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Correio Braziliense

Editora lança cachaça poética em sarau nesta terça-feira

A Cachaçóter traz poemas destilados e cachaças compostas por José Luiz Sóter, e será lançada esta noite pela editora SEMIM


postado em 23/04/2019 16:26 / atualizado em 23/04/2019 19:01

Cachaçóter traz cinco blends compostos e nove poemas destilados por José Luiz Sóter(foto: Editora Semim/Divulgação)
Cachaçóter traz cinco blends compostos e nove poemas destilados por José Luiz Sóter (foto: Editora Semim/Divulgação)
 
 
A editora Semim inovou e lança, nesta terça-feira (23/4), uma cachaça. Só que a bebida não é um simples destilado. Batizada de Cachaçóter, ela é também uma nova antologia poética de José Luiz Sóter, poeta goiano de Catalão radicado em Brasília desde os anos 1970, em que nove poemas do artista são publicados nos rótulos de cinco diferentes cachaças.

Ambos, cachaças e poemas, são autorais e assinados por Sóter. “É apenas um novo suporte para a poesia. Eu sempre inventei suportes”, explica o poeta, que já chegou a lançar poemas em fotografias ou dentro de garrafas vazias, como os náufragos. “A poesia está em toda parte”, conclui. 

Sóter começou a compor as cachaças na terra natal, onde a família possuía engenhos e alambiques. Tendo acesso a tal engenharia, começou as experiências para criar o próprio blend. “Tem gente que gosta de cachaça frutada, de madeira... Eu gosto da cachaça”, define ele, que sempre criticou o sabor acentuado de algumas pingas. Por conta disso, passou a trabalhar para recuperar o sabor, o cheiro e a cor da cachaça original. 

Assim surgiram os cinco selos da Cachaçóter: Rubi, com extrato de cachaça com aroeira; Esmeralda, com madeira do murici; Cobre, com madeira de jatobá; Bronze, com madeira de canela; e Prata, com madeira de sucupira. Todas são madeiras do Cerrado. Segundo o autor, aparecem certas características das madeiras, mas não se nota o sabor. “Eu trabalho com o princípio do retrogosto. A Cachaçóter não é pra beber com a goela. É pra beber com a língua”, ensina.

“Isto tem a ver com métier da gente”, diz o poeta. “Eu sou um bom cachaceiro e degustador de cachaça. Minha família sempre teve uma queda pela degustação da boa pinga. Na fazenda, era a bebida que animava todas as festas. Virei um apreciador. Nunca fui pinguço, sempre gostei de degustar uma cachaça de boa cepa”, diz o poeta, que faz parte da liderança do movimento de rádios comunitárias, e sempre recebeu militantes de outros estados em casa. Os visitantes experimentavam a receita ainda em produção de sóter e queriam levar pra casa. Com o tempo, a receita acabou ganhando o apelido de “Cachaçóter”. 

Foi aí que o poeta teve a ideia de editar e publicar a cachaça de sua autoria, usando a garrafa e o rótulo como suporte para os poemas. Os nove poemas curtos falam sobre temas caros aos apreciadores do líquido, e foram destilados – com engenho e arte – ao longo da vida do poeta, exceto o poeminha Novato, de safra recente, criado durante a produção da cachaça. Diz ele: Quando jovem, vivia embriagado/ Agora, vivo enviagrado”. “É uma trovinha, cachaceiro adora uma trovinha”, explica.

Cachaçóter será lançado nesta terça-feira (23/4) no Sarau Poético Etílico,  às 19h, no Tiborna Bar e Comedoria (403 Norte). O autor das garrafas promete presentear os poetas que recitarem com uma garrafa pequena, à guisa de cachê.
 
*Estagiário sob supervisão de Adriana Izel
 

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