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Correio Braziliense

Grupos celebram o pós-carnaval se mobilizam para agenda social da cidadania

Coletivos responsáveis pela folia em Brasília se dedicam a projetos sociais


postado em 10/03/2019 06:00

Oficinas promovidas pelo Instituto Cultural Menino de Ceilândia aproximam jovens de atividades culturais e profissionais(foto: Bruno Peres/Esp. CB/D.A Press)
Oficinas promovidas pelo Instituto Cultural Menino de Ceilândia aproximam jovens de atividades culturais e profissionais (foto: Bruno Peres/Esp. CB/D.A Press)

Fora do carnaval, coletivos responsáveis pela folia em Brasília se dedicam a ações de cidadania. São blocos, escola de samba e grupos percussivos que estendem a agenda para além da folia. Também ONGs, que na festa de Momo dão suas contribuições, põem em prática, ao longo do ano, projetos sociais e atividades diversas voltadas para o bem-estar da comunidade.

Da Estrutural para o Cruzeiro

Kleiton de Paula, 34 anos, garante o carnaval da Cidade Estrutural à frente do bloco Vem Kem Ker desde 2012. O cortejo é uma extensão dos projetos promovidos por Kleiton, que, em 2005, começou a organizar programas de lazer e cultura na comunidade. Morador da cidade nascido no Maranhão e motorista, ele resolveu formalizar as ações sociais quando fundou em 2017 a Associação Cultural Educacional Desportiva e Esportiva da Estrutural (Acedee), uma ONG que, entre outras ações, distribui brinquedos no natal, oferece campeonatos esportivos e arrecada alimentos.

Nos tempos de jovem, Kleiton de Paula e seus amigos que o ajudam foram beneficiados por ações sociais quando estudavam no Cruzeiro, graças à Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc). Hoje, os amigos daquela época ainda o ajudam nos projetos sociais voltados para a Cidade Estrutural.

Atualmente, a Aruc, escola de samba do Cruzeiro fundada em 1961, participa de três projetos. Ela abre os ensaios de bateria para as crianças, nos quais meninos e meninas carentes têm oportunidade de aprender a tocar percussão gratuitamente. Os instrumentos são emprestados pelo próprio clube. Além disso, em parceria com uma representante oficial do Grêmio, promove aulas de futebol com proporção de cotas para quem não tem condição de pagar. Da mesma forma, capoeira e kangoo são oferecidos aos jovens.

Inclusão e diversidade

Dentro e no entorno do DF, a ONG Grupo Amizade promove eventos voltados para a inclusão LGBTQ+. No carnaval deste ano, o grupo espalhou alegria na Cidade Ocidental com o Bloco da Diversidade. Hoje, a Praça Cine Itapuã no Gama recebe a folia. A agenda do grupo, no entanto, não se limita à festa de Momo. Braby Brasil, artista de 32 anos, está à frente da organização que atua desde 2009 com objetivo de democratizar as discussões pertinentes ao movimento.

Torneios de futsal promovidos na Estrutural por Kleiton de Paula visam à arrecadação de alimentos(foto: Kleiton de Paula/Divulgação)
Torneios de futsal promovidos na Estrutural por Kleiton de Paula visam à arrecadação de alimentos (foto: Kleiton de Paula/Divulgação)


Entre ações, o Grupo Amizade leva às regiões administrativas paradas do orgulho LGBT, e eventos celebrativos em datas comemorativas dos grupos englobados pela sigla. “Foi uma necessidade. Faço parte do movimento LGBT há muito tempo. Era tudo muito centrado e elitizado. As pessoas da periferia não tinham oportunidade de ter reconhecimento. Nossa ONG surgiu com essa proposta de ouvir outras pessoas e ampliar o debate”.


Tradição difundida

O Instituto Cultural Menino de Ceilândia, além do bloco Menino de Ceilândia, promove na cidade oficinas diversas gratuitas de musicalização (teoria e prática instrumental), de danças populares, confecção, manipulação de bonecos gigantes e curso de corte, costura, modelagem e serigrafia, além de palestras acerca dos direitos humanos, ambiental e formação profissional e motivacional. “É um trabalho de tentar oferecer uma atividade para a comunidade que não está muito acostumada com essas opções”, explica o membro fundador do tradicional Bloco e presidente do instituto, Aílton Velez, 55 anos.

Folia no beco

O Mercado Sul, em Taguatinga, promove dezenas de projetos culturais ao longo do ano. São atividades, gratuitas na maioria das vezes, tais como “práticas de capoeira, rádio, exibições de filmes, vivências de educação popular e saúde, feira de trocas, EcoFeira, oficinas diversas. Espaço para realização de oficinas, encontros e vivências”, explica o coletivo. No carnaval, o evento Carnaúba - Forró de Rabeca fez folia no beco.

No lado norte da cidade, o bloco Periga Ser marcou sua estreia no carnaval. A praça da CNF foi palco do evento e será alvo dos frutos colhidos. Além de ajudar a financiar o bloco, o dinheiro arrecadado na festa será usado para revitalizar a praça e aprimorar a segurança da região. E problemas de segurança. O projeto, “fruto da união de forças”, conta com colaboração do comércio local de diferentes segmentos.

* Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco

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