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Correio Braziliense

1º Festival Frente Feminina de Teatro oferece espaço para mulheres

O evento apresenta espetáculos dirigidos apenas por mulheres


postado em 20/03/2019 07:00

(foto: Diego Bresani/Divulgação)
(foto: Diego Bresani/Divulgação)


Uma pesquisa realizada pelo grupo teatral Tripé afirma que apenas 28,8% dos espetáculos apresentados em 2018 foram dirigidos exclusivamente por mulheres. Ainda que muitas delas sejam protagonistas em peças e estejam presentes nos bastidores, o local de liderança  não é ocupado por elas. Com essa perspectiva, três atrizes brasilienses resolveram criar um evento completamente voltado para as artistas da cidade, o Festival Frente Feminina (FFF).

Até 24 de março, espetáculos dirigidos por mulheres serão apresentados no Teatro Sesc Garagem e no Espaço Cultural Renato Russo. Idealizado por Anna Marques, Catarina Accioly e Larissa Mauro, o Festival Frente Feminina de Teatro  tem uma programação liderada e protagonizada por mulheres brasilienses, e foi pensada para propagar o empoderamento feminino, além de fortalecer e estimular o teatro produzido na capital federal.

Anna Marques acredita que uma questão chave para não existirem muitas mulheres dirigindo na mesma porcentagem que os homens é simplesmente o fato de isso não ser ensinado a elas. “Como eu posso almejar esse lugar e como eu posso acordar e pensar ‘eu vou dirigir uma peça’ se isso não é incentivado?” reflete a atriz.

E ainda que uma minoria dirija, o teatro brasileiro continua composto por uma maioria de mulheres na ficha técnica. Anna acredita que a mostra seja o lugar de debater e incentivar o lugar de liderança das mulheres. “Ele não é tanto no sentido de dar espaço, porque isso nós sabemos que já existe, mas nós pensamos em enaltecer as mulheres. Inclusive na questão política, quantas mulheres presidentes tivemos na liderança do nosso país? Só uma”, comenta Anna.



Evento inspirador

A programação de espetáculos é formada por seis apresentações de diferentes linguagens como drama, multimídia, cabaré clownesco, performance musical e um espetáculo infantil. Além disso, o festival promoverá um concurso de esquetes (que terá premiação em dinheiro para estimular novas produções), uma batalha de danças urbanas e uma roda de conversa sobre a produção cênica local.

Outro marco do festival é o workshop do grupo Laboratório Transdisciplinar de Cenografia (LTC), coordenado pela Dra. Sonia Paiva. A aula é gratuita e começa às 13h, no Espaço Renato Russo. Para participar, é preciso enviar a solicitação para o e-mail: ltcunb@gmail.com. O curso oferece 12 vagas, e foi selecionado para a Quadrienal de Praga 2019 e será ministrado em junho deste ano na República Tcheca como representação brasileira.

Na perspectiva da organizadora Catarina Accioly, o evento naturalmente vai trazer inúmeros discursos das artistas brasilienses no meio cultural: “A diversidade das temáticas também vai causar uma reflexão e uma motivação para que outras grandes mulheres do DF, que não encontraram espaço ou que não sentem apoio da difusão da sua arte, se sintam estimuladas e inspiradas a realizar o trabalho artístico”, diz Catarina.

Anna Marques acredita que o evento é capaz de inspirar outras mulheres só no sentido de estar acontecendo. “É um evento grande liderado só por mulheres, é mostrar para todo mundo que juntas podemos fazer um evento gigante, mesmo sem ter um centavo, só com uma vaquinha e parcerias”, afirma Anna.

A atriz Bruna Martini corrobora com a opinião de Anna, e afirma que fazer inspira, e o saber que é capaz, também “Eu não tenho nenhuma intenção em trabalhar com física, por exemplo, mas Donna Strickland - ganhadora do Nobel em Física por produzir raio laser - me motiva, porque eu percebo que é possível”, conta Bruna.



Mulheres no comando

Em meio aos espetáculos sob direções femininas, Catarina Accioly traz ao festival sua peça Obscena, texto baseado na obra A obscena Senhora D, de Hilda Hilst. Em busca do sentido das coisas, Catarina vive fusões entre a atriz e a personagem, a escritora e a diretora, o audiovisual e a cena teatral, numa trajetória simbólica em busca de respostas para o estar vivo e presente no aqui e agora.

Longe dos palcos há sete anos por conta da maternidade, a atriz afirma que o trabalho, agora, é uma revolução pessoal feminina. “É o meu retorno aos palcos como atriz, e é um trabalho que eu considero muito poderoso, porque é extremamente necessário na atual conjuntura, que tem um cunho de reflexão social e político, ainda que não tenha um discurso óbvio”, conta Catarina.

Já o espetáculo Ab-reação é da atriz e diretora Bruna Martini, e fala sobre juventude e adolescência, subversão e muita força feminina, tudo isso com uma pitada de humor. Bruna afirma que a peça é formada por uma equipe composta somente por mulheres, desde a concepção até as pessoas que estão em cena. “E esse lugar da mulher jovem que é subestimada intelectualmente e em sua força de trabalho é colocada em questão”, revela a atriz.

Ab-reação aborda também a maternidade, sobretudo na adolescência — realidade vivida por muitas mulheres —, além de temas como aborto, suicídio, rebeldia e outros assuntos tabus. “Esses assuntos têm de ser debatidos de forma honesta, ou cairemos num buraco muito profundo junto com toda a obscuridade política que vivemos. Meu espetáculo, além de ser um pedido de socorro, é um grito dos jovens que percebem seu valor e um aviso aos mais velhos: estamos chegando e não queremos aceitar as coisas como são”, conclui Bruna.



1° Festival Frente Feminina
No Teatro Sesc Garagem e Espaço Cultural Renato Russo (Asa Sul). Até 24 de março, a partir das 11h. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Confira a classificação indicativa de cada espetáculo na programação



Programação
20 de março
• Espetáculo Ab-reação, de Bruna Martini. Teatro Sesc Garagem — 913 Sul, às 20h. Classificação indicativa livre

21 de março
• Performance Manifesto Trav(ECO) — Ciborgue, com direção, concepção e atuação de Maria Léo Araruna. Sesc Garagem — 913 Sul, às19h30

22 de março
• Cabaré da Nega, com direção de Ana Luiza Bellacosta. No Sesc Garagem — 913 Sul, às 20h. Não recomendado para menores de 12 anos

• Batalha de danças urbanas. Sesc Garagem — 913 Sul, às 21h. Classificação indicativa livre

23 de março
• Performance Manifesto Trav(ECO) — Ciborgue, com direção, concepção e atuação de Maria Léo Araruna. No Sesc Garagem — 913 Sul19h30

• Isso também passará antes que eu morra, com direção de Marcia Regina. Não recomendado para menores de 16 anos. No Sesc Garagem — 913 Sul, às 20h

• Workshop LTC — Laboratório Transdisciplinar de Cenografia. Ministrante: Sonia Paiva. Espaço Cultural Renato Russo — 508 sul, das 13h às 17h. 12 vagas. Inscrições pelo e-mail ltcunb@gmail.com. Classificação indicativa livre

24 de março
• Espetáculo infantil João, Joãozinho, Joãozito, com direção de Ana Flavia Garcia. No Sesc Garagem — 913 Sul, às 11h. Classificação indicativa livre

• Roda de conversa Artistas mulheres no mercado de trabalho do DF. No Espaço Cultural Renato Russo — 508 sul, das 14h às 18h. Classificação indicativa livre

• Premiação da competição de cenas curta, no Sesc Garagem — 913 Sul, às 20h

• Performance Musical de encerramento Lavanderia Bailarina, com direção de Miriam Virna. No Sesc Garagem — 913 Sul, às 20h30. Classificação indicativa livre
 
 
 
 
 
 



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