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Correio Braziliense

Vida de Mandela é contada em duas obras que celebram o centenário do líder

Cartas da prisão e biografia de Mandelam jogam luz sobre o ativista que acabou com o apartheid


postado em 07/03/2019 06:30 / atualizado em 06/03/2019 18:54

No centenário do nascimento de Nelson Mandela, duas obras contam a luta do líder africano contra a opressão e o racismo(foto: WALTER DHLADHLA)
No centenário do nascimento de Nelson Mandela, duas obras contam a luta do líder africano contra a opressão e o racismo (foto: WALTER DHLADHLA)

“Fechem as fábricas de morte! Terminem já essa guerra! Peguem suas armas, suas facas e pangas (facão para cortar cana) e joguem no mar”, conclamou Nelson Mandela, sem se incomodar com a sonora vaia de uma multidão de maioria negra calculada em 100 mil pessoas, duas semanas depois de deixar a prisão. Era imensurável o desafio do homem que por quase três décadas — apesar do sofrimento, da hipertensão, das privações e do trabalho forçado em pedreira —, fez do cárcere um laboratório de autoconhecimento, estudou direito, línguas e história e acreditou piamente que seu destino era “libertar oprimidos e opressores”.

A passagem do centenário de nascimento de Nelson Mandela (1918-2013) trouxe ao mercado editorial obras essenciais para a compreensão do ativista incansável que lutou pela libertação da população negra, mestiça e indiana da África do Sul do sangrento regime do apartheid (1948-1994). Cartas da prisão de Nelson Mandela (The prison letters of Nelson Mandela) e A cor da liberdade — Os anos na Presidência, de Nelson Mandela e Mandla Langa (Dare not linger — The presidential years) são duas obras que se completam para revelar o homem por trás do mito, que quebrou o espírito revanchista da população contra a segregação branca e conseguiu diálogo e até parceria com os representantes do regime que o condenara à prisão perpétua e temia perder o status quo. 

Líder rebelde e ativista do Congresso Nacional Africano (CNA), principal movimento e partido político opositor ao apartheid, Nelson Mandela foi preso em 5 de agosto de 1962, aos 44 anos. 

Chamado de comunista, ele reagiu: “Sempre me vi como nacionalista e ao longo da minha carreira fui influenciado pela ideologia do nacionalismo africano. Minha única ambição na vida é e sempre foi desempenhar meu papel na luta do meu povo contra a opressão e a exploração pelos brancos. A tarefa mais imediata com que defrontam hoje as pessoas oprimidas não é a introdução de um governo dos trabalhadores e a construção de uma sociedade comunista. A principal tarefa diante de nós é a derrubada da supremacia branca em todas as ramificações e o estabelecimento de um governo democrático no qual todos os sul-africanos, independentemente de sua situação social, de sua cor ou de suas convicções políticas, vivam lado a lado em perfeita harmonia.”

Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990, depois que o governo de P.W. Botha cedeu às pressões internacionais e à crescente revolta interna e começou a pôr fim ao regime opressor. “A missão da minha vida é libertar os oprimidos e os opressores”. Isso significava que teria de reduzir o abismo entre os opressores, representados pelo governo de branco que o encarcerava, e os oprimidos, a maioria do povo sul-africano em toda a sua diversidade.

Mas nada nem ninguém impediu a vitória nas urnas. Mandela obteve 62,6% dos votos nas primeiras eleições democráticas da África do Sul, em 1994. Conseguiu a proeza de tornar De Klerk seu vice, no Governo de Unidade Nacional, parceria que rendeu o Nobel da Paz aos dois, em 1993.

Ao fim do seu mandato, em 1999, Mandela não acabou com as mazelas sociais e econômicas do seu povo, mas pacificou o país.  Apesar de a África do Sul não ter se livrado de suas mazelas sociais, como desemprego. E, em seu último discurso no Congresso, Mandela afirmou: “Quanto a mim, faço parte da geração de líderes para os quais o desafio definidor era alcançar a democracia. Se consegui avançar alguns passos rumo à democracia, ao não racismo e ao não sexismo, foi fruto do Congresso Nacional Africano, do movimento pela justiça, dignidade e liberdade.”




CARTAS DA PRISÃO DE NELSON MANDELA
Editora Todavia. Edição Sam Venter. 646 páginas . R$ 84,90. R$ 54,90 (e-book)



A COR DA LIBERDADE – OS ANOS NA PRESIDÊNCIA

De Nelson Mandela e Mandla Langa. Editora Zahar. 496 páginas.  R$ 99,90. R$ 59,90 (e-book) 

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