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Correio Braziliense

Slam: poesia com identidade

Poetas da periferia encontram espaço na produção de slam, que é recitado em eventos pela cidade


postado em 18/04/2019 06:30 / atualizado em 17/04/2019 18:26

Meimei Bastos: nascida na Ceilândia e crescida em Samambaia, ela é referência no slam(foto: Arquivo Pessoal)
Meimei Bastos: nascida na Ceilândia e crescida em Samambaia, ela é referência no slam (foto: Arquivo Pessoal)

 

Rima, métrica, estrofe? Para o slam, nada disso é regra: a poesia é falada, e os artistas têm muito mais liberdade. Diferentemente da poesia considerada clássica, o verso é livre, e as inspirações vêm do repente, do rap e, sobretudo, do hip-hop. Os temas falam de questões políticas, econômicas e sociais relacionadas à periferia: racismo, feminismo, desemprego e violência contra a mulher são alguns deles.

“A gente cresce achando que a periferia é ruim, que é um espaço de criminalidade, de falta, de carência. Mas vai além disso. Apesar desse cenário, a gente produz muita coisa”, conta a poeta Meimei Bastos, que nasceu em Ceilândia e cresceu em Samambaia, onde fez a vida e a carreira artística.

A doutora em literatura pela Universidade de Brasília (UnB) Bruna Lucena estuda o assunto e concorda. “Slam é mais uma forma de marcar a identidade cultural própria e mostrar que a periferia produz sua própria cultura. É um movimento de ocupação, de resistência”, pontua a pesquisadora, nascida e criada em Brazlândia.

Os artistas desse gênero são conhecidos como slammers. De acordo com Meimei, as batalhas de slam possuem três fases, com três minutos para cada participante. Esse é o tempo que eles têm para ler ou cantar uma poesia, que precisa ser autoral. Tudo isso é feito sem auxílio de figurinos ou instrumentos musicais. Qualquer pessoa pode participar: os artistas se inscrevem na hora, e até cinco jurados são escolhidos aleatoriamente. Essas são as regras mais comuns no DF, mas podem variar de acordo com as batalhas, que são itinerantes.

O slam nasceu em Chicago, Estados Unidos, nos anos 1980. Mas só foi chegar ao Brasil duas décadas depois. No Distrito Federal, começou em 2015, com o grupo Slam DéF, que também atua no Entorno. “A gente não tem um público específico. O Slam DéF aceita qualquer pessoa, de qualquer idade, de qualquer cor, raça, etnia e orientação sexual. A nossa ideologia é abrir espaço para as vozes da periferia”, afirma Will Junio, criador do grupo.

Outros grupos se destacam na cena brasiliense. O Slam Q’Brada é coordenado por Meimei Bastos, que começou nos saraus de poesia e foi para as batalhas de slam. “Foi amor à primeira vista, eu sou casada com o slam”, derrete-se a escritora. De tanta paixão, a slammer levou o tema para a faculdade: o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) dela em artes cênicas, na UnB, é sobre essa arte.

O slam no DF tem dado cada vez mais espaço para as minorias. É o caso, por exemplo, do SlaMINA, feito de mulheres para mulheres. “No SlaMINA, a gente é protagonista da cena. A gente é quem produz, a gente é quem recita”, orgulha-se Marinao, criadora do grupo. “Eu acredito que o slam seja dominado pelas mulheres”, finaliza Meimei.

Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco 

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