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Correio Braziliense

Conheça novos nomes da música que reinventam o brega pelo país

Artistas como Jaloo e Gaby Amarantos investem no estilo e tornam o brega mais popular entre os mais jovens


postado em 19/03/2019 11:42 / atualizado em 19/03/2019 14:55

A pernambucana Duda Beat emplacou o hit 'Meu jeito de amar' ao lado do DJs Omulu e Lux & Troia(foto: Fernando Schlaepfer/Divulgação)
A pernambucana Duda Beat emplacou o hit 'Meu jeito de amar' ao lado do DJs Omulu e Lux & Troia (foto: Fernando Schlaepfer/Divulgação)


Quem nunca cantarolou a plenos pulmões, ou mesmo mentalmente, algum sucesso do grande recifense Reginaldo Rossi, o Rei do Brega, ou da banda paraense Calypso? O estilo ultrapassou as fronteiras das regiões Norte e Nordeste e faz grande sucesso nas paradas de todo o país desde o século passado. Com ritmo descontraído e letras exageradamente românticas, o gênero musical se dividiu em diferentes vertentes ao longo dos anos, mesclou-se a outros e ganhou novas roupagens sob diferentes vozes.

Ao longo dos anos, a mistura entre o brega e outros ritmos foi essencial para a reinvenção do estilo. Hoje, o público mais jovem começa a conhecer nomes que investem em materiais muito bem produzidos, e trazem o brega entrelaçado à cena mais alternativa ou ao funk. É o caso dos pernambucanos Duda Beat e Johnny Hooker e dos paraenses Jaloo e Gaby Amarantos, por exemplo.

Histórico


Em seus primórdios, entre os anos 1970 e 1980, o brega foi muito próximo às guitarradas e lambadas populares no Pará. Nessa primeira fase e nos anos que se seguiram, nomes ultrarromânticos embalaram multidões e lotaram as rádios cantando sobre decepções amorosas e desilusões, como Amado Batista, Agnaldo Timóteo, Evaldo Braga, Nelson Gonçalves, Fagner e até mesmo Roberto Carlos.

Este período pode ser chamado de “brega saudade” ou “flash brega”. A partir dos anos 1990, ele dá lugar ao brega marcante. Como o próprio nome diz, os grandes sucessos da época vieram para ficar. O irreverente Falcão fixou a combinação de óculos escuros, ternos coloridos e um proeminente girassol pregado à roupa no imaginário de toda a população brasileira. Presença frequente em programas televisivos, o também humorista cearense tem entre os maiores sucessos as músicas I’m not dog noBlack people car e Holiday foi muito.

Outros nomes mais conhecidos da fase brega marcante são Roberto Villar (O álbum Ator principal, de 1996, foi um marco) e Tonny Brasil, compositor notável. É impossível não mencionar também a banda Calypso, que conquistou espaço em rádios de todo o país. As coreografias bem-ensaiadas de Joelma e o carisma da dupla transformaram as letras de faixas como A lua me traiu e Dançando Calypso em gigantescos sucessos, cantados por pessoas de todas as idades.

Apesar das experimentações terem começado já nos anos 1990, foi no começo dos anos 2000 que o tecnobrega mostrou força total. A parceria com as batidas eletrônicas foi certeira e ampliou horizontes. Borbulham bandas que misturam o tecnobrega ao forró e ritmos mais populares no Nordeste. Grandes nomes como a paraense Gaby Amarantos levam a voz e cultura do Pará para o resto do país.

Hoje, alguns nomes tornam o brega mais popular dentre os jovens. Conheça alguns deles!

*Estagiária sob a supervisão e Igor Silveira

 

 

Gaby Amarantos tem grandes sucessos como 'Ex mai love', tema da novela 'Cheias de charme'(foto: Victoria Haus/Divulgação)
Gaby Amarantos tem grandes sucessos como 'Ex mai love', tema da novela 'Cheias de charme' (foto: Victoria Haus/Divulgação)

Gaby Amarantos 
• É impossível falar do brega no Brasil sem citar Gaby. A paraense tornou-se uma das principais vozes da irreverência do gênero musical. A figura de Gabriela é sempre relacionada a muitas cores, estampas e um cabelo poderoso. A cantora começou a carreira como vocalista da Banda Tecno Show. Com o álbum Treme, de 2012, a cantora eternizou músicas como Ex mai love, tema da novela Cheias de charmeXirley(Ela tá) beba doida. Gaby atualmente está envolvida com novas gravações. No ano passado, ela lançou o hit Sou mais eu, sobre autoaceitação. “É uma música cheia de poder com uma mensagem que toca o coração de quem entende o poder da autoestima”, relembrou a cantora no Instagram. “A gente precisa se amar mesmo e fico muito feliz em contribuir para que a diversidade continue a fazer parte de nossas vidas!” Com repercussão internacional, a artista já se apresentou em festival internacional, como o Festival de Cinema de Cannes e o Brasil Summer Fest, em Nova York. Na televisão, foi presença especial nos programas Zorra totalTomara que caiaVai que cola. Cheia de carisma, chegou a ser apresentadora do Troca de estilos, do Discovery Home & Health. Gaby também é uma das participantes do Saia justa, no canal GNT, ao lado de Pitty, Mônica Martelli e Astrid Fontenelle.

Escute: Treme

 

 

Duda Beat 
• Um dos grandes expoentes da cena independente nacional, a pernambucana Eduarda Bittencourt lançou o primeiro álbum, Sinto muito, no ano passado. O pop da artista traz o reggae e o brega em uma mistura bem brasileira e ganhou o amor do público mais jovem. “Ter a influência do brega no meu disco foi muito natural, além do meu sotaque, eu quis trazer essa regionalidade para o meu disco, minha formação é do brega, do forró e dos gêneros nordestinos”, ela explica. “Durante a minha vida inteira, eu tive contato com o brega, eu ficava sempre escutando os programas no horário do almoço, no Recife. Eu cresci ouvindo o estilo musical, do mesmo jeito que eu cresci tendo contato com o maracatu e o frevo”, relembra a cantora. Duda não tem receio de falar de decepções amorosas, como em Bixinho e Bédi Beat, duas de suas faixas mais ouvidas no Spotify. Ao lado do DJ e produtor carioca Omulu, Duda deu voz a Meu jeito de amar, um dos hits do carnaval de 2019. A faixa conta ainda com a colaboração da dupla Lux & Tróia, DJs recorrentes da discografia da cantora. Duda torce por um crescimento do gênero musical que a influencia desde cedo: “O brega é um ritmo maravilhoso, tem temas incríveis de teclado de espaço, uma coisa muito forte no Nordeste e no Pará. Cada vez mais, a gente tem que reafirmar isso na nossa cultura e empoderar o brega mesmo.”
Escute: Sinto muito


Johnny Hooker 
• O recifense de gênio forte é conhecido por ser muito atuante e engajado em lutas sociais. Johnny Hooker tem dois álbuns lançados, Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito! e Coração. O som de Johnny tem influências pop, rock e brega e já levou um Prêmio da Música Brasileira de Melhor Cantor de Canção Popular. Alguns dos maiores sucessos do cantor embalaram a trilha sonora de novelas, como Alma sebosa (em Geração Brasil, na qual Johnny atuou) e Amor Marginal (em Babilônia). Dentre as parcerias notáveis dos artistas, estão as faixas Corpo fechado, com Gaby Amarantos, e Flutua, com Liniker. A veia performática do artista é evidente. Quando fala de inspirações, cita uma “santíssima trindade” de peso. David Bowie, o painho; Madonna, a mainha, e Caetano Veloso, o espírito santo. Johnny Hooker também tem experiência como cinegrafista e ator. Participou de filmes como Tatuagem, lançado em 2013, de Hilton Lacerda; A menina sem qualidades, do mesmo ano e com direção de Felipe Hirsh, e A febre do rato, de 2011, dirigido por Claudio Assis.
Escute: Coração

 

 

Jaloo está na playlist de Marisa Monte(foto: Território Cultural/Divulgação)
Jaloo está na playlist de Marisa Monte (foto: Território Cultural/Divulgação)

Jaloo  
• No cenário indie nacional, Jaime Melo Maciel Júnior surgiu como uma agradável surpresa. O paraense mixa o pop/indie aos estilos regionais em misturas agradáveis, mas que podem gerar estranhamento de início. O primeiro álbum, #1, explicita e destaca logo na capa os traços indígenas do artista, que adota um visual andrógino e aposta em clipes em materiais de divulgação com fotografia impecável. Jaloo tornou-se um favorito de grandes nomes, como Marisa Monte, que já admitiu incluí-lo na playlist da academia. O artista estreou também no cinema em Paraíso perdido, longa de Monique Gardenberg lançado no ano passado. Dentre os sucessos, está a parceria Céu azul, com MC Tha, a recém-lançada Dói d+Chuva Say goodbye. No momento, Jaloo percorre a Europa em tour.

Escute: #1

 


Lucas Estrela
• Na música instrumental, o paraense Lucas Estrela é um herdeiro a altura dos grandes nomes da guitarrada. Com dois álbuns de estúdio lançados, Sal ou Moscou e Farol, Lucas é um dos nomes mais expressivos da nova geração de guitarristas do norte do Brasil. A reinvenção do ritmo vem mesclada a elementos do rock internacional dos anos 1980 sem perder na regionalidade, expressa pela influência nítida do brega e do cachimbó, por exemplo. A sereia, única faixa cantada de Farol, é parceria com Lucas Santtana, que já trabalhou também com Jaloo. As músicas homônimas aos álbuns, Farol Sal ou Moscou, também estão entre as mais ouvidas de Estrela. O guitarrista tem conquistado espaço em festivais e é presença confirmada no Rock in Rio deste ano, ao lado de outras estrelas paraenses, como Dona Onete e Fafá de Belém.
Escute: Farol


Homenagem

No Rock in Rio deste ano, o Pará entra em evidência. Na quinta, 3 de outubro, o Palco Sunset receberá o Pará Pop, espaço preparado especialmente para reconhecer os poderosos nomes do estado que conquistaram o país inteiro. O festival já confirmou Dona Onete e Fafá de Belém, a desinibida Gaby Amarantos e as revelações Jaloo e Lucas Estrela. Oportunidade de ouro para reconhecer a música brasileira. 

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