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Correio Braziliense

Imagens históricas da fotógrafa Mila Petrillo recontam trajetória das artes

Em exposição com 110 imagens, a prestigiada fotógrafa Mila Petrillo traça uma história da dança e do teatro na capital


postado em 16/04/2019 07:33

A mostra traça um panorama das artes cênicas desenvolvidas em Brasília entre 1985 e 2000(foto: Mila Petrillo / Divulgação)
A mostra traça um panorama das artes cênicas desenvolvidas em Brasília entre 1985 e 2000 (foto: Mila Petrillo / Divulgação)
 
 
Quando a fotógrafa Mila Petrillo avaliou em 300 mil o número de fotogramas que guardava no acervo, achou que estava exagerando. A surpresa veio ao organizar o material para dar início a um projeto de digitalização: havia, na verdade, mais de um milhão. Mergulhar nesse mar de imagens acabou por trazer o trabalho de Mila de volta para os olhares do público. No ano passado, as fotos de cinema expostas em tamanho gigante no exterior do Cine Brasília durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro fizeram sucesso.
 
Agora, é a vez do teatro. Em cartaz a partir de hoje (16/04, terça) no Museu Nacional da República, Ato — Teatro e dança reúne 110 fotografias realizadas entre 1985 e 2000. Com curadoria de Carmem Moretzsohn, que teve o desafio de realizar um recorte abrangente em meio a milhares de imagens, a exposição é a segunda parte do projeto iniciado em 2018. “Nosso desejo principal era digitalizar o acervo analógico. Toda minha produção, até mais ou menos 2006, 2007, era no sistema analógico, com negativos e slides. E era muita coisa de um momento importante das artes em Brasília”, conta a fotógrafa.
 
Durante um tempo, Mila guardou o material no cômodo de uma casa. No entanto, ao longo do tempo, ela começou a se preocupar com o progressivo deterioramento do acervo. “Foto precisa de um tipo muito específico de condicionamento, então, comecei a ficar angustiada, porque algumas coisas estavam se perdendo. Comentando isso com o Jorge Luís Silva (produtor da exposição), ele abraçou a ideia de digitalizar. A gente teve recursos liberados pelo FAC para fazer digitalização e a exposição do Festival de Cinema. A segunda parte era fazer a digitalização de um recorte de 1985 a 2000 de todas as artes cênicas”, conta Mila.

Todas as áreas

A história de Mila com a cena cultural brasiliense começa na infância, dentro de casa. Filha do cineasta José Petrillo e da professora e desenhista Dalel Achkar Petrillo, ela sabia, desde a infância, que escolheria uma profissão ligada às artes. Começou a fotografar em sets de cinema enquanto também fazia reproduções de arte. Em 1985, Reinaldo Jardim assumiu a editoria de cultura do Correio e convidou a fotógrafa para trabalhar no jornal. Mila era a única fotojornalista para fazer um caderno de 12 páginas. Acabou por circular por todas as áreas da cultura durante quase uma década.
 
Quando saiu do jornal, havia estabelecido laços fortes com os artistas da cidade e continuou fotografando. O resultado é esse acervo gigantesco que ela tenta, há alguns anos, doar para o Arquivo Público do Distrito Federal. Até 2007, Mila fotografava com câmeras analógicas, mas há pouco mais de uma década passou para o digital. Para quem fotografa palco, a tecnologia trouxe uma grande mudança.
 
“Naquela época, o maior desafio era a quantidade de luz, descobrir o que podia fazer com o filme, até onde podia puxar o filme. Não era necessariamente difícil, mas era coisa mais desafiadora. O desafio era lidar com a luz na analógica e isso foi totalmente resolvido com o digital”, conta. Ao mesmo tempo, ela lembra das surpresas ao revelar os filmes e descobrir que havia feito as escolhas certas de luz e velocidade. 
 
Na exposição, o público vai se deparar com a história da dança e do teatro em Brasília. Grupos que já não existem mais, espetáculos que marcaram um momento, trabalhos antigos de artistas que continuam em atuação na cidade formam um repertório capaz de traçar o panorama das artes do palco na cidade. “Tem um pedaço de planos mais fechados, com a expressividade durante o ato. Eu amava e amo fazer isso. Eu desfruto muito mais de um espetáculo quando estou fotografando”, admite Mila. 
 
Para ela, fotografar é como estar praticamente dentro da cena. O uso de teleobjetivas alimenta essa perspectiva: a aproximação proporcionada pela lente faz com que o observador se sinta parte da cena. “E depois, para fotografar, você tem que estar muito presente, pronto para responder a qualquer movimento, a qualquer situação. E nesse estado de presença, tudo fica mais forte, você realmente vive cada pedaço do que está acontecendo”, explica a fotógrafa. 
 
“Eu fico completamente envolvida, Sinto cada emoção. Vejo as fotos de dança e a música vem na minha cabeça. A minha memória é muito profunda, muito emotiva. E depois é maravilhoso o resultado, você tem luzes legais. No analógico precisa de muito mais luz do que no digital. Perde muita foto, mas o resultado é incrível”, avisa. 

SERVIÇO
 
Ato — Teatro e dança por Mila Petrillo
 
Exposição de fotografias de Mila Petrillo. Abertura hoje (16/04, terça), às 19h, no Museu Nacional da República. Visitação até 30 de junho, de terça a domingo, das 9h às 18h30.
 

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