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Correio Braziliense

Artistas de outros países compartilham cultura na cena musical de Brasília

O Correio foi ao encontro de alguns desses músicos que têm ocupado estúdios e palcos brasilienses, para a elaboração e divulgação dos trabalhos que desenvolvem


postado em 02/02/2019 07:00

Receptiva para quem a escolhe como nova morada, Brasília, ao logo dos anos, tem acolhido músicos de vários países, principalmente da América Latina. Aqui, devidamente integrados ao meio cultural, eles têm dado inestimável contribuição para o substancioso caldeirão sonoro candango.

Na realização de projetos solo, ou nos trabalhos em grupo, esses artistas mostram na capital algo que remete ao legado absorvido na origem de cada um. Embora a maioria se mantenha fiel aos gêneros musicais representativos dos lugares de onde vieram, há os que buscam interagir com ritmos e estilos identificados como brasileiros.

O Correio foi ao encontro de alguns desses músicos que têm ocupado estúdios e palcos brasilienses, para a elaboração e divulgação dos trabalhos que desenvolvem. Com mais ou menos tempo na cidade, todos deixam claro que fizeram escolha acertada ao se instalarem no Planalto Central tomando-o como um porto seguro.

São eles: os uruguaios José Cabrera e Gabriela Doti, o colombiano Carlos Betancourt, o venezuelano Carlos Cardenas, o chileno Rodolfo Araya, o paraguaio Catito Ovelar, o cubano Felix Valoi, o francês Antoine Espagno e a sueca Kajsa Beijer.


Gabriela Doti, cantora e compositora 

(foto: João Paulo Teles/Divulgação)
(foto: João Paulo Teles/Divulgação)


•  Quando deixou Montevidéu e foi morar em Porto Alegre, Gabriela Doti já tinha a música como ofício. Ao chegar a Brasília, há 15 anos — acompanhando o marido, que trabalha na área de tecnologia, em empresa privada — , ela manteve a atividade artística, inicialmente como vocalista da banda On the Road, cantando clássicos do rock. Em 2014, ao lançar-se em carreira solo, de cara lançou dois discos, Aguas del tiempo e La niña em la Pontalla, ambos com músicas autorais. Além de cantora e compositora, ela escreve crônicas. “Meu trabalho mais recente, Mundo nada particular, dirigido pelo pianista Daniel Backer, é um projeto multimídia, gravado ao vivo, que inclui CD, vídeo e blog. No show de lançamento, no Teatro Garagem, em dezembro, crônicas e ilustrações eram projetadas no telão, enquanto eu me apresentava”, destaca.


Kajsa Beijer, cantora 

(foto: Thiago Bueno/Divulgação)
(foto: Thiago Bueno/Divulgação)


•  A música sempre fez parte da vida de Kajsa, sueca nascida em Estocolmo. Desde cedo, ela cantava jaz, pop, soul e gospel, nas reuniões em família. Em 2014 graduou-se como professora de canto, ainda em seu país de origem. Dois anos antes esteve em Brasília para um intercâmbio no Departamento de música da UnB. Depois, adotaria a cidade como sua segunda casa. Aqui, tem participado de vários projetos ao lado de Renato Vasconcellos, Hamilton de Holanda e Funqquestra. Já se apresentou no Clube do Choro, Clube da Bossa, Teatro da Caixa e Na Praia. Ela também fez show no Rio de Janeiro durante as Olimpíadas de 2016, para os reis da Suécia. Em 2017, lançou trabalho autoral que agora está nas plataformas digitais. “Desde que cheguei a Brasília, tive ótima acolhida”, afirma a cantora que, semanalmente ,faz show na Dolce Far Niente, em Águas Claras e na 215 Sul.


José Cabrera, pianista 

(foto: Gastão Guedes/Divulgação)
(foto: Gastão Guedes/Divulgação)


•  Uruguaio de Rivera, José Cabrera morou em Porto Alegre, até 1990, quando se radicou em Brasília. “Meu projeto era ir para Salvador, mas, ao chegar aqui, de imediato me encantei com a cidade e fiquei. Logo conheci músicos como Daniel Jr., Jaime Ernest Dias e Paulo André Tavares e me enturmei. Nunca quis tocar em grupo ou banda, pois meu projeto sempre foi desenvolver meu próprio trabalho. E isso é o que tenho feito desde então. Lancei um disco em 2001 e gravei um DVD em 2016, que ainda não foi lançado”, conta o pianista. Leonel Laterza, Ângela Regina, Cristina Vasconcelos e Cris Pereira são artistas brasilienses a quem Cabrera emprestou seu talento, acompanhando-os. Ele se orgulha da filha Laura Lobos, que integra o grupo vocal israelense Voca People.


Catito Ovelar, cantor e violonista 

•  Morador em Brasília há 20 anos, o paraguaio Carlos Dionísio, mais conhecido com Catito Avelar, é um dos integrantes do Trio Havaí, criado pelo conterrâneo Roberto Baez. Mas ele tem também um trabalho solo, apreciado em bares e festas particulares, onde interpreta músicas latinas e música popular brasileira. “Adotei Brasília como minha cidade. Aqui, fui recebido com respeito e tenho a atenção e os aplausos de que assiste a meus shows”, festeja.



(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
Carlos Cardenas, saxofonista 
•  Em Brasília desde 2009, o venezuelano Carlos Cardenas tem ativa participação na cena musical da capital. Ao lado do tecladista e conterrâneo Eladio Oduber e do baixista Vicente Pericles, formou o Trio Arquipélago. Tem tocando também com a Orquestra JK, dirigida pelo multi-instrumentista Ademir Júnior; e no Quarteto Brasília Sax, com Carlos Gontijo, Yuri Dantas e Marcos da Silva. “Entre os projetos de que tenho tomado parte, cito como os mais importantes os que fiz com a pianista Suzye Magalhães; com a também pianista Dully Mittelstedt, professora da Escola de Música; e o Tributo a Jaca Pastorius, ao lado do baixista Oswaldo Amorim”, diz.


Rodolfo Arraya, percussionista 
•  Há seis anos na capital, Rodolfo Arraya, chileno de Valparaíso, veio morar aqui depois de se casar com a brasiliense Isabela Almeida, a quem conheceu em seu país. O percussionista, que também é professor de espanhol em duas escolas particulares, se divide entre o grupo Patubatê a banda Sonora Tropicante. “Com o Patubatê, percorremos 399 cidades brasileiras, com o revezamento da tocha olímpica, que antecedeu as Olimpíadas. Depois, durante a Paraolimpíadas, fizemos oito apresentações com o maestro e pianista João Carlos Martins. No ano passado, levamos nosso trabalho à Colômbia”, conta.


Felix Valoi, percussionista e cantor 
•  Para Brasília, onde chegou há oito anos, Felix Valoi trouxe suingue dos ritmos caribenhos que lhes são familiares desde a infância em Havana. Filho de um dos músicos que integrou o mítico Buena Vista Social Club, é casado com a professora de artes Maria Pires de Mendonça e criou, em 2013, o grupo Sabor de Cuba, do qual fazem parte sete músicos, sendo cinco cubanos e dois brasileiros. Com uma boa agenda de shows, o conjunto lançou há dois anos o primeiro disco. “Em nossas apresentações, tocamos músicas do CD, compostas por mim e por Gumercindo Reyes — vocalista da banda — e clássicos do repertório de Compai Segudo, Osmar Portuondo e outros grandes nomes da música cubana”, ressalta Felix. No dia 28 próximo, o Sabor de Cuba volta a comandar o bloco carnavalesco Bora pra Cuba.

(foto: Samantha Barcellos/Divulgação)
(foto: Samantha Barcellos/Divulgação)
Carlos Betancourt, baixista 
•  Líder da Sonora Tropicante, banda de música latina, o colombiano Carlos Betancourt reside na cidade há 15 anos. Desde que chegou, vem participando ativamente do movimento musical brasiliense. Em 2005 criou o grupo com o qual trouxe para o brasiliense os calientes ritmos caribenhos, em shows que fazia em casas noturnas. Atualmente, a banda tem se apresentado mais em embaixadas e festas particulares, uma vez que são poucos os bares e restaurantes que oferecem música ao vivo para os seus frequentadores. “Criamos o Quarteto Tropicante que faz pocket shows. Ano passado, gravamos o nosso primeiro CD, com um repertório que inclui salsa e son montuno. Estamos ensaiando para o show de lançamento, que gostaríamos de fazer no Clube do Choro, depois do carnaval”, anuncia.

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