Publicidade

Correio Braziliense

MID traz a Brasília 55 espetáculos de dança

Movimento Internacional de Dança tem espetáculos do Brasil e do mundo


postado em 18/04/2019 06:30 / atualizado em 17/04/2019 18:30

(foto: Irene K/Divulgacao)
(foto: Irene K/Divulgacao)

Brasília vai respirar dança durante as próximas três semanas. Com espetáculos divididos por seis espaços e participação de um total de 182 profissionais, a quinta edição do Movimento Internacional de Dança (MID) vai trazer 55 apresentações de Brasília e de fora para os palcos da cidade. A programação começa hoje e segue até 5 de maio com espetáculos que vão de batalhas de break a dança contemporânea.

A diversidade é a marca do festival, que tem na direção Sérgio Bacelar e na curadoria o dramaturgo Sergio Maggio e as coreógrafas e pesquisadoras Gisele Rodrigues e Yara de Cunto. “A diversidade é um dos fundamentos do MID”, avisa Bacelar. “A vontade é fazer convergir os diferentes públicos e diferentes criadores. Temos uma mistura grande. Temos amadores, estudantes em processo de graduação, profissionais de Brasília e, dentro disso, tem uma relação muito forte com o circo.” No total, 11 países e 16 grupos de Brasília participam do MID.

A programação nacional faz um giro pelas diversas linguagens da produção contemporânea. “O MID vem com essa essência da diversidade. É o grande lance este ano”, avisa Bacelar. Ele comemora especialmente a vinda do moçambicano Ednaldo Ernesto e do francês James Carlès. Em comum, os dois têm as origens africanas que encontram reflexo nas coreografias. Da França, Maguy Marin vem com Singspiele, uma leitura coreográfica para o significado de artifícios e verdades.

Entre os brasileiros, estão a Quasar Cia. de Dança com Estou sem silêncio, trabalho inédito da companhia goiana com elenco exclusivamente feminino. A Quasar, que paralisou as atividades em 2017 por falta de patrocínio, tem investido em projetos pontuais como este apresentado em Brasília. Também de Goiânia, a Fohat Cia. de Dança traz Mazombo, que joga com as ideias de identidade e pertencimento.
 
(foto: Ednaldo Ernesto/Divulgacao)
(foto: Ednaldo Ernesto/Divulgacao)
 
 
Brasília tem programação especial durante o festival. A proposta inclusiva da curadoria tem a intenção de dar visibilidade aos mais diferentes estilos produzidos na cidade. No palco aberto, diversos grupos se apresentam durante 10 minutos cada um. “Assim, as pessoas têm a oportunidade de mostrar trechos do que estão desenvolvendo. É um momento interessante dentro do festival, porque acaba aglutinando públicos muito diversos e gerando uma possibilidade de troca e conhecimento”, acredita a curadora Gisele Rodrigues. “É a oportunidade de mostrar os trabalhos que estão sendo feitos em Brasília, e não só no Plano Piloto, mas na periferia também.” A produção de rua e de danças urbanas tem se revelado forte em Brasília, e os curadores quiseram incluir essa cena no MID, que tem espaço para batalhas de break e charme.

Hoje, a abertura fica por conta um pequeno palco aberto dedicado a três espetáculos da cidade, com participação dos grupos Raiz de três, Coletivo Ceda-si e Cia Contemporânea Noara Beltrami. De São Paulo, vem Eduardo Fukushima, com Título em suspensão e, da Bélgica, a Companhia Irène K., com Murmures.
 
(foto: Thomas Lebrum/Divulgação)
(foto: Thomas Lebrum/Divulgação)
 
 
Referências orientais

Título em suspensão surgiu de um pedido do artista colombiano Mateo Lopéz, que convidou o coreógrafo e dançarino Eduardo Fukushima para interagir com uma de suas esculturas durante exposição na Galeria Luisa Strina, em São Paulo. “A exposição era em um terraço a céu aberto e era um relógio explodido. Trabalhando nesse lugar e olhando o céu, com bastante nuvem, comecei a pensar como é essa dança das nuvens, uma coisa muito lenta, que quando você vê, se transformou”, explica o coreógrafo. 
Há 15 Fukushima estuda práticas corporais chinesas e japonesas em uma pesquisa de movimentos lentos que também podem ser encontrados em Homem torto, incluído na programação do MID. O solo foi criado durante projeto de residência em Taiwan. De ascendência japonesa, Fukushima buscou na própria experiência o material para a coreografia. “Comecei a observar as esculturas e as representações de vários humanos e de vários tempos, e a estudar um pouco dessa postura. Homem torto começa com a desestabilidade dos pés, é o tempo inteiro usando as bordas dos pés e isso gera um movimento de quadril, tronco, braços e cabeça”, diz o artista.
 

(foto: Ednaldo Ernesto/Divulgacao)
(foto: Ednaldo Ernesto/Divulgacao)


Movimento Internacional de Dança
De hoje a 5 de maio

COMPOSIÇÃO BRASÍLIA
Com Fracasso coreográfico, do Coletivo Ceda-si, Entre esquivas, de Raiz de três, e Adágio para oito, da Cia Contemporânea Noara Beltrami. Hoje, às 19h, no Teatro SESC Newton Rossi Ceilândia. Entrada franca. Classificação indicativa: livre

MURMURES
Com a Companhia Irene K. Hoje, às 19h30, no vão central do Espaço Cultural Renato Russo. Entrada franca. Classificação indicativa: livre

TÍTULO EM SUSPENSÃO
Direção/ Coreografia: Eduardo Fukushima. Hoje, às 20h, no Teatro Galpão (Espaço Cultural Renato Russo). Ingressos: R$ 20. Classificação indicativa: 12 anos

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade