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Correio Braziliense

Thalles Cabral, revelado em 'Amor à vida', filma com André Luiz Oliveira

O talentoso e promissor ator foi escolhido para protagonizar 'Ecos do silêncio', que foi filmado Buenos Aires, Varanasi (Índia) e na capital federal


postado em 17/03/2019 06:10

O múltiplo Thalles Cabral:
O múltiplo Thalles Cabral: "Não sou um ator que canta, nem um cantor que atua. Eu sou esses dois" (foto: Mateus Aguiar/Divulgação)
Com altas expectativas. É nesse estado de enlevo que o jovem ator Thalles Cabral se entrega para o mais recente trabalho de cinema do diretor André Luiz Oliveira, há décadas radicado em Brasília. Escolhido para protagonizar Ecos do silêncio, produzido pela Asacine, e com filmagens em Buenos Aires, Varanasi (Índia) e na capital. “Tenho o privilégio de estar envolvido num projeto desses. E é a primeira vez que vou rodar fora do Brasil. É muito maravilhoso: não só o personagem vai descobrir coisas, mas eu também”, conta o ator, da sala de embarque internacional, ainda em São Paulo.

Brasília também tem escala importante noutra decolada do ator gaúcho, que entrega: estará no “baita” filme de Iberê Carvalho O homem cordial, ao lado de Paulo Miklos. “Serei o jornalista independente Rudá, que um cantor de rock encontrará, entre muitos personagens, numa noite paulista. Será extremamente atual: mexe em questões importantes, pelo linchamento, em bairro nobre, de um menino negro. Trata de preconceito, classes sociais e de privilégios”, adianta.

Em uma semana em Brasília, para testes de maquiagem e figurino de Ecos do silêncio, Thalles teve uma preparação “curta, mas intensa”. “O longa fala sobre autodescobertas, relações familiares e algo de culpa, vida e morte. O irmão do meu personagem Davi, Gabriel (papel de André 14 Voltas), tem autismo. Em Brasília, senti uma nostalgia — nostalgia de um lugar em que nunca estive”, conta Thalles. A consciência exata de crescimentos profissional e pessoal acompanham o ator, atualmente, a exemplo da época do longa Yonlu (bastante premiado, e em exibição no Canal Brasil). “Aquele filme falava sobre empatia, sobre colocar-se no lugar do outro; com o novo filme, há a mesma sensação”, sintetiza.

“Primeira porta” para o despontar na carreira, a novela Amor à vida deu megaexposição para Thalles, na pele de Jonathan, contraponto ao pai, Félix (Mateus Solano) — “Jonathan era o único que apoiava o pai. Antes, tinham muito conflito. Novela tem um poder enorme: mesmo terminada em 2014, até hoje as pessoas, na rua, falam comigo”. Nascido em Porto Alegre, há 25 anos, o ator conta que circula em busca de histórias em que acredite e tenha vontade de contar. Sondado em janeiro para estar em Ecos do silêncio, ele seguiu na rotina de seleção. “No filme, tem gente perdida: há gente que não sabe muito bem para onde seguir. Meu personagem conhece pouco da família, dos antepassados, e está perdido em Brasília. Houve a morte do irmão gêmeo dele, no parto. Com o mesmo nome, Gabriel (outro irmão) nasce com autismo. Davi acha que o segundo irmão é uma extensão do primeiro. Ele se sente culpado: busca conexão com Gabriel, e, a partir da musicoterapia, parte para uma jornada”, conta.

Recém-saído dos palcos, com a peça Dogville (adaptada de Lars von Trier), Thalles trouxe para um personagem um grau de deficiência mental. “Fui para o lado do autismo, de maneira bem inconsciente. Em Ecos, faço o irmão de um autista e, em Brasília, tive contato com três autistas. Foi muito emocionante ver a maneira como o André (diretor do filme, e de longas como O outro lado da memória e Louco por cinema) e a mulher dele, musicoterapeuta, trazem o assunto para o dia a dia deles”, observa. O estudo do personagem desembocou na convivência com Lorenzo, muito amigo do casal. “Fiquei muito impressionado, de verdade, em notar a sensibilidade muito grande do Lorenzo. A música realmente traz uma luz para ele. Foi importante o encontro, antes de o filme começar”, comenta Thalles.

Dedicação dobrada


A música faz parte da vida de Thalles há mais de 15 anos, quando ganhou um violão no Natal. Daí, veio uma transformação, que trouxe shows, produção de videoclipes e a chance de compor e de cantar. “Tenho um público muito legal da música. Me dedico às duas áreas, com a mesma intensidade. Não sou um ator que canta, nem um cantor que atua. Eu sou esses dois. O público, ainda bem, se identifica com os dois”, avalia. O rock alternativo de Cabral nasceu da necessidade de se expressar. “Ainda antes dos 18 anos, fui a um estúdio em São Paulo para registrar músicas, com voz e violão. Me chamaram para uma reunião e fui surpreendido com o convite para gravar EP, pela vibe folk que usava”, completa.

No cronograma do artista, depois da continuidade das filmagens de Ecos do silêncio em Buenos Aires, ao final de março, virá a temporada de gravações candangas do filme, aos fins de abril; na sequência, show musical em São Paulo. Na escalada musical, espaço para a divulgação do segundo álbum, Utopia, originado por financiamento coletivo. “É muito legal trabalhar, sabendo que tem gente esperando teu disco, querendo ouvir e torcendo bastante”, comenta. Com duas músicas novas prometidas para o retorno ao Brasil, Thalles ainda dará conta da concepção de mais um novo videoclipe, numa linha de produção em que dirige e roteiriza. Depois das faixas Mr. Lonely e Sad boys club, vem o clipe de Olivia, sétima faixa de Utopia.

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