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Correio Braziliense

Rumbora retoma as atividades para comemorar 20 anos do álbum de estreia

A banda era uma das mais populares de Brasília entre as décadas de 1990 e 2000


postado em 17/03/2019 06:00

(foto: Pedro Margherito/Divulgação)
(foto: Pedro Margherito/Divulgação)

A banda brasiliense Rumbora deu a primeira entrevista para um veículo de comunicação impresso no fim da década de 1990. À época, eles falaram ao Correio. Em 2019, o grupo volta a conversar com a reportagem deste jornal para contar, com exclusividade, a história do retorno do Rumbora, 20 anos depois do lançamento do primeiro álbum — incluindo shows confirmados em Brasília, na edição 2019 do Porão do Rock, que ocorrerá entre 16 e 17 de agosto.

Da formação original, estão Alf Sá (voz, guitarra e baixo) e Beto Loureiro (baixo e voz). A nova equipe contará, ainda, com Marcelo Vourakis (guitarra e vocais) e Iuri Rio Branco (bateria). Para 2019, além dos shows da turnê de retorno, o grupo já prepara o lançamento de singles inéditos, e, para o próximo ano, a expectativa é de álbum novo. “Temos música nova, algumas já estão encaminhadas, vamos lançar o primeiro single no primeiro semestre, e a expectativa é lançar um álbum no próximo ano, é uma continuação do trabalho, o DNA da banda vai continuar, mas também teremos coisas novas”, comenta Alf.

História


Os ensaios na 207 Norte, a influência das bandas de sucesso da década de 1990. Na lembrança, o vocalista guarda os momentos que contam a história do grupo, e, especialmente, o quanto ela é importante para a volta deles em 2019: “A banda foi montada nesse espírito de bando, mais do que um grupo musical mesmo. O embrião é de 1996, mas foi em 1997 que se firmou. A gente era amigo de infância, dublávamos músicas com raquete no lugar de microfones, era isso, algo de que gostávamos e, com o tempo, passamos a tocar com outras bandas, estávamos focados. A gente só tocava! Em dois anos, gravamos o primeiro disco”.

O grupo teve três álbuns lançados ao longo da carreira. 71, o primeiro, surgiu em 1999 — o single Chapírous foi o destaque. O segundo trabalho, Exército positivo e operante, saiu em 2001. Em 2003, agora como um trio, a banda lançou Trio elétrico. “O primeiro foi mais condensado, uma junção de coisas que a gente ouvia quando era moleque, essencialmente, de new wave, algumas nacionais, outras gringas, misturando com aquelas bandas dos anos 1990, mais ensolaradas — jamaicana eletrotônica ragga. No segundo foi mais destrinchado em dinâmicas mais para o extremo: da mais calminha até a mais hardcore, passando por coisas mais pop. O terceiro mudou de vez, a música com a influência eletrônica jamaicana. A gente virava a noite tocando e ouvindo, dividindo estúdio com outras bandas”, explica Alf sobre os álbuns da carreira.

Em 2001, o grupo se apresentou no Rock in Rio: momento marcante(foto: Jorge Cardoso/CB/D.A Press)
Em 2001, o grupo se apresentou no Rock in Rio: momento marcante (foto: Jorge Cardoso/CB/D.A Press)


Entre os momentos mais marcantes da carreira, Alf tem dois na ponta da língua: “O Rock in Rio foi memorável, a gente tinha acabado de lançar o nosso segundo disco, em 2001, e não estávamos no palco principal, mas começamos a tocar, e o público foi acompanhar a gente, algo realmente incrível. Também teve um Porão do Rock, em 2004, que a gente já fez como trio e foi incrível, a galera enlouqueceu e foi uma adrenalina que até hoje eu lembro”.


Raízes


Sobre o poder da cidade para a composição dos trabalhos do grupo, Alf explica que, seja em 1999, seja em 2019, a sensação é a mesma. “A gente cresceu aqui, a gente aprendeu tudo aqui, a gente viveu os anos 1980. Lembro da gente em show da Legião Urbana ainda pirralhos, da gente ensaiando nas garagens, na casa do Digão, do céu da cidade, tudo que está ao redor, toda mistura, tem essa influência do rock com o ambiente da cidade, dessa relação com as pessoas, isso a gente carrega até hoje.”

Mas será que o rock de 2019 é o mesmo de duas décadas atrás? Independentemente das plataformas digitais, o streaming ou a popularidade, Alf defende que o trabalho falará mais alto do que qualquer outro detalhe atemporal ou temporal: “O mercado é muito de ciclos, a gente, como artista, não pode se pautar muito sobre quem comanda o streaming, e, sim, fazer o que a gente mais gosta, nos meios digitais ou não. Os nichos estão bem separados, o mais importante é isso, como artista fazer o seu melhor, e as outras coisas são consequências, é lidar com o andar da carruagem de outras situações que são maiores do que a gente”.

Sobre o futuro, o plano da banda é “colocar a mão na massa”, como aponta Alf: “É melhor deixar o som tocar antes de falar o que vai surpreender. Eu não gosto muito de esperar algo, eu gosto mais de fazer, mas queremos encontrar todos do Brasil, pela estrada, cantando com a gente e trocando essa energia de fazer um show que algo inexplicável, ter parcerias com outras bandas e continuar essa história. A gente deu um pausa, mas já apertamos o play de novo e vamos em frente”.

*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira

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