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Correio Braziliense

Reciclagens colocam os grupos vocais de volta ao sucesso

Ritmos pop ajudam na conexão com os fãs


postado em 17/04/2019 06:15

As meninas das Spice Girls estão com ingressos esgotados para turnê europeia em 2019(foto: Madison Phipps/Reprodução)
As meninas das Spice Girls estão com ingressos esgotados para turnê europeia em 2019 (foto: Madison Phipps/Reprodução)

Uma legião de fãs, rostos jovens, roupas descoladas e a sensualidade aflorada. A imagem das boy bands e das girl bands é um símbolo e tanto para os anos 1990 e começo dos anos 2000. Os group bands — ou grupos vocais —  conseguem se manter no topo das paradas há décadas, mesmo quando estão contra um inesperado concorrente: os próprios fantasmas do passado.

Isso porque, nos últimos anos, os fãs estão lidando com o retorno de grupos que marcaram a história, desde os Backstreet Boys (que estourou ainda em 1993), o A1 (que atuou entre 1998 e 2002), passando por Blue (que fez sucesso entre 2001 e 2005), os 98 Degress (de 1996 a 2002), as inesquecíveis Spice Girls (que ficaram na ativa entre 1994 e 2008) e os próprios Jonas brothers (que arrebataram o mundo de 2005 a 2013).

A reinvenção de grupos que fizeram sucesso há vários anos, entretanto, não impede que novos nomes surjam no horizonte da indústria musical — e sigam quebrando recordes impensáveis. As boy bands e girl bands, especialmente de origem asiática, respondem por uma ressignificação da palavra sucesso. As meninas do Blackpink, por exemplo, se tornaram o primeiro grupo de k–pop feminino a ultrapassar a marca de meio bilhão de visualizações no YouTube com a faixa Ddu-du-ddu-du. Os conterrâneos do BTS quebraram o recorde de vídeo mais visualizado nas primeiras 24 horas com Idol — e seus mais de 45 milhões de views em um só dia.

Bilboard


Para os que “voltaram do passado”, os números também não decepcionam. Sucker, o primeiro single de retorno dos Jonas Brothers lançado no começo de março, vendeu — até o momento — quase 90 mil cópias e mais de 43 milhões de execuções nos principais serviços de streaming norte-americanos. A faixa foi a primeira da carreira dos três irmãos a alcançar o primeiro lugar da Bilboard 100 (até então o grupo só tinha conseguido a 5ª posição com a faixa Burnin’ up). Parece que o sucesso ainda não passou.


Sucesso em receita


“Existe algo importante na indústria cultural, é o fato de que, por mais que ela pareça genérica e por mais que esses sucessos pareçam espontâneos e naturais, é um mundo muito bem organizado, que sabe utilizar elementos básicos que ativam a ação, e a resposta, da população”. A percepção do professor Hugo Leonardo Ribeiro, do Departamento de Música da Universidade de Brasília, faz parte de uma explicação que coloca a reformatação dos grupos vocais como algo previsível, mesmo em 2019: “Poucas pessoas fazem esse grupo organicamente, como uma banda de rock de garagem, em que amigos se juntam e tocam até fazer sucesso. Isso pode acontecer, naturalmente. Mas esses grupos vocais não surgem assim, eles são fabricados. E, por isso, têm uma chance de sucesso quase garantida”.

Os sul-coreanos do BTS ganharam o Grammy de melhor álbum R&B (foto: AFP / Robyn Beck)
Os sul-coreanos do BTS ganharam o Grammy de melhor álbum R&B (foto: AFP / Robyn Beck)


Mas o que, na prática, torna o sucesso dos bands tão forte? Segundo Ribeiro, trata-se de um conjunto de fatores. “Em termos humanos, existe uma atração maior para o público. O coro faz as pessoas sentirem desejo de acompanhar os vocais. Aí, você junta essa ideia do grupo vocal, que já atrai por uma certa vertente, com pessoas bonitas, dentro de um padrão claro, que tem todo um trabalho de marketing sobre eles, todos representam o padrão de beleza. Essa parte estética é muito importante. Não vai ter essa venda que tem sem um contexto de parte visual eficiente”, explica.

Entretanto, não se engane: o talento é regra para que um grupo vocal seja bem-sucedido. “São artistas muito talentosos. Não existe essa falsificação que às vezes o público pensa, mas não é só cantar bem. Novamente, o conjunto da obra é o segredo. Quando você tem 200 pessoas que cantam bem, você seleciona as que apresentam um extra, as que brilham mais, que dançam bem, que são bonitos. É um jogo de marketing que vai pesar. Existe também uma fórmula de reprodução, que dá certo. Quando você reproduz uma coisa que  já deu certo, você já andou meio caminho para um novo sucesso. Coisas novas não dão muito sucesso, porque as pessoas querem aproveitar coisas que já tem atração”, defende o professor.


Passado e futuro


O fato de os grupos vocais poderem ser inéditos e ao mesmo tempo se reinventar em faz parte de uma reciclagem histórica neste contexto, como aponta Ribeiro: “A música muda, claro, mas algumas coisas se repetem. Os Beatles eram uma boy band, mas eles não foram os primeiros, é difícil datar uma origem para esses grupos, mas existiram antes, os quartetos norte-americanos de folk foram importante para eles (Os Beatles) neste contexto. Existe um histórico que vai pautando essa renovação. Falando sobre isso agora é ai que entra todo esse sentimento de nostalgia. As pessoas vão tentar capitalizar nessa questão. Esse retorno faz parte, a indústria quer trazer de volta esses sucessos”.

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