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Correio Braziliense

Confira os eventos de março que reforçam o protagonismo feminino na cultura

São festivais, feiras colaborativas, rodas de samba, debates literários, show e muito mais


postado em 09/03/2019 07:30

 O grupo Mulheres de Samba tornou-se um ponto de apoio para as participantes(foto: Janine Moraes/Divulgação)
O grupo Mulheres de Samba tornou-se um ponto de apoio para as participantes (foto: Janine Moraes/Divulgação)
Março é tomado por iniciativas que recordam e comemoram os avanços conquistados contra a desigualdade de gênero, sem desconsiderar que ainda existe muito a ser feito em relação à luta por equidade das mulheres.

Elas se fazem presentes em espaços artísticos onde, inicialmente, a presença delas era menor. “O samba nasce com a mulher, foram as baianas quem abriram o caminho para que isso pudesse acontecer”, exemplifica Rebeca Dourado, produtora e uma das idealizadoras do projeto Mulheres de Samba, atuante em Brasília.

Eventos protagonizados por figuras femininas tomam forma na capital nos mais diversos campos. “No nosso coletivo, temos maioria de mulheres e estamos sempre atentas às pautas de valorização do trabalho da mulher, da presença feminina na produção”, ressalta a produtora cultural Vanessa Jardim, uma das organizadoras da feira Hype das Minas, que movimentará a praça do Conic neste sábado.

O Correio selecionou eventos no mês de março que buscam refletir sobre o protagonismo feminino. São festivais, feiras colaborativas, rodas de samba, debates literários, show e muito mais, confira!

 

Literatura por mulheres

Desde julho de 2013, o blog Academia Literária do DF fomenta a leitura local em Brasília e promove eventos relacionados à literatura. Neste ano, o grupo promove a quarta edição do Literatura por Mulheres, iniciativa voltada para autoras brasilienses e local de debate acerca de pontos que as escritoras considerem relevantes. “Queremos desmistificar a ideia de que a literatura brasileira é inferior à estrangeira, desconstruir esse preconceito”, explica Helkem Araújo, uma das responsáveis pelo blog e organizadora do evento. A conversa será no dia 15, próxima sexta, a partir das 15h, no Teatro Sesc Silvio Barbato (Setor Comercial Sul). “Fazemos um processo seletivo para as escritoras com duas etapas, um formulário para inscrição e depois uma enquete no Facebook com votação aberta ao público”, explica Helkem. “Dessa maneira, as pessoas podem ver e votar nas autoras que gostam, mas também conhecer o nome de outras que elas não conhecem. Orientamos as escritoras a colocarem informações sobre a produção delas para que elas possam ser conhecidas por mais gente.” A partir desse processo, foram escolhidas Day Fernandes, Hailane Braga e Denise Barbosa. As três conversarão sobre a participação da mulher na literatura sob mediação da também autora Kássia Monteiro. “Nós vetamos a participação de escritoras que participaram nos anos anteriores para renovar o cenário”, diz Helkem. A mediadora sempre é, porém, alguma participante do ano interior. O evento é gratuito, aberto ao público e faz parte da programação da Semana da Mulher do Sesc, que ainda conta com palestras, oficinas, testes de saúde, sessão de cinema e exposições.


Samba por todas urgente

Já tradicional na cidade, o Samba Urgente se reúne para mais uma edição de uma das rodas de samba mais movimentadas da capital neste sábado, às 20h, no Canteiro Central (Setor Comercial Sul). “O evento é mensal e sempre procuramos fazê-lo temático, de acordo com o mês em que vaI ser feito”, explica o membro do grupo Augusto Berto. “O samba é um lugar muito ocupado por homens não apenas no Samba Urgente, uma crítica válida não só para nós, como para as rodas do Brasil inteiro.” Quem comanda esta edição são as Mulheres de Samba, projeto da cidade que reúne mais de 30 mulheres sambistas e existe há três anos. A união surgiu da mente inquieta de Rebeca Dourado, Clara Nogueira e Elizabeth Maia, que perceberam numa comemoração do aniversário da cidade um line-up composto apenas por homens. “Vimos aquilo e precisávamos fazer alguma coisa. Foi quando pensamos em reunir as sambistas da cidade”, relembra Rebeca. “Nosso objetivo é reunir e fortalecer as mulheres que fazem samba em Brasília. Não somos um grupo, somos um projeto”, ela esclarece. Com muitas participantes, marcar reuniões torna-se uma tarefa difícil, mas o espaço proporciona uma troca especial, possibilita que as mulheres estejam em contato umas com as outras e conheçam diferentes trabalhos. “Fomos em algumas rodas e todas eram majoritariamente masculinas, a mulher era colocada como aquela musa do samba, que aparecia ali para uma pequena apresentação e pronto”, explica Rebeca. “Colocar a mulher nesse lugar de musa, de diva, dá a entender que elas não pertencem, de fato, àquele lugar”, desenvolve. Neste sábado, a ideia é criar um espaço respeitoso e apresentar ao público do Samba Urgente toda a variedade de sambistas da cidade. “Para a gente é muito importante estar ali com o Samba Urgente, eles têm um alcance muito grande de um público não só do samba. O público do samba já nos conhece/ queremos falar além dele”, conclui Rebeca. Ela ressalta que, apesar de ser uma ocasião alegre, característica do samba, significa lembrança de luta.

A feira Hype ocupa o espaço central da Praça do Conic com arte local(foto: Bruno Cavalcanti/Divulgacao)
A feira Hype ocupa o espaço central da Praça do Conic com arte local (foto: Bruno Cavalcanti/Divulgacao)
Hype das Minas

Em um projeto de ocupação do espaço público da cidade e valorização da produção local, a Feira Hype leva duas vezes por mês à Praça do Conic uma programação variada e diversa. Contemplada pelo FAC, a feira reúne brechós, produtores de roupas e acessórios, artesanato, arte e música. Neste sábado, o evento começa às 14h. O evento gratuito se volta, neste mês, às produções femininas. “Todos os serviços serão prestados por mulheres”, explica a produtora Vanessa Jardim. A programação conta com flash day com tatuadoras e exposição de arte com gravuras autorais selecionadas pela Art Foundry. A Batalha das Gurias e um time de DJs convidadas ficam por conta da música. “Criamos um espaço para que as pessoas não venham apenas olhar, também fiquem um pouco”, diz Vanessa. “Queremos fomentar o mercado local feito por mulheres. Buscamos trazer diferentes produtos.” Promovido pelo Latitude 15 Produções, o evento valoriza a participação feminina na função de produtora.

Catarina Accioly estará em cena com Obscena, baseado na obra de Hilda Hilst(foto: Naiara Pontes/Divulgação)
Catarina Accioly estará em cena com Obscena, baseado na obra de Hilda Hilst (foto: Naiara Pontes/Divulgação)
1º Festival Frente Feminina

De 19 a 24 de março, o Teatro Sesc Garagem e o Espaço Cultural Renato Russo recebem o 1º Festival Frente Feminina. As idealizadoras e atrizes Larissa Mauro, Anna Marques e Catarina Accioly pensaram, inicialmente, em um evento voltado para valorizar a mulher na posição de diretora no teatro. Porém, a programação final acabou muito mais diversa. Além dos espetáculos teatrais, o 1º FFF oferecerá ao público shows performativos, batalha de dança, lançamento de livro e rodas de conversa. “É uma reunião de três gerações de mulheres artistas. É uma troca muito interessante, deixa o processo muito vivo”, ressalta Larissa. “Partimos do princípio de pensar nas gerações de artistas. O foco é dar espaço para mulheres na direção, na liderança. Terão homens em cena normalmente”, ela e Anna explicam. Para exemplificar a diferença existente, as mulheres por trás do festival recorreram a dados. Uma pesquisa do Prêmio Web de Teatro do DF de 2018, realizada pelo grupo Tripé, levantou que menos de 30% dos espetáculos realizados na cidade foram dirigidos por mulheres. Na dança, Anna aponta outra disparidade: “A maior parte dos alunos de dança são mulheres, mas grande parte dos professores e coreógrafos são homens”. O festival independente conta com financiamento coletivo para continuar a acontecer em anos seguintes. Para as idealizadoras, as rodas de conversa que serão promovidas entre profissionais atuantes na área servem para pensar em maneiras alternativas de realizar festivais e iniciativas artísticas diante de uma realidade de pouco incentivo. “A expressão artística é um bem comum”, destaca Anna. Os ingressos para cada espetáculo custam R$ 10 (meia-entrada), e a classificação indicativa varia de acordo com a programação. A lista completa de atrações com sinopse e mais detalhes pode ser vista no endereço: frentefeminina.wixsite.com/festivalfff.

*Estagiária sob supervisão de Igor Silveira

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