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Correio Braziliense

Filme que retrata crimes de Fritz Honka é destaque no Festival de Berlim

'A luva dourada' é uma produção hiper-realista dos assassinatos do serial killer, que é capaz de provocar nos espectadores nojo, repulsa e aversão


postado em 13/02/2019 14:50

Filme do cineasta alemão Fatih Akin foi baseado em livro biográfico do assassino, escrito pelo alemão Heinz Strunk(foto: Reprodução)
Filme do cineasta alemão Fatih Akin foi baseado em livro biográfico do assassino, escrito pelo alemão Heinz Strunk (foto: Reprodução)
 
O filme sensação no Festival Internacional de Cinema de Berlim, que deixou os críticos de cinema zonzos e lotou o imenso salão destinado às entrevistas coletivas foi A luva dourada, do cineasta alemão Fatih Akin. O relato hiperrealista dos crimes do serial killer alemão Fritz Honka, é capaz de provocar nos espectadores nojo, repulsa e aversão, junto com a impressão de vir da tela do cinema um cheiro desagradável, provocado pelos cadáveres em decomposição, no sótão onde vivia Fritz Honka.

Filme foi situado no bairro de St. Pauli, em Hamburgo. Durante os anos 1970, o local era uma espécie de boca do lixo da Alemanha. Durante à noite reuniam-se desde bêbados, prostitutas, jogadores de baralho, traficantes, nazistas e criminosos. Ali havia, e ainda há, um boteco ainda que era mais sórdido nos anos 70, o Luva Dourada.

Esse hiper-realismo lembra o dinamarquês Lars von Trier. Porém Fatih Akin, com suas prostitutas obesas e desdentadas, sua decoração de bonecas no sótão maldito, seu assassino estrábico com um olho maior que o outro atrás dos óculos de lentes grossas e a ligeira corcunda do criminoso, vai bem além do Nosferatu de Murnau ou Herzog. E lembra também Frankstein. Porém, o filme de Fatih Akin não provoca medo mas sim repulsa e nojo.

Sem dúvida, alguns críticos devem ter deixado a sala de projeção para ir vomitar. Isso, porém, não significa uma rejeição do filme pela crítica, que tomou um choque mas correu imediatamente para a coletiva do realizador Fatih Akin, logo após a projeção do filme, lotando totalmente a sala.

O filme foi baseado num livro biográfico do assassino, escrito pelo alemão Heinz Strunk. Entre as cenas grotescas e que causam náuseas, como os vermes das carnes podres de suas vítimas caindo do teto sobre os vizinhos de baixo. Há o gesto de uma de suas vítimas, uma sobrevivente, de passar mostarda no pênis flácido e impotente do seu quase assassino. Menção simbólico aficionado com a preferência nacional alemã pela salsicha igualmente flácida.

Apesar do mau cheiro do sótão e da figura estranha de Fritz Hunka, a descoberta de seus crimes só ocorreu ao haver um princípio de incêndio no seu prédio, motivando um controle dos apartamentos e do sótão pelos bombeiros.

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