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Correio Braziliense

Renato Borghetti inicia a programação do Clube do Choro na cidade

Temporada 2019 de um dos principais espaços de música de Brasília começa com o gaúcho Renato Borghetti e tem programação intensa também em março


postado em 13/02/2019 07:01 / atualizado em 13/02/2019 08:20

(foto: Werner Maresch/Divulgação)
(foto: Werner Maresch/Divulgação)

“A valorização da genuína cultura musical brasileira sempre foi a proposta do Clube do Choro, ao criar o projeto que, há mais de 30 anos, promove shows de artistas consagrados, tendo como prioridade a apresentação de instrumentistas. Amanhã, tem início a programação de 2019, com o gaúcho Renato Borghetti, e prossegue até dezembro, com atrações diversas” destaca Reco do Bandolim, presidente da instituição detentora do título de Patrimônio Imaterial de Brasília.

Renato Borghetti era um jovem e promissor instrumentista quando veio a Brasília pela primeira vez, em 1979, na inauguração do Centro de Tradição Gaúcha do Planalto. Depois, famoso nacionalmente como mestre da gaita-ponto — similar da sanfona nordestina — voltou à capital em incontáveis oportunidades, algumas delas para participar da Expotchê, no Parque da Cidade.

Ultimamente, porém, é no Clube do Choro onde ele mais tem se apresentado. Ao retornar àquele palco, para show hoje e amanhã, às 21h, na abertura da temporada de 2019, Borghettinho (como é chamado por pessoas mais próximas) aproveita para celebrar com os brasilienses 40 anos de trajetória artística.

“Neste show, eu tenho a companhia de músicos que tocam comigo há nuito tempo. Daniel Sá (violão) e Pedro Figueiredo (sax e flauta), que estão a meu lado há 30 anos; e Vitor Peixoto (piano), há 15. É com esse quarteto que tenho viajado pelo país e pela Europa”, destaca o gaiteiro. “No Clube do Choro, que é a nossa casa em Brasília, vamos fazer uma espécie de retrospectiva das quatro décadas de carreira”, acrescenta.

Embora o foco se concentre mais no repertório do DVD Gaita na Fábrica, lançado em 2017, ele revisita temas consagrados de sua obra, registrados em 25 álbuns, ente os quais Barra do Ribeiro, Fronteira, Mercedita e Sétima do Pontal. Do novo trabalho, o quarteto mostrará a autoral Brincando com Dora (Renato Borghetti), Alfonsina y el mar (Ariel Ramirez e Félix Xésar Luna), Conceiição da Barra (Daniel Sá) e Santa Morena (Jacob do Bandolim).

Detentor do primeiro disco de ouro da música instrumental no Brasil, Borghetti foge de rótulo que visa classificar o som que faz. Embora haja predominância de ritmos ligados à música étnica, como chamamé, milonga e vanerão, há quem o veja fazendo o chamado jazz fusion. Ele prefere simplificar as coisas ao afirmar: “A música regional gaúcha é minha fonte e rumo. A partir desta posição é que desenvolvo meu trabalho”.



Parcerias

O gaiteiro gosta também de compartilhar projetos com colegas do ofício. Em 2018, houve o lançamento do CD Ao Vivo, gravado na Barra do Ribeiro, com o conterrâneo e violonista Yamandu Costa. “Somos amigos há 20 anos e fizemos muitos shows juntos. O DVD saiu no ano passado pelo projeto Natura Musical e marca o encontro pouco usual do violão 7 cordas com a gaita-ponto, no qual propomos novos arranjos para chamamés, milongas e rancheiras”, conta.

Quase todos os anos, o músico faz turnês pela Europa. Em julho, ele tem apresentações com Yamandu, para lançar o DVD naquele continente. Na sequência da turnê, ele se reúne com os músicos do seu quarteto para outros shows. “Um pouco antes, vou à Colômbia  participar de um festival de acordeon em Medelim”, adianta.

Mas o que deixa Borghetti ainda mais entusiasmado é a Fábrica de Gaita, projeto criado na Barra do Ribeiro que tem se expandido. “São 11 escolas, nove no Rio Grande do Sul e duas em Santa Catarina. A nossa intenção com a Fábrica não é descobrir talentos musicais, mas levar o ensino da gaita para um número cada vez maior de jovens interessados em aprender tocar o instrumento. Um deles, Roger Correia, alcançou um nível alto no aprendizado que lhe permite, inclusive, se apresentar no exterior”, revela, orgulhoso.

Renato Borghetti
Show com Daniel Sá (violão), Pedro Figueiredo (sax e flauta) e Vitor Peixoto (piano, hoje e amanhã, às 21h, no Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de Convenções Ulysses Guimarães). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599.


PROGRAMAÇÃO

FEVEREIRO
Dias 14 e 15 – RENATO BORGHETTI                                                      QUARTETO

Dias 21 e 22 – QUINTETO VIOLADO

Dias 28 e 1/3  – PEDRO MARTINS e ARISMAR DO ESPÍRITO SANTO

MARÇO

Dias 7 e 8 –      FRANCIS HIME

Dias 14 e 15 –  JOÃO DONATO TRIO

Dias 21 e 22  – LENY ANDRADE e GILSON PERANZZETTA

Dias 28 e 29 –  RECO DO BANDOLIM & GRUPO CHORO LIVRE



Entrevista / Reco do Bandolim

Qual é o seu propósito maior à frente do Clube do Choro?
Desde 1993, quando criamos projetos anuais, com a participação de grandes músicos brasileiros, buscamos atribuir ao choro a importância que ele merece, como música genuinamente nacional. Miramos no que ocorre nos Estados Unidos, onde o jazz recebe um tratamento devido, como o gênero musical representativo daquele país. Lá, o jazz é estudado em escolas e nas universidades.

A criação da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello decorreu dessa experiência norte-americana?
Antes do advento da Escola de Choro, tínhamos aqui músicos autodidatas. Com a escola, que hoje conta com 1.200 alunos, o ensino passou a ser feito de forma didática. Para que haja um aprimoramento maior, Henrique Neto e Dudu Maia criaram um manual, já implantado, que está na segunda edição e se tornou grande facilitador para o aluno. Esse manual tem sido enviado para países como Portugal, Espanha, França e Holanda. Em abril, entre os dias 23 e 28, vamos promover um festival, para comemorar 20 anos da escola.

Como funciona o projeto em que alunos de escolas públicas e particulares são recebidos na Escola de Choro?
Há três anos, quinzenalmente, recebemos estudantes de escolas públicas e privadas que aqui assistem, pelo projeto Música na Escola, a palestras, audições musicais e têm contato com instrumentos. Percebemos que há um interesse muito grande, da parte deles, pelo choro.

A programação anual do clube tem início amanhã, com show de Renato Borghetti. O que foi feito para viabilizá-lo?
Inicialmente, houve a aprovação pelo Ministério da Cultura. Agora, estamos na expectativa de solução favorável na avaliação dos projetos culturais, para que possamos ter apoiadores e darmos continuidade ao trabalho, que diz respeito à cultura genuína do país. Vamos ter aqui no clube a apresentação de artistas importantes, como Renato Borghetti, Quinteto Violão, João Donato, Francis Hime , Leny Andrade e Gilson Peranzzetta nos shows de fevereiro e março.
 
 
 
 



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