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Correio Braziliense

Filmes como 'After' buscam inspiração na literatura juvenil

Em cartaz na cidade, filme After segue a tendência das adaptações de livros para jovens adultos ao narrar as aventuras de uma universitária frente ao primeiro parceiro sexual


postado em 14/04/2019 07:00

'After' apresenta os dilemas de uma caloura universitária: comunhão, esperança e impedimentos(foto: Diamond/Divulgação)
'After' apresenta os dilemas de uma caloura universitária: comunhão, esperança e impedimentos (foto: Diamond/Divulgação)

 

Uma porta de acesso à faculdade abre outras e inesperadas oportunidades na vida da personagem Tessa, que, no livro After, se descola da mãe extremamente protetora e ainda do namorado, excessivamente amável, Noah. O romance juvenil assinado por Anna Todd, capaz de despertar o interesse de mais de 15 milhões de leitores (no mundo), entra na lista daqueles filmes com público garantido — impulsionado pela identificação, criada pelas transformações naturais na vida de leitores chamados de “jovens adultos”. Presente em 14 salas de cinema da cidade, After traz clichês, aos olhos dos mais velhos, mas rupturas de condições na ótica dos retratados.

 

"Amor é só uma transação", detecta, no cinema, o inconstante personagem Hardin, principal interesse romântico da imatura Tessa. Enquanto se vê surpreendido com o fato de ela nunca ter sido "tocada", e se invoca com o recorrente uso da consideração "nós" embutido nos discursos de Tessa, Hardin desfia conhecimentos literários (numa lista comum à juventude): indo de O morro dos ventos uivantes a Orgulho e preconceito, e passando por O grande Gatsby.

 

Debochado, Hardin, na narrativa, serve de bússola das descobertas conjuntas do casal: a primeira transa, o desprendimento do egoísmo, o empréstimo de uma camiseta e das complicações e assumidos passados problemáticos. After, como todos os exemplares românticos, traz provas de resistência para os protagonistas, aos moldes do fenômeno A culpa é das estrelas, entre as quais superar a supervisão da mãe de Tessa e os dilemas da vida de casal, quando optam por morar juntos.

 

Concretizar o impossível

'O sol também é uma estrela' estreia em meados de maio'(foto: Alloy Entertainment/Divulgação)
'O sol também é uma estrela' estreia em meados de maio' (foto: Alloy Entertainment/Divulgação)

Dois anos depois de ver seu livro de estreia, Tudo e todas as coisas (2017), sobre uma menina reclusa que investe na descoberta do mundo e do amor, transposto para as telas, a autora afro-americana Nicola Yoon está prestes a reviver a experiência, agora com O sol também é uma estrela. Por meses na lista de mais vendidos do The New York Times, a publicação é demonstração da meta da autora que participa da entidade We Need Diverse Books, mobilizada pelo desejo da produção literária destinada a jovens e apoiada na representação da diversidade.

 

União, esperança e impedimentos tomam parte da narrativa, disposta no período de um dia na agitada Nova York que coloca os jovens Natasha e Daniel no limiar de um precipício, ao confrontarem série de preconceitos. Integrante de uma família às vias da deportação dos Estados Unidos, a negra Natasha, aos 17 anos, encara situação-limite. Apegada a conhecimentos de física e química, sempre despreza o peso do destino.

 

Determinada a reverter a condição, ela acaba esbarrando em Daniel, descendente de imigrantes coreanos, volúvel a ponto de se libertar da sonhada vocação para a poesia, agradando aos pais, ao cursar medicina. Dentro de um mês nas telonas, o filme baseado no livro chegará às telas pela ótica de Ry Russo-Young, diretora de filmes como Você não vai sentir minha falta (2009) e Caminho para o coração (2012).

 

Distanciamento 

Com mais de R$ 12 milhões de faturamento no Brasil, o filme A cinco passos de você, em bilheterias mundo afora (descontado o público dos Estados Unidos), só agradou mais aos italianos do que ao público brasileiro. Sob a pretensão de trazer uma “identificação universal” com os leitores, a autora do livro, Rachael Lippincott aceitou desafio curioso — criar seu primeiro romance, a partir de roteiro e manuscritos dos roteiristas do filme Mikki Daughtry (do aguardado terror A maldição da chorona) e do alemão Tobias Iocanis, parceiro de obras de Daughtry.

 

Despertar a consciência acerca de uma doença, a fibrose cística, foi a base de toda a proposta da obra. Entre as obras mais lidas nos Estados Unidos, ao longo de três meses, o livro conta o controle e descontrole de uma distância física entre os adoecidos Stella Grant e Will Newman. Com muita alteração nas funções dos pulmões, a adolescente Stella administra incontáveis remédios, enquanto aguarda transplante.

 

Manter-se livre dos riscos de infecção leva a moça a ter de manter, ao menos, dois metros de distância de pessoas como o jovem Will Newman, impaciente pela descoberta do mundo (fora das alas hospitalares), e paciente de um tratamento alternativo. Foi justamente o personagem dele, interpretado na telona por Cole Sprouse (de Riverdale), que mais deu trabalho à autora: criou muitas outras possibilidades, à parte das descritas no roteiro.

 

 

 

 

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