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Correio Braziliense

Poetas do DF cantam amor e ódio por Brasília em antologia poética

A coletânea bip (bRASÍLIA iNSPIRA pOESIA) homenageia Brasília sem hipocrisia, valorizando a pluralidade de olhares como os de GOG, Ellen Oléria, Vera Verônika, Mei Mei Bastos e Nanda Fer Pimenta


postado em 11/04/2019 10:48 / atualizado em 11/04/2019 10:49

Carli Ayô utilizou elementos e frases dos poemas para compor as ilustrações(foto: Carli Ayô/Divulgação)
Carli Ayô utilizou elementos e frases dos poemas para compor as ilustrações (foto: Carli Ayô/Divulgação)
A professora de língua portuguesa Dani Gauche adotou esse sobrenome em homenagem ao proverbial Poema de sete faces, de Carlos Drummond de Andrade ("Quando nasci, um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida"). "Não sou poeta, sou só amante de poesia", define-se Dani, que decidiu ser gauche na vida e tornar-se justamente a professora que faz os alunos lerem poemas na escola. 

Em algum momento do exercício dessa vocação de misturar literatura e educação, Dani percebeu que Drummond não era o bastante. Frequentadora da cena poética do DF, pensou que deveria trazer para a sala de aula poemas em que os alunos se reconhecessem. Começou a trazer trabalhos dos poetas que conhecia e percebeu que os alunos adoravam.

Essa foi mais ou menos a gênese da antologia bip (bRASÍLIA iNSPIRA pOESIA), projeto que será lançada nesta sexta-feira (12/4) reunindo 42 poetas do DF. Homenageando a aniversariante Brasília, a curadoria do livro, composta pelo poeta Carlos Augusto Cacá e pelas professoras Dani Gauche, Cristiane Portela e Bruna Lucena buscou uma pluralidade de olhares sobre a cidade, reunindo nomes como GOG, Vera Verônika, Cristiane Sobral, Martinha do Coco, Ellen Oléria, Tatiana Nascimento, Nanda Fer Pimenta, Meimei Bastos, Chico Nogueira, Marina Mara e Paulo Dagomé, em 70 poemas de amor ou ódio, identidade ou rejeição, exclusão ou pertencimento de poetas consagrados ou da nova geração, do Plano Piloto ou da periferia.
 
Ilustração de Carli Ayô para a coletânea(foto: Carli Ayô/Divulgação)
Ilustração de Carli Ayô para a coletânea (foto: Carli Ayô/Divulgação)
 

O termo cantar, aqui, não é metáfora. A antologia inclui poemas que nasceram como letras de música ou foram musicados depois, caso dos textos do rapper GOG e da cantora Ellen Oléria. O projeto será lançado em cinco saraus em espaços culturais e escolas públicas da Vila Telebrasília, Vila Planalto, Cruzeiro, Candangolândia e Núcleo Bandeirante. Os poemas serão cantados ou recitados pelos autores, acompanhados pela Banda bip, formada especialmente para o projeto. "Por isso o projeto se chama bRASÍLIA iNSPIRA pOESIA. A poesia não está só no poema. Está na música, na natureza, nas pessoas", explica Dani.

A professora Bruna Lucena, uma das curadoras do projeto, ressalta que o processo de seleção dos poetas foi bem intenso, marcado pela pesquisa de campo e pelo boca a boca, dado, justamente, a carência de antologias desse tipo. Doutora em literatura, Bruna é pesquisadora da cena de slams (competições de poesia falada), o que lhe deu alguma vantagem. "A gente queria nomes destacados do campo literário, mas também queríamos ter vozes plurais. É uma antologia marcada pela diversidade", reitera.

O projeto, financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), busca preencher essa lacuna, pensando especialmente na formação dos estudantes do DF. Dos mil exemplares impressos, 450 serão distribuídos entre os autores, que poderão vendê-los. Alguns serão distribuídos nos saraus de lançamento e os demais serão doados a bibliotecas de escolas e espaços culturais. A ideia é que outras escolas do DF possam adotar o livro como material didático. A professora Dani adianta que já há uma articulação com algumas escolas e que alguns professores já toparam usar o livro em sala de aula. Como material complementar, os educadores poderão ainda usar os vídeos, que serão lançados no YouTube, em que os autores recitam ou cantam os próprios poemas. 

As ilustrações ficaram a cargo da artista plástica Carli Ayô, que já ilustrou livros dos poetas Vinícius Borba e Marina Mara. Usando diversos materiais como canetinha, tinta guache, tinta acrílica e colagens, a grafiteira produziu 35 ilustrações para o livro, das quais foram usados fragmentos para compor as páginas. O principal material utilizado, porém, foram os próprios poemas dos quais "recortou" imagens e versos e colou nos desenhos coloridos. "A poesia também está nas artes plásticas", conclui Dani Gauche.
 
Capa do livro ilustrada e diagramada por Carli Ayô(foto: Carli Ayô/Divulgação)
Capa do livro ilustrada e diagramada por Carli Ayô (foto: Carli Ayô/Divulgação)
 

*Estagiário sob supervisão de Adriana Izel

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