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Correio Braziliense

Indicados ao Oscar estão entre as estreias da semana

`Se a rua Beale falsse´e `Guerra fria´estão entre os lançamentos


postado em 07/02/2019 06:30 / atualizado em 06/02/2019 19:25

Da história do universalmente difundido pintor Vincent van Gogh (registrada em No portal da eternidade) até uma bela história de amor, retratada no longa Guerra Fria, passando pela adaptação de um êxito literário do engajado James Baldwin (Se a rua Beale falasse), o circuito de cinema recebe oito estreias de peso. Somando, a trinca de longas citados acumula sete indicações ao Oscar e se junta à estreia da sequência do grande sucesso de bilheteria Uma aventura Lego, que faturou US$ 470 milhões nas bilheterias, na estreia, em 2014.


No portal da eternidade(foto: Diamond Films/divulgação)
No portal da eternidade (foto: Diamond Films/divulgação)


Perturbado e criativo
Hostilizado, bem antes de a palavra virar moda, o pintor holandês Vincent van Gogh não gozou do reconhecimento pertinente para um artista com produtividade fora do comum, mas comumente visto, aos fins do século 19, como um pintor de grosserias. No filme dirigido por Julian Schnabel, No portal da eternidade, o artista tem ciência da visão por demais avançada, e chega a comentar que “a vida é feita para o ato de semear — a colheita, entretanto, não será aqui”. Dentro da trama, em que o atormentado artista tem como veredicto a criação de obras “desagradáveis”, há um momento em que o protagonista, sempre integrado à criação no meio de vasta natureza, compara o contato com as paisagens planas (a serem registradas em quadros) à visão da eternidade. Daí o título do filme que concorreu, no último Festival de Veneza, com Roma, tendo perdido o prêmio principal. Refugado por muitas pessoas, na trama do longa de Schnabel (que, há 23 anos, despontou com  Basquiat — Traços de uma vida), Van Gogh parece, ao menos, talhado para uma amizade intensa com Paul Gauguin, colega ávido em contrastar os artistas empenhados, de fato, daqueles apegados à realidade burguesa. Se deixa claras as influências sofridas por pintores como Frans Hals, Goya, Velázquez e Veronese, durante o filme, van Gogh não segue muitos dos conselhos artísticos do amigo Gauguin, que percebe demasiada pressa na realização das obras e o exagerado apego por “copiar” elementos da natureza. No longa de Schnabel, estrelado ainda por Emmanuelle Seigner (na pele da acolhedora Marie Ginoux) e Mathieu Amalric (que interpreta o doutor Paul Gachet, a assumida confusão mental de van Gogh é ressaltada.


Se a rua Beale falasse(foto: Sony Pictures/divulgação)
Se a rua Beale falasse (foto: Sony Pictures/divulgação)


O horror do preconceito
Dois anos depois de receber oito indicações ao Oscar pelo filme Moonlight — Sob a luz do luar (vencedor do prêmio de melhor filme), o diretor Barry Jenkins voltou a chamar a atenção da Academia, pelo mais recente trabalho que estreia na telona: Se a rua Beale falasse. Situada no Harlem (Nova York) dos anos de 1970, a produção mostra a tentativa de estruturação de uma família por parte dos amigos de infância Tish (KiKi Layne) e Alonzo Hunt, mais conhecido por Fonny (interpretado por Stephan James), agora, adultos e apaixonados. Percalços de um arraigado preconceito racial, entretanto, parecem sabotar o amor de Fonny e Tish.


Uma aventura Lego 2(foto: Warner/Divulgacao)
Uma aventura Lego 2 (foto: Warner/Divulgacao)


Um amor no sistema
Depois de se restabelecer há cinco anos em Varsóvia (Polônia), o premiado diretor Pawel Pawlikowski concebeu o longa Guerra Fria, centrado na história de amor entre o músico Wiktor (Tomasz Kot) e a moça que ele descobre, uma promissora cantora chamada Zula (Joanna Kulig). Filmado em preto e branco, o longa é candidato a três categorias no Oscar 2019: fotografia, direção e filme estrangeiro. Guerra Fria traz latente a formação literária do cineasta que estudou também filosofia em Londres. Há quatro anos, Pawlikowski venceu Oscar de melhor filme estrangeiro, com o longa Ida. Além desse reconhecimento, ele acumula prêmios no inglês terreno do Bafta; na Espanha, com troféus Goya, e em Cannes, com o qual venceu pela direção de Guerra Fria.

Guerra Fria(foto: Opus Film/Divulgação)
Guerra Fria (foto: Opus Film/Divulgação)


Continuação animada
Situado numa realidade pós-apocalíptica, a animação Uma aventura Lego 2 chega aos cinemas, quase cinco anos depois do primeiro filme. Uma misteriosa rainha e personagens chamados Cone de Sorvete e Caos Legal são integrados à trama em que um general alienígena pretende promover o caos, criando um cotidiano de pura destruição. A reconstrução cabe aos protagonistas Emmet (Chris Pratt), Lucy (Elizabeth Banks) e Batman (Will Arnett), todos a postos para salvar a amada cidade de Bricksburg em que vivem. A direção do filme é de Mike Mitchell, o mesmo responsável pelo sucesso de Shrek para sempre.
 
OUTROS LANÇAMENTOS
 
Escape room
Uma câmara de pânico cuja fechadura da porta está ligada a pistas espalhadas por dentro de cômodos está no centro do longa assinado por Adam Robitel. Na trama do suspense, pesam as armadilhas dispostas entre seis estranhos arregimentados por uma espécie de concurso que oferta US$ 1 milhão para quem sair daquele minado espaço.



Guaxuma e outras histórias
Estruturado com a inclusão de três curtas-metragens dirigidos pela alagoana Nara Normande, o filme traz, além de Guaxuma (o mais recente, de 2017), tanto Sem coração (2014) quanto Dia estrelado (2011). Cidades como Recife, Cannes, Brasília e Fortaleza são formadoras da carreira da diretora.



O médico indiano
Mente, espírito e corpo compõem a tríade de elementos tratados pelo médico Vasant Lad, aplicado em trazer para o Ocidente a tradicional cura Ayurveda. O documentário é de Jeremy Frindel.



O galã
Conhecido por longas como O cortiço (1978) e Besame Mucho (1987), o diretor Francisco Ramalho Jr. comanda este novo longa estrelado por Thiago Fragoso e Fiuk. Na trama, um ator fracassado procura o irmão roteirista de novelas, com o qual tem muitas diferenças, numa realidade que só piora, por causa do promissor colega de ofício Raul (Fiuk).





Berlim em pauta
A 69ª edição do Festival de Berlim, que terá prêmios entregues no dia 16 de fevereiro, começa hoje, com destaque para duas brasilienses: Maria Augusta Ramos (de O processo) está no seleto grupo de jurados, enquanto a cineasta Bárbara Wagner codirige o curta-metragem concorrente Rise, ao lado do colega Benjamin de Burca, retratando realidade de engajados artistas canadenses. Pela última vez sob a direção de Dieter Kosslick, passados 19 anos de trabalhos, o evento trará como destaque nacional Wagner Moura, que comanda o drama Marighella (com estreia dia 15, fora da competição), com trama situada entre 1965 e 1969, quando o guerrilheiro se tornou alvo da ditadura brasileira. Entre 12 filmes nacionais, estão alinhados Divino amor (do premiado pernambucano Gabriel Mascaro); Greta, com Marco Nanini e Querência, do mineiro Helvécio Marins Jr. O evento trará homenagens especiais para a diretora Agnès Varda e para a atriz Charlotte Rampling.
  
 
 

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