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Correio Braziliense

Cartunista que debochou da ditadura, Henfil completaria 75 anos

Henfil morreu em 1988, vítima da Aids


postado em 05/02/2019 16:42 / atualizado em 05/02/2019 16:42

Humor de Henfil ridicularizava poderosos(foto: zonacurva.com.br/Reproducao)
Humor de Henfil ridicularizava poderosos (foto: zonacurva.com.br/Reproducao)
 
Henrique de Souza Filho (1944 - 1988), mais conhecido como Henfil, morreu antes que pudesse desfrutar da democracia que almejava durante a ditadura no Brasil. Multiartista destacado pelas tirinhas de teor político, ele debochou do poder naqueles anos com humor satírico. Entre os grandes feitos, batizou o movimento Diretas Já. Ele completaria 75 anos nesta terça-feira (5/2).

Henfil nasceu em Ribeirão das Neves, Minas Gerais. Ele, assim como os irmãos Betinho (1935-1997) e Chico Mário (1948-1988), herdaram  a hemofilia da mãe no parto, condição que inibe a coagulação do sangue. Em função do problema de saúde, eles precisaram passar por transfusões de sangue ao longo da vida. Em 1988, uma transfusão contaminada pelo vírus HIV faria com que Henfil e Chico Mário morressem em decorrência das complicações da Aids. Quase uma década depois, o sociólogo Betinho também foi vitimado pela doença.

Em vida, Henfil lutou pela defesa da democracia e por uma sociedade mais justa. Estudou sociologia na então Universidade de Minas Gerais (hoje, Universidade Federal de Minas Gerais — UFMG), mas não completou o curso. Tornou-se jornalista e iniciou a carreira como ilustrador em 1964. Diversos veículos estamparam obras do artista, entre eles as revistas Realidade, Visão, Placar e O Cruzeiro
 
O cartunista batizou o movimento Diretas já(foto: Editora José Olympio/Reprodução)
O cartunista batizou o movimento Diretas já (foto: Editora José Olympio/Reprodução)
 
 
Mais emblemática foi a passagem dele por O Pasquim a partir de 1969, um ano depois que o ato institucional nº 5 (AI-5) foi instaurado. No semanário contrário à ditadura, ele trabalhou ao lado de Ziraldo, Jaguar, Tárik de Souza e Sérgio Cabral. Em 1972, inaugurou a revista em quadrinhos Fradim, que além do personagem título, ilustrava outros personagens famosos do cartunista, como Graúna e Bode Orelana. A revista teve 31 edições e foi publicada até 1980.

“Henfil era muito contestador. Sempre foi muito ético e fiel a seus princípios, principalmente em relação a justiça social e democracia. Deixou um legado de transformação, de resistência e de busca por sociedade mais justa”, comenta o pesquisador Márcio Malta, autor da biografia Henfil: O humor subversivo, lançada em 2008 pela editora Expressão Popular. 

Em 2018, foi lançado o documentário Henfil para conectar a geração atual ao cartunista. O filme dirigido Angela Zoe contou com depoimentos de pessoas próximas ao cartunista.
 
Henfil(foto: Arquivo Pessoal)
Henfil (foto: Arquivo Pessoal)
 

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