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Correio Braziliense

Reorientação de patrocínio ameaça eventos da capital

Cortes da Petrobras, no setor de patrocínios, atingem áreas sensíveis e eventos tradicionais da cultura de Brasília


postado em 16/04/2019 06:32 / atualizado em 16/04/2019 08:22

Fachada do Cine Brasília: evento mais tradicional da cidade amarga corte, diante da nova política da Petrobras(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Fachada do Cine Brasília: evento mais tradicional da cidade amarga corte, diante da nova política da Petrobras (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

 

 

Reconhecido como o mais tradicional evento da cidade, pelo histórico e pela visibilidade nacional, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro não contará com o principal patrocinador, a Petrobras, que marcou presença forte na última década do evento. A notícia dos cortes de incentivo atingirá em cheio, ainda, a manutenção do Clube do Choro, outro pilar fundamental da identidade cultural de Brasília.

 

Para Brasília, o fim do apoio ao festival de cinema significou, grosso modo, o corte de R$ 600 mil (número referente à última edição) em patrocínio direto e em contratos correlatos.

 

À caça de soluções

 

Da apreensão à ação: foi assim que representantes da Secretaria de Cultura reagiram ao anúnicio limitador da Petrobras. A entidade, entretanto, confirma que o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro será realizado de 13 a 22 de setembro. No momento, são planejados mais mecanismos que ofertem sustentabilidade ao evento, tendo por meta o estabelecimento de um programa contínuo de formação de produtores audiovisuais. Maior profissionalização da área está, igualmente, em estudos.

 

Quanto ao orçamento, novas fontes de financiamento estão sendo articuladas, a fim de engrossar o orçamento de R$ 2,4 milhões já destinados para a execução do festival. O secretário de Cultura, Adão Cândido, comentou da reunião com o secretário de audiovisual da Secretaria Nacional de Cultura do Ministério da Cidadania, Pedro Henrique Peixoto, em que sondaram possíveis parcerias com a União.

 

Outra reunião com o presidente da Ancine, Christian de Castro, transcorreu ainda para buscar a adesão do festival às linhas de fomento da agência do setor. Em abril, o lançamento de um edital para contratação de uma Organização da Sociedade Civil (OSC) aumentará o compromisso de captação de novos recursos, para viabilizar o evento.

 

Agente limitador 

 

Apesar de, oficialmente, assumir apoio a projetos culturais, a Petrobras admite a limitação, decorrente de um plano de resiliência proposto em março de 2019. Além de confirmar a não renovação de parceria junto a projetos tradicionais, a empresa, por meio do setor de patrocínio, explica que contratos vigentes estão em andamento e com desembolsos em dia. Em nota de esclarecimento ao Correio, a Petrobras explica:

 

“Estamos revisando a política de patrocínios para readequar orçamento e nos alinharmos ao posicionamento de marca da empresa, com intenção de maior foco nos segmentos de ciência, tecnologia e educação, principalmente infantil”. Sob orientação de nova diretoria da empresa, haverá revisão e encerramento de outros contratos ligados à cultura. Uma seleção pública na área de música terá prosseguimento e patrocínio assegurado.

 

Em nível nacional, o Prêmio da Música Brasileira também foi sacrificado com os cortes. O desemparo, dada a debandada da empresa cenário cultural, se estenderá por outros 11 projetos culturais do país, em especial, alguns que servem de vitrine da produção e vanguarda na distribuição de filmes entre os quais a Mostra de Cinema de São Paulo, o Festival do Rio e o Anima Mundi (destinado à animação), uma referência para a América Latina. A Sessão Vitrine, que tornava acessível a circulação de filmes especiais em 21 cidades, também perdeu o patrocínio.  

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