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Correio Braziliense

Mercado Sul é um dos maiores pontos de resistência da cultura do DF

Com o intuito de reerguer o local, durante os anos 1990, os moradores do beco iniciaram um processo de revitalização


postado em 24/04/2019 07:00

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 9/11/16)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press - 9/11/16)



Às margens da Samdu, nas quadras da QSB 12/13 de Taguatinga Sul, está localizado um dos maiores pontos de resistência da cultura do Distrito Federal, o Mercado Sul. Embalados por várias atividades culturais, o espaço conta com teatros, painéis de grafites, artesanatos, rodas de capoeiras, oficinas, ateliês e uma série de artistas e eventos, mas há muito tempo o lugar passa por algumas dificuldades.

Quem vê o espaço repleto de cores estampadas pelos grafites que caracterizam o ambiente nem imagina o que o beco cultural enfrentou e ainda enfrenta. Na década de 1960, o ponto era um centro comercial de Taguatinga, não muito grande, mas que atendia os moradores da região. Com a chegada dos supermercados e shoppings pelos arredores, o comércio enfraqueceu e, aos poucos, foi ficando abandonado e ganhou fama de área de tráfico de drogas.

Com o intuito de reerguer o Mercado Sul, durante os anos 1990, os moradores do beco iniciaram um processo de revitalização do lugar. E, desde então, os moradores e frequentadores transformaram o local exemplo de economia solidária, de produção cultural e ocupação urbana, mas ainda enfrentam algumas barreiras.

Frequentador do beco desde 2016 e morador há 8 meses, o ilustrador Oberon Blenner, de 25 anos, afirma que o Mercado Sul é um relevante lugar de Taguatinga. “É um importante ponto de cultura e arte, é importante para mim como artista estar convivendo com pessoas que vivem da arte e também como forma de nos ajudarmos e nos inspirarmos”, revela. O artista frisa que a ajuda dos moradores é essencial para sobreviver no beco.

A luta agora é contra a especulação imobiliária. Artistas, moradores e frequentadores da região batalham na Justiça com os proprietários dos espaços abandonados do local para que o espaço permaneça sob os cuidados deles e continuem com esse belo projeto. Além de buscarem o tombamento do beco como patrimônio de Taguatinga.

O movimento Mercado Sul Vive recebeu o apoio político da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura e do Instituto Histórico e Artístico Nacional (IPHAN-DF).  

No site do movimento, eles reverberam a função do Beco da Cultura. “Nosso intuito é preservar esse lugar histórico de Taguatinga (e do DF) tanto em sua dimensão arquitetônica quanto na escala humana, com as vidas vividas aqui e a cultura que aflora há décadas desse lugar. Aqui, se constroem violas, vídeos, mamulengos, artesanatos e instrumentos com papelão e saco de cimento. Aqui, o beco vira palco, roda de capoeira, escola, ecofeira, vira comunidade, santuário, espaço de produção e aprendizagem”, afirmam.

“Desde o governo Rollemberg a gente não teve nenhum avanço, nenhuma postura do Executivo em relação a algum tipo de solução para o Mercado Sul. Muito pelo contrário, vem se agravando e sofrendo retrocessos”, revela Raissa Oliveira, 31 anos, moradora do beco há mais de 4 anos e uma das integrantes do movimento.

Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco.



Duas perguntas / Raissa Oliveira

Qual a importância do Mercado Sul?
O Mercado Sul é basicamente um dos poucos lugares em que as pessoas conseguem se encontrar.A gente constrói um apoio mútuo, se ajuda e constrói uma relação de troca. É um lugar que gera renda para pessoas que estão fora do mercado formal, por exemplo. Além de um local de criação de emprego, de solidariedade, de preservação da natureza e de arte.

Quais os maiores desafios enfrentados no Mercado Sul?
O maior desafio com certeza é essa questão do boicote que tentam fazer, essa questão da água e da luz que não são regularizadas, prejudica muito nosso trabalho, nossa convivência. Prejudica o próprio estar aqui, famílias que moram com crianças, que precisam estar aqui, precisam fazer comida, não têm as condições minimamente dignas de viver nesse espaço. Estamos preocupados em como resolver isso, sendo que nosso intuito era produzir cultura, mas, muitas vezes, somos prejudicados, pois não temos acesso às condições básicas, como acesso à água, luz e coleta de lixo de forma regularizada.
 
 
 
 
 
 
 




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