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Correio Braziliense

Cumplicidade e parceria na vida integram tributo a Melodia, por Renato Piau

Com a amizade interrompida pela morte de Luiz Melodia, em 2017, o músico Renato Piau presta tributo ao companheiro por mais de quatro décadas no Espaço Cultural do Choro


postado em 19/03/2019 07:12

O músico Renato Piau teve Luiz Melodia como amigo e parceiro musical, por mais de 40 anos (foto: Arquivo pessoal)
O músico Renato Piau teve Luiz Melodia como amigo e parceiro musical, por mais de 40 anos (foto: Arquivo pessoal)

 

Por quase 40 anos, Renato Piau foi um fiel escudeiro de Luiz Melodia. Além de acompanhá-lo, em shows e gravações guitarrista e violonista dividiu com o cantor e compositor carioca a autoria de algumas músicas. Em agosto do ano passado, quando o amigo — morto em 2017 — foi homenageado na 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira, ele dividiu o palco do Theatro Municipal com nomes estelares da MPB, como Caetano Veloso, Lenine, Hamilton de Holanda, Maria Bethânia, Alcione, Baby do Brasil e Zezé Mota, na interpretação de canções compostas por Melô.

Depois, em algumas apresentações, Piau prestou tributo ao “grande companheiro e compadre”. Em São Paulo, depois de ouvi-lo, o cantor e compositor Marco Palmah o sugeriu levar o show a outros lugares. Hoje (dia 19/03, terça), às 21h, os dois e mais os brasilienses Alberto Salgado, Angelo Macarius e Kaw Ana vão reverenciar Luis Melodia no Espaço Cultural do Choro, acompanhado por Dido Mariano (contrabaixo), Márcio Marinho (cavaquinho), Thiago Cunha (bateria) e Carol Senna (pandeiro e voz).

Empatia

Foi no Teatro Teresa Rachel (hoje Teatro Net), em 1972, que Piau conheceu Melodia. Os dois estavam na plateia do histórico show Fa-Tal, de Gal Costa, no qual a cantora interpretava Pérola Negra e fazia o lançamento do compositor, descoberto por Jards Macalé e Wali Salomão, no Morro do Estácio. Logo se tornaram amigos.

Quando melodia assinou contrato com a Philips para gravar o primeiro disco, a companhia disponibilizou uma casa em Jacarepaguá, onde o cantor se dedicou à produção do Pérola Negra, seu disco de estreia. “Rubão Sabino, Damião Experience e eu fomos morar com o Melodia. Com o produtor Perinho Albuquerque, fiz as guitarras do LP, que foi lançado em 1973”, lembra Piau.

Lembranças

Por conta do nascimento do filho Angelo Macarius (afilhado afetivo de Melodia), o guitarrista se fixou em Brasília por dois anos, entre 1974 e 1976. Na volta ao Rio de Janeiro, trabalhou com Chico Anísio e Arnoud Rodrigues, que haviam se juntado para gravar o disco intitulado Baiano e Os Novos Caetanos. Por conta desse hiato, Piau deixou de participar de Maravilhas Contemporâneas e, Mico de Circo LPs que Melodia lançou em seguida.

“A partir do Nós, de 1980, tomei parte em todos os outros discos dele, e claro, de todos os shows. O último CD, Zerima, saiu em 2015”, lembra. “à época da gravação, dava para sentir nele um pouco de fragilidade. Ele, que era um boêmio, deixou de nos acompanhar quando saíamos do estúdio e íamos para o Cervantes (tradicional bar da rua Prado Júnior em Copacabana, que fica aberto durante a madrugada), comer o famoso sanduíche de pernil com abacaxi, que ele gostava bastante”, relata.

São muitas as lembranças que Piau guarda de Melodia. “Além de compositor e letrista que deixou um legado importantíssimo para a música popular brasileira, Luiz era um ser humano especial, com uma paz interior impressionante, que passava uma serenidade plena. Certa vez, num show em Londres, quando ele me disse que incluiria Negro gato no repertório, fiquei apavorado, pois o acompanhava com o violão de cordas de naylon, que eu havia esquecido no hotel. Bem tranquilo, ele falou; ‘Relaxa Renatinho, você usa o violão de cordas de aço e tudo vai dar certo’”.

É com elogios que Piau se refere a Marco Palmah e Alberto Salgado, com quem vai dividir o palco nesta noite no Clube do Choro. “O Marco, um novo amigo, é um cantor e compositor talentoso; assim como Alberto Salgado, que conquistou em 2017 o Prêmio da Música Brasileira, na categoria regional, pelo CD Cabaça d’Água. Conheci o Alberto por meio de meu filho, que é amigo dele há muitos anos”. O guitarrista adianta que no show clássicos da obra de Luiz Melodia, como Congênito, Dores de amores, Estácio Holly Estácio, Estácio eu e você, Juventude transviada e Pérola Negra, vão ser ouvidas pelo público. “Mas vou tocar também Cara a cara, Esse filme eu já vi e Fadas, que compus com ele”, anuncia.

2017

Ano da morte e Luiz Melodia

Marcos Palmah conta que sempre foi fã de Luiz Melodia e, por conta disso, tomou conhecimento de Renato Piau. Mas os dois só se conheceram no começo do ano passado. "O Piau foi a São Paulo para fazer um pocket show numa livraria em Guarulhos, em tributo a Luiz Melodia. . Fui assistir e depois sugerir a ele levar o tributo a outros lugares".

 

Como está morando em Brasília, Palmah  trouxe o show no começo de 2018 para apresentações  na Galeria Mundo Vivo e no Feitiço Mineiro. Em ambas ele e Alberto Salgado tomaram parte.  Agora pode poderá ser visto num espaço maior o do Clube do Choro, com a participação de outros músicos e cantores", comenta.

 

Foi nessa vinda de Piau a Brasília no ano passado que Alberto Salgado conheceu Piau pessoalmente. Por meio do filho dele, o Angelo Macarius, fiquei sabendo bastante coisa sobre a trajetória musical dele junta a Melodia", explica."O Macarius é meu amigo desde a adolescência, em Sobradinho. Já gravamos juntos. Ele é um bom guitarrista e grande cantor, e eu e o Palmah o convencemos a fazer uma participação no show do pai", complementa.

 

Tributo a Luiz Melodia
Show de Renato Piau, com a participação de Marco Palmah e Alberto Salgado, acompanhados por banda, hoje (dia 19/03, terça), às 21h, no Espaço Cultural do Choro (Eixo Monumental,. Ao lado do Centro de Convenções Ulysses Guimarães). Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia para estudantes). Não recomendado para menores de 14 anos. Informações: 3224-0599.

 

 

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