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Correio Braziliense

'O louco e a camisa' chega à capital com atuação de Rainer Cadete

Brasiliense retorna a Brasília com o espetáculo 'O louco e a camisa', texto de Nelson Valente sobre a loucura


postado em 20/03/2019 07:00 / atualizado em 20/03/2019 08:36

O brasiliense Rainer Cadete: se apresentar na cidade natal é sempre emocionante (foto: Caio Gallucci/Divulgação)
O brasiliense Rainer Cadete: se apresentar na cidade natal é sempre emocionante (foto: Caio Gallucci/Divulgação)

“Sempre me interessei pela história da loucura. Fiz psicologia e dentro do curso eu estava engajado nessa temática. Esse assunto já era bem frequentado e pesquisado por mim até porque fiz o Doutor Rafael (na novela Amor à vida, de 2013), que tinha um envolvimento com uma mulher com Síndrome de Asperger. Na época do curso, também fui até hospitais conhecer pessoas que tinham síndromes. Agora, mergulhei de novo. É um universo que está sempre em mim. Acho muito legal ter a oportunidade de colocar minha arte dentro deste tema”.

É assim que o ator brasiliense Rainer Cadete explica o envolvimento com projetos artísticos que abordam questões ligadas à mente humana. Novamente, o candango está em uma obra que tem o tema como norte. É o espetáculo O louco e a camisa, um texto do argentino Nelson Valente, com tradução de Priscilla Squeff e direção de Elias Andreato, que estreia em Brasília neste fim de semana, com encenações no sábado e no domingo no Teatro Unip, na Asa Sul.

“São pessoas que, por não participarem economica e politicamente, são colocadas à margem da sociedade. Acho bacana poder falar sobre isso. E acho que esse é um texto que não tem como não rir e não se emocionar. Apaixonei-me assim que assisti ao espetáculo”, explica Rainer, que entrou no elenco da produção após Leonardo Miggiorin ter que abandonar a nova temporada do espetáculo por outros compromissos no palco.

O louco e a camisa é uma narrativa sobre uma família que precisa se deparar com as próprias questões e segredos, quando uma das integrantes apresenta o namorado e faz um pedido chocante ao clã, que envolve o irmão dela, o personagem de Rainer Cadete, que é considerado por todos “louco”. “É um texto que fala de família, da falta de comunicação dentro de casa, com muito bom humor. É um texto que fala de um rapaz que é tido como louco por falar a verdade, sem filtros. Agora, imagina se todos nós falássemos a verdade, o que realmente passa em nossas cabeças? Acho que é por isso que o ser humano não tem telepatia. Há tanta coisa para esconder”, acrescenta.

Volta à capital

Depois de duas temporadas de sucesso em São Paulo, a peça desembarca, pela primeira vez, em Brasília. Fato que deixou Rainer Cadete extremamente feliz e emocionado. “Brasília é meu berço, e onde estão as minhas raízes. Então, voltar pra cá é muito emocionante. Apresentar esse trabalho em casa era algo que eu queria e desejei muito. Sempre gosto de trazer para Brasília o que eu estou fazendo”, afirma.

Essa vontade de trazer os projetos à capital é uma forma de retribuição do artista a tudo que vivenciou na cidade. Foi em Brasília que Rainer Cadete deu os primeiros passos como ator. “Eu comecei no Espaço Cultural Renato Russo com a Adriana Lodi (atriz, diretora e mestra em artes pela Universidade de Brasília). Fiz quatro anos de teatro. Era um movimento tão importante e fico sempre pensando que só entrei nesse movimento porque eu assisti a uma peça que me cativou, me interessei e estudei. Hoje, estou aqui trazendo essa arte Brasília e em uma peça que tem uma causa”, comenta.

Reaberto no ano passado, o Espaço Cultural Renato Russo é um local que Rainer Cadete também faz questão de passar sempre que está em Brasília. “Já fui lá várias vezes depois da reforma. Acho muito legal essa ocupação dos artistas da cidade que tiveram história com o espaço. Mas eu gostaria de ver jovens como eu, que tive a oportunidade de estudar com uma pessoa comprometida como a Adriana Lodi, num ambiente político e gratuito. Foi muito importante e decisivo na minha carreira. Então acredito que é preciso ter cursos contínuos, de todos os tipos, no Renato Russo. São eles que realmente formam artistas. Torço para que essa gestão faça esse tipo de curso de formação de artistas. Muita gente (da minha época) saiu do Espaço Cultural Renato Russo”, lembra.

Apesar de feliz com o atual momento do Espaço Cultural Renato Russo, Cadete afirma sempre se entristecer quando se trata do Teatro Nacional, fechado há cinco anos. “Fico deprimido de ver um teatro lindo daquele fechado. Apresentei -me inúmeras vezes lá. É um local que fica no centro do país. Acho que a gente precisa aprender e mostra a cultura, porque o teatro é um lugar de transformação, sim”, afirma.


Outros projetos

Em cartaz com o espetáculo O louco e a camisa, Rainer Cadete acumula outros projetos. Amanhã ele estreia no filme Cine Holliúdy 2 — A chibata sideral, em que faz uma ponta. É o retorno ao primeiro longa-metragem da carreira do ator.

Além disso, Cadete estará no filme baseado na série Carcereiros, da Globo, com direção de outro brasiliense, o cineasta José Eduardo Belmonte. Também estará em Cidade do medo, com previsão de estreia para junho, e Virando a mesa, ambos de Caio Cobra. Neste último, ele interpreta um dos protagonistas ao lado de Monique Alfradique e Stepan Nercessian, o primeiro da carreira na tela. “Sou um policial que mostra o mundo dos jogos clandestinos”, revela. Sobre projetos na tevê, o brasiliense faz mistério, mas garante que poderá ser visto em breve em novas empreitadas.



O louco e a camisa
Teatro Unip (913 Sul). Sábado, às 21h, e domingo, às 18h. Espetáculo com texto de Nelson Valente, direção de Elias Andreato e tradução de Priscilla Squeff. Elenco: Rainer Cadete, Patrícia Gaspar, Priscilla Squeff, Dudu Pelizzari e Ricardo Dantas. Entrada a R$ 30 (meia-entrada), R$ 35 (campanha do leite) e R$ 60 (inteira). À venda em www.bilheteriadigital. com. Não recomendado para menores de 12 anos.
 
 
 
 



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