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Correio Braziliense

Catálogo reúne trabalhos de fotógrafos da mostra 'Imagem sem fronteiras'

Os espanhóis Ricardo Garcia Vilanova e Pep Bonet e o baiano Gervásio Baptista tiveram os trabalhos expostos na Galeria Olho de Águia, em Taguatinga


postado em 17/04/2019 06:05

Exposição na Galeria Olho de Águia: última homenagem a Gervásio Baptista(foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press)
Exposição na Galeria Olho de Águia: última homenagem a Gervásio Baptista (foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press)

O olhar político e social de três nomes ilustres do fotojornalismo se encontraram na Galeria Olho de Águia (Taguatinga Norte) entre o fim do ano passado e o início deste ano. Os espanhóis Ricardo Garcia Vilanova e Pep Bonet e o baiano Gervásio Baptista — que recebeu na ocasião a última homenagem em vida —, foram para lá expor os próprios trabalhos como parte da segunda edição do Imagem sem fronteira. O projeto será tema de um catálogo com fotos dos três convidados que será distribuído gratuitamente em breve.

O projeto foi idealizado pelo também fotojornalista Ivaldo Cavalcanti para promover intercâmbio entre profissionais da área, sobretudo entre aqueles que dedicam a vida a registrar zonas de confronto e de crise humanitária.

Ricardo Garcia Vilanova abriu a série de exposições. Na cerimônia, acompanhado por uma tradutora, ele respondeu a perguntas do público e narrou detalhes de suas missões em conflitos. O assunto de maior curiosidade entre os presentes foi o cativeiro no qual o espanhol esteve preso por seis meses quando cobria Guerra de Israel. Para Ricardo, a principal responsabilidade do fotojornalista de guerra é transmitir histórias por meio das imagens com “capacidade informativa” e “composição impecável” mesmo em meio ao fogo cruzado.

“As pessoas que dedicam a vida delas à fotografia de conflitos o fazem por insistência da vocação. Eu não acredito na figura do fotógrafo que vira protagonista das histórias que envolvem a vida das vidas em risco as quais ele devia dar voz”, comenta Ricardo. Depois, foi a vez da exposição de Pep Bonet. Ele narrou aventuras como as que viveu ao cobrir a trágica Guerra Civil de Serra Leoa e os sete anos em que acompanhou Lemmy e a turma do Motorhead.

“Para mim, a fotografia é emocional. E, para ser emocional, tem de experienciar para poder contá-las. Emoções não são coisas que podemos planejar ou escrever. Então, não podemos repetir as emoções que sentimos. As emoções são coisas únicas que manifestam de forma diferente em cada pessoa”.

Por fim, o projeto exibiu as fotografias de Gervásio Baptista (1923-2019). Foi a última vez que ele foi homenageado em vida. O repórter trabalhou até os 94 anos e morreu em abril, aos 95. É ele o responsável pela famosa foto de Juscelino Kubitschek erguendo um chapéu em frente ao Congresso Nacional. Aliás, todos os presidentes de Getúlio Vargas a Michel Temer foram fotografados por Gervásio, feito que lhe rendeu a fama de “fotógrafo dos presidentes”.

Além dos líderes brasileiros, clicou John Kennedy, Richard Nixon, Juan Domingo Perón, Charles de Gaulle, Che Guevara e Fidel Castro. O currículo ainda inclui registros da guerra do Vietnâ Copas do Mundo e concursos de Miss Universo.

“O Gervásio é um ícone. Eu era fanzasso do Gervásio, a gente batia muito papo, comenta Ivaldo Cavalcanti”. “Agora, vou mirar na criação de uma Fundação Gervásio Batista. Estou em contato com a família para pôr isso em prática”

*Estagiário sob supervisão  de Severino Francisco

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