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Correio Braziliense

A cantora Sofia Freire fala sobre novo álbum, 'Romã'

Com disco recente, além de uma turnê com Gilberto Gil, a pernambucana se prepara para novo show em Brasília


postado em 12/02/2019 07:00 / atualizado em 12/02/2019 09:07

Sofia Freire:
Sofia Freire: "As músicas me remetiam muito ao vermelho e ao laranja: cores da romã" (foto: Maria Eduarda Portella/Divulgação)
 
 
Música contemporânea, misturas de sons corais, a melodia do piano sobre o ritmo eletrônico. Batidas firmes envolvidas por sons graves. Tudo isso embalado por letras de poemas cantados de forma doce e marcante. Tons de erudito, pitadas experimentais e texturas psicodélicas. Esse é Romã, o novo álbum de Sofia Freire, artista recifense que, aos 20 anos, está no segundo disco.

Romã nasceu meio que do nada. Eu estava fazendo outro disco e, nesse processo de produção, fui percebendo que as músicas não estavam me representando muito no momento. Então, eu percebi que letras escritas por mulheres me representavam mais, meus sentimentos, minha visão de mundo”, conta Sofia ao Correio.

O nome da produção surgiu de uma experiência sinestésica. “Com o tempo, enquanto eu encontrava a sonoridade que eu queria, as músicas me remetiam muito ao vermelho e ao laranja: as cores da romã. Depois disso, passei a buscar o significado e tinha tudo a ver com a mensagem que eu queria passar com o disco. Em várias partes do mundo, a fruta simboliza fertilidade, morte e vida, a força feminina de gerar vida”, ressalta.

“Mas é importante não confundir com essa fertilidade no sentido de gerar filhos, mas sim de gerar a própria vida. Somos férteis quando conseguimos parir a nós mesmas. A romã nasce da autofecundação, um ciclo que se repete”, complementa. Feminista, Sofia buscou construir uma narrativa de empoderamento com Romã. São nove faixas de cinco compositoras. “É a história de um processo de reconhecimento, autoconhecimento, de fortalecimento”, explica.

As influências da artista são variadas, “um caldeirão de elementos incorporados à bagagem”, como ela mesma define. “Sou fã de Madonna e, apesar de não parecer, existem traços do pop no álbum. Além dela, CocoRosie, Susanne Sundfør e, a mais clara, Björk. Além disso, a vida inteira toquei piano erudito e sempre gostei de compositores impressionistas, em especial Camille Saint-Saën, que traz em suas músicas os barulhos do vento, das árvores e da água”, descreve.

Talento precoce

Quando gravou Garimpo, primeiro disco da carreira, Sofia Freire tinha 15 anos. Cinco anos depois, ela ostenta no currículo uma turnê com Gilberto Gil. “Eu comecei bem nova, ainda sou nova, mas foi um processo muito natural, pouco pretensioso. Conheci Bem (filho de Gilberto Gil) em um festival. Curtimos o som um do outro, nos seguimos nas redes sociais e, três anos depois, ele me ligou porque precisava de uma pianista que também cantava. Então, toquei em quatro shows com Gil, um ser humano lindo que, em pouco tempo, me ensinou muito”, recorda.

Agora, após o lançamento de Romã, a artista vai realizar turnê com o álbum e também se envolveu em outro projeto. “Com o disco, vou fazer shows pelo Brasil. Inclusive, vou passar por Brasília. Além disso, faço parte de um grupo de 10 mulheres que apresenta o espetáculo A dita curva, que envolve música, dança e poesia. Nele, abordamos questões femininas do nosso viver pessoal e artístico.”

Ela disse, ainda, que, em 2019, começará a produção do terceiro álbum. O lançamento está previsto para o ano que vem. Corajosa, traça novos planos e encara a carreira como diz a letra de Navegante, uma de suas músicas da primeira obra. “Velejador que veleja só pela luz do farol e que não enfrenta o medo das pedras-lanças do atol, vai morrer sem conhecer liberdade e o degredo, os mistérios e segredos do berço e da cova do sol.”

*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira

Romã
Segundo disco de Sofia Freire. Joinha Records, 9 faixas. Disponível nas plataformas digitais.

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