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Correio Braziliense

Conheça o som dos blocos de carnaval da cidade

Blocos e atrações na cidade apresentam leque de opções musicais que agregam de ritmos tradicionais a contemporâneos


postado em 09/02/2019 06:30 / atualizado em 08/02/2019 20:58

O bloco Divinas Tetas tem inspiração tropicalista(foto: Thais Mallon/Divulgação)
O bloco Divinas Tetas tem inspiração tropicalista (foto: Thais Mallon/Divulgação)


A partir deste mês, as multidões começam a se aglomerar nos pré-carnavais até se entregarem de vez à folia com a chegada de março. É comum que o público queira saber de antemão o que escutará nos cortejos antes de decidir onde pular. A identidade de cada bloco reflete diretamente no estilo de músicas tocadas neles.

Pensando nisso, o Correio ouviu organizadores de algumas das atrações carnavalescas para identificar os estilos entoados no carnaval brasiliense. MPB, axé, ritmos jamaicanos, rock brasiliense, marchinha, frevo e samba são alguns dos ritmos que vão reverberar pelas ruas da cidade.

 
 

Capital tropical


A parceria entre Gal Costa e Caetano Veloso inspirou os nomes de três blocos em Brasília. Um deles é chamado igual à canção: Divino Maravilhoso, um dos símbolos da contracultura brasileira. Vaca profana é responsável por outros dois blocos: Divinas Tetas pegou verso emprestado (Dona das divinas tetas / Derrama o leite bom na minha cara), enquanto Vai com as Profanas faz jogo de palavra com o título. Os repertórios desses blocos, como é de se esperar, prezam por brasilidades, sobretudo por aquelas que remetem à Tropicália.

O movimento antropofágico da década de 1960 continua atraindo novas gerações. “A gente atinge uma gama de pessoas maior do que podíamos imaginar. Muitos jovens vão ao bloco. Da mesma forma, vão pessoas que viveram aquela época. Os pais levam filhos pequenos, que têm o primeiro contato com músicas como Odara”, conta Adolfo Neto, um dos organizadores do bloco Divinas Tetas, que faz releituras dos grandes hits da MPB em arranjos de maracatu, samba, ciranda etc.

A psicodelia tupiniquim também é homenageada no bloco Novos Candangos. Pelo segundo ano consecutivo, a atração principal, Praga de Baiano, apresenta sucessos dos Novos Baianos. A icônica banda sacudiu a música brasileira em 1972 com o álbum Acabou chorare. Outro sucesso, Dê um rolê, também é muito lembrado no carnaval. “É uma banda com um som bastante disruptivo, facilmente identificado pelas pessoas. O bloco agrega muita diversidade, e todos se divertem”, relata o organizador Raphael Sebba.
 

Compasso jamaicano

Ritmos tradicionais da Jamaica ganharam o mundo na segunda metade do século 20. No Brasil, a popularidade deu origem, também, a blocos de carnaval. Ska, reggae e dub à brasileira é a especialidade da “quase big band” Ska Niemeyer. Já o baile do Bloco Jamaicano conta com o formato sound system reproduzindo vinis selecionados de ritmos da ilha caribenha.

O bloco Maria Fumaça celebra a cultura sound system da Jamaica desde 2016. Nos alto-falantes: reggae, dancehall, rocksteady, new roots e ska. “Prezamos por colocar composições em português sob vertentes da música jamaicana”, diz o organizador DJ Jacob Bruno. Ele conta que o público costuma ser bem jovem e que Brasília carece de eventos de sound system.
 
 

Rock, claro!

O rock inspira o pessoal do Eduardo e Mônica(foto: Arquivo Pessoal)
O rock inspira o pessoal do Eduardo e Mônica (foto: Arquivo Pessoal)
 

 

Desde 2017, o bloco Eduardo e Mônica homenageia o rock produzido na capital. Legião Urbana, Raimundos, Plebe Rude, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e Cássia Eller ganham ritmo de folia nas mãos dos 14 componentes da banda. Junto aos convencionais instrumentos de grupos de rock, uma bateria de escola de samba garante a levada carnavalesca.

O público aprova o repertório. Em enquete elaborada pelo Correio em 2018, os foliões elegeram Eduardo e Mônica o melhor bloco do ano entre 136 nomes. “Nossa intenção é valorizar a música brasiliense. O público se sente muito representando com isso”, observa um dos fundadores do bloco, Rony Meolly, que garante receber pessoas dos 18 aos 70 anos na festa. “Vão muitas pessoas que querem fugir do funk e do axé de outros eventos.”

Você conhece a Bahia?

Apesar de agregar outros gêneros, como funk e MPB, o axé prevalece no Essa Boquinha Eu Já Beijei. O festejo faz resgate de bandas da axé music dos anos 1990, como Banda Eva, Cheiro de Amor e Araketu. Sam Defor, uma das artistas que compõem o bloco, enfatiza que “músicas ofensivas não entram para o repertório”. “Ele é pautado em respeito à diversidade. Tocamos de tudo, mas, antes, vem o respeito à mulher, aos LGBTIs, às negras e aos negros.” Este ano, Essa Boquinha sairá novamente ao lado do Tuthankasmona.

Quem Chupou Vai Chupar Mais também prestigia o axé dos anos 1980 aos 2000 com a intenção de trazer um pouco do carnaval de Salvador a Brasília. Na linha dos anos anteriores, o bloco Encosta Que Cresce deve entregar apresentações de percussão também com muito axé.
 
https://open.spotify.com/user/andiearaujo/playlist/3vxZYQkb7mfKurmcrXRcWx?si=rxMQONWsT6uJx03evGkFDQ
 
 

Marchinhas e mais

Músicas tradicionais no carnaval dividem espaço com a profusão de ritmos que aderiu ao carnaval nas últimas décadas. As marchinhas predominavam nos festejos da primeira metade do século passado. Em Brasília, há mais de 40 anos, o bloco Pacotão espalha o som das marchinhas nas avenidas do Plano Piloto.

Além das marchinhas, o Bloco Me Engole Que Eu Sou Jiló apresenta repertório de samba. Tem até samba-enredo anual com alfinetada política. Neste ano eles vão cantar: “Eu vi mamãe Oxum na goiabeira / Ninguém solta a mão de ninguém até depois da quarta-feira!”, conforme divulgaram trecho em página de rede social.

Brasília ganhou dois blocos de pré-carnaval de samba raiz neste ano. No Samba da Mulher Bonita, além do samba de raiz, se escuta carimbó, maracatu e axé. Neste mês, o Samba Urgente, responsável por promover eventos de samba mensais em Brasília, se apresenta como bloco carnavalesco.

No Suvaco da Asa, o ritmo mais presente é o frevo. Outros ritmos são bem-vindos: “Maracatu, ciranda, coco, samba, marchinha, e por aí vai. A gente tenta ser o mais multicultural possível”, explica André Lima, diretor do bloco criado em 2006. A música pernambucana é priorizada no repertório. Para Lima, Brasília tem se mostrado uma ótima opção para o período. “Brasília tem surpreendido bem no carnaval, quantitativa e qualitativamente. Vemos vários blocos que promovem o resgate do carnaval, brincante, cheio de fantasias. Para nós, do Suvaco, isso dá muita alegria”, elogia.

*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira
 

Serviço

 

Axé

Essa Boquinha Eu Já Beijei e Tuthankasmona - Tombando a Pyramide.
Dia 23 de fevereiro, às 11h, no gramado da Funarte (SDC, lt. 2). Entrada franca. Classificação indicativa livre.

Quem Chupou Vai Chupar Mais
Dia 23 de fevereiro, às 13h, no Museu Nacional da República (Setor Cultural Sul, Lt. 2, Esplanada dos Ministérios). Entrada franca. Classificação indicativa livre.


Encosta que cresce
Dia 24 de fevereiro, às 14h, no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson (SRPN, Asa Norte). Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 

Forró

Bloco do forró
Dia 5 de março, às 17h, em frente ao Museu Nacional de Brasília (Setor Cultural Sul, lt. 2). Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 

Frevo

Bloco Suvaco da Asa
Dia 16 de fevereiro, às 16h, na Funarte (SDC, lt. 2). Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
 

Marchinha

Pacotão
Dias 3 e 5 de março, às 13h. Bloco sairá da CLN 302. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 

MPB

Vai Com as Profanas
Dia 16 de fevereiro, às 16h, na praça central do Setor Comercial Sul. Entrada franca. Classificação indicativa livre.


Novos Candangos
Dia 1º de março, às 14h, no Look'n Feel (503 Sul, Bl. 69). Entrada franca. Classificação indicativa livre.

Divinas Tetas
Dia 4 de março, às 14h, no Setor Bancário Norte (SBN). Entrada franca. Classificação indicativa livre.

Divino Maravilhoso
Dia 5 de março, às 14h, no setor Comercial Sul (SCS, Q. 3). Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 

Reggae e Ska

Bloco Jamaicano
Dias 15 e 22 de fevereiro, às 21h, no Setor Comercial Sul (SCS, Q. 5, Bl. C). Entrada franca. Classificação indicativa livre.  

Rock

Eduardo e Mônica 
Dia 3 de março, às 11h, concentração no Setor de Indústrias Gráficas, quadra 8, em frente ao Primeiro Bar. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

ReveiRock
Dia 4 de março, às 17h, em frente ao Museu Nacional de Brasília (Setor Cultural Sul, lt. 2). Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 

Samba


Me Engole que eu sou Jiló
Dia 9 de fevereiro, às 15h, no Espaço Pardim (206 Norte). Entrada franca. Classificação indicativa livre. 
Forró
 
Samba Urgente
Dia 16 de fevereiro, às 14h, no Canteiro Central (SCS Q. 3 Bl. A lt. 210). Entrada franca. Classificação indicativa livre.

Samba da Mulher Bonita
Dia 23 de fevereiro, às 18h, no Centro Comercial do Cruzeiro Velho (SRES Bloco D 20, Cruzeiro Velho). Entrada farnca. Classificação indicativa livre. 

Reggae e Ska

Bloco Jamaicano
Dias 15 e 22 de fevereiro, às 21h, no Setor Comercial Sul (SCS, Q. 5, Bl. C). Entrada franca. Classificação indicativa livre. 

Maria Fumaça
Dia 2 de março, às 18h, no Setor Comercial Sul (SCS, Q. 5, Bl. C). Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 

O roteiro completo do carnaval em Brasília pode ser conferido aqui

 
 
 
 
 


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