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Correio Braziliense

Paul Klee ganha retrospectiva no Rio

No total, mais de 100 obras estarão na mostra, a maior já feita sobre Klee no Brasil


postado em 03/02/2019 07:20 / atualizado em 03/02/2019 18:13

 

 

Paul klee foi um dos pioneiros da arte abstrata
Paul klee foi um dos pioneiros da arte abstrata

 

Um dos pioneiros da arte abstrata ao lado do amigo russo Kandinski (1866-1944), o pintor suíço Paul Klee (1879-1940) ganha, a partir do dia 13, a mais completa retrospectiva na América Latina: um conjunto de 123 obras que será exposto no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em São Paulo, seguindo depois para o Rio (em maio) e Belo Horizonte (em agosto). A mostra cobre todos os períodos de criação de Klee, da infância - um desenho a lápis e carvão retratando uma árvore de Natal (1884) - à maturidade - uma têmpera sobre papel colado sobre cartão que evoca uma paisagem noturna com duas montanhas e a lua cheia (1939).

Klee começou a montar seus desenhos em suportes secundários por volta de 1903 e prosseguiu na prática até sua morte, em 1940. A citada obra de 1939 mostra, portanto, sua fidelidade à metodologia de conservação de seus trabalhos - o artista começou a catalogar de forma sistemática sua produção em 1911 e registrou quase 10 mil obras, das quais 4 mil pertencem ao acervo Zentrum Paul Klee de Berna, que traz ao Brasil a exposição Paul Klee - Equilíbrio instável, com curadoria da historiadora de arte suíça Fabienne Eggelhöffer.

Autora de livros sobre Paul Klee, como Theater Everywhere (2008), em que analisa as relações do pintor com o teatro, Fabienne analisa o cruzamento entre o visível e o legível na obra do artista. Nesse aspecto, ela concorda com o crítico norte-americano Clement Greenberg (1909-1994), que definiu a arte do suíço, nos anos 1950, como uma operação na qual meios literários foram usados com objetivos não literários. Há muitas peças selecionadas para a mostra do CCBB que sugerem a apropriação de signos gráficos de diversas culturas, como hieróglifos, sem correspondência lógica.

"Klee criou ao mesmo tempo imagens abstratas e figurativas, nas quais a linha ocupou o posto central, uma espécie de 'eureka' para exprimir o movimento". Em outras palavras, Klee não tinha interesse no que estava sendo representado, mas em como representar, segundo Fabienne. "Desse modo, a escritura serviu, sim, de modelo para Klee - e estamos falando tanto da caligrafia árabe como da chinesa -, mas ele distorceu o seu significado para inventar outros signos."

A curadora evoca a mais célebre frase de Paul Klee - "a arte não reproduz o visível, ela torna visível" - para explicar a jornada do artista da figuração para a abstração, influenciado pelas ideias de Kandinski, Delaunay e Picasso. Klee foi companheiro de Kandinski na Bauhaus, a histórica escola alemã de arquitetura e design, onde passou a lecionar em 1921. Há na mostra um segmento dedicado ao período, destacando-se um óleo sobre cartão (de 1927) que lembra as construções ortogonais de Mondrian.


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