo. Kosslick se aposenta aos 70 anos, portanto, são 17 anos de Berlinale, e coincidentemente de vegetarismo, pois deixou de comer carne na mesma época em que se mudou para Berlim. Dieter Kosslick tem uma grande preocupação com a boa alimentação longe dos produtos industrializados, tanto que criou uma mostra paralela de filmes ligados à culinária.

Entretanto, a força da Berlinale provém do fato de ser um festival engajado, e as seleções de filmes e prêmios mostram sua preocupação com temas factuais. Imigração, racismo, gênero, homofobia, liberdade de expressão, laicidade, denúncia do totalitarismo e ditaduras são temas sempre abordados.

Berlim foi o primeiro festival a premiar uma negra como melhor atriz, Halle Berry, em 2001, premiada, no ano seguinte, com o Oscar pela interpretação em Monsters ball. E foi Berlim também o primeiro a premiar uma negra africana melhor atriz, Rachel Mwanza, menina de rua congolesa, no filme Rebelde.

Este ano, a Berlinale mostra o filme brasileiro Marighella, uma cinebiografia do político Carlos Marighella, que ficou conhecido como um opositor da Ditadura Militar. No entanto, o longa não concorre ao Urso de Ouro. O longa é dirigido por Wagner Moura e o cantor e agora ator Seu Jorge interpreta o protagonista. Bruno Gagliasso e Adriana Esteves também compõe o elenco. 
 
A partir da próxima Berlinale, a 70ª, o festival terá dois novos diretores, o italiano Carlo Chatrian, ex-diretor do Festival Internacional de Cinema de Locarno, na Suíça, considerado o quarto no ranking dos festivais, e a holandesa Mariette Rissembeek, ex-diretora de German Films. Chatrian será o diretor artístico enquanto Rissembeek será a diretora-executiva.

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