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Correio Braziliense

Nova série de tevê de Bela Gil resgata cultura e fazer tradicional

Bela Raízes é exibida no Canal Futura todas as quartas, às 21h45


postado em 10/04/2019 07:20 / atualizado em 09/04/2019 19:10

A apresentadora Bela Gil reina, com curiosidade e vibração, no comando de um novo programa do Canal Futura(foto: Vanessa Medrado/Divulgação)
A apresentadora Bela Gil reina, com curiosidade e vibração, no comando de um novo programa do Canal Futura (foto: Vanessa Medrado/Divulgação)

Independentemente das cargas políticas e das crendices atreladas ao número 13, justo a quantidade de episódios que encerram a inédita série de tevê Bela Raízes (a partir de hoje, exibida no Canal Futura), uma corrente de energias positivas e equilibradas estão integradas. A ser mostrado todas as quartas (às 21h45), o programa, pelo que adianta a apresentadora Bela Gil, deposita as fichas na sede de conhecimento e na vontade de compartilhar experiências, norteadas pela convergência entre emoção, diversão e até mesmo uma dose de introspecção. Difundir tradições, saberes e  apresentar o cotidiano de mulheres brasileiras singulares está no centro da proposta da série toda produzida pela Amorim Filmes, empresa brasiliense.

Também disponível na plataforma do canal Futuraplay, Bela Raízes investe fundo, a partir de viagens feitas pelos mais longínquos pontos do país, em elementos que apontam para a criatividade, para a capacidade autônoma de fabricação e para as qualidades artesanais e sustentáveis empregadas no dia a dia de comunidades. Na aldeia Tenondé Porã (em São Paulo), por exemplo, a apresentadora do programa conduzido pelo diretor João Amorim se reúne com uma guardiã de alimentos; já no Rio de Janeiro, o Morro da Serrinha apresenta o talento de Tia Maria, tida como a rainha do jongo, dança guiada pelos sons dos tambores.

No novo programa, traço notório de Bela Gil, que é formada em nutrição e chefe de cozinha, o teor seletivo dá as caras: vai da escolha consciente dos alimentos empregados na alimentação ao ato de valorizar os povos diferenciados, com culturas ramificadas, entre os brasileiros. A exuberância da Amazônia transborda na produção de florais de dona Maria Alice (estabelecida em Brasília), enquanto os poderes medicinais são desdobrados por farmacêutica e apicultora sediada no cerrado nativo, no nono episódio da série, batizado de Abelhas, mel e Meio Ambiente.

Logo no programa de estreia, Bela Gil investe na rota traçada para o episódio chamado Nzinga, capoeira e resistência, que a leva diretamente para as próprias origens, em Salvador (Bahia). Nesta capital, o encontro e a troca de experiências é com a Mestra Janja, pioneira na formação de um grupo de capoeira. De uma região virgem de cerrado até a chegada ao bairro de Goiabeiras (Espírito Santo), a fim de desvendar os bastidores das renomadas panelas de barro difundidas pela tradição capixaba, nada parece distante dos objetivos da apresentadora Bela Gil.

Aromaterapia, a confiança dada a parteiras de território Kalunga e o contato com tribos amazônicas fazem parte do conteúdo abordado pelo programa. Vivenciar um ritual, no Acre, comandado por uma pajé, e explorar diferenciados conceitos da chamada medicina tradicional, na pluralidade das regiões brasileiras, dão cancha de novas perspectivas para o espectador. Entre as curiosidades levantadas pelo programa do Canal Futura, estão as oferendas sustentáveis montadas pela Mãe Arlene de Katendê (Pernambuco) e ainda o belo resultado da arte do kene, na qual, na aldeia acreana de Mucuripe, mãe e filha produzem desenhos indígenas inspirados em jiboias.

Quatro perguntas /João Amorim, diretor


O programa pode ser visto como um foco de resistência a um Brasil elitizado? Pessoas mais simples têm o que ensinar?
Acho que mais que uma resistência ao Brasil elitizado, é uma reação ao Brasil homogeneizado. Uma reação à ideia de que tudo que vem de fora ou que é moderno é melhor do que nossas tradições. O “mais simples” soa como algo elitizado. Não considero a Pajé Bimi mais simples do que um médico. Acho que estamos justamente dando visibilidade a conhecimentos ancestrais guardados por mulheres que hoje mais do que nunca são importantes para nossa sociedade.

No Brasil que o Brasil não conhece, qual o papel das mulheres que mais te impressionou?
Acho que a resiliência de mulheres como da quilombola Fiota (em Gioás), e da liderança indígena Bimi (no Acre) me surpreenderam. A Bimi, além de pajé, fundou sua própria aldeia. Mas todas as mulheres que conhecemos são incríveis e especiais, cada uma do seu jeito.

O que uma apresentadora como Bela Gil traz de diferencial? Quais as qualidades dela?
A Bela é uma pessoa com quem tenho grande afinidade. Somos amigos há 13 anos e compartilhamos de ideais muito semelhantes. Bela tem uma visão holística da vida, e apesar de muito sábia, está sempre aberta a novas experiências. Além disso, se tornou um ícone da luta pela sustentabilidade e da saúde integral. Ter a Bela vivenciando experiências fortalece muito a série. Certamente, muitas pessoas vão se interessar justamente pelo fato de ela ser a interlocutora.

Repassar dados de saúde é um princípio fundamental ao programa. Qual a invenção que você incorporou para a vida particular?
Acho que é mais sobre resgates de tradições. Se dentro da noção de saúde incluirmos a “saúde espiritual”, acho que podemos dizer, sim, que o foco principal é saúde. Para minha vida pessoal, posso falar que passei a usar o sabonete de Tingui, feito em território Kalunga.

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