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Correio Braziliense

Prêmio Vera Brant apresenta mostra que privilegia a construção da obra

Todos os artistas foram acompanhados pelos curadores em um diálogo que ajudou a compreender a própria pesquisa


postado em 24/04/2019 07:10 / atualizado em 26/04/2019 14:39

(foto: Capra Maia/Divulgação)
(foto: Capra Maia/Divulgação)

Prêmios geralmente focam em obras e levam em consideração o currículo do artista: quanto mais experiência, mais chance de estar bem colocado. Além disso, premiam dois ou três eleitos. Mas Rogério Carvalho e Leonardo Góis quiseram fazer diferente quando idealizaram o Prêmio Vera Brant e a segunda edição do evento. O resultado está em exposição no Espaço Cultural Renato Russo e tem como foco o processo de construção da obra.

No total, 12 artistas foram selecionados para residências durante as quais tiveram acompanhamento de seis curadores. Desses, 11 trabalharam na Casa Niemeyer, patrimônio histórico do Distrito Federal hoje administrado pela Casa da Cultura da América Latina (CAL), e uma foi para o Centro Espronceda, em Barcelona (Espanha). Escolher artistas jovens ou com uma trajetória iniciante também foi uma das preocupações dos idealizadores. “Deixamos de premiar obras e focamos no processo artístico, deixamos de selecionar obras para selecionar artistas, e isso fez toda a diferença”, avisa Góis. “O prêmio, hoje, é mais um processo do que um prêmio que acaba na exposição. Ele começa na residência. E a gente foca em novos talentos, mais do que reconhecer artistas que têm talento.”

Para o curador, muitos artistas ainda não foram descobertos em Brasília e é para eles que o prêmio foi concebido. “Tem muito artistas desconhecidos que ainda não estão no radar dos principais agentes, e essa edição foi uma surpresa muito grande, porque mais da metade dos artistas são de fora do Plano Piloto e de fora da academia. A percepção é de que tem muita gente bacana a ser descoberta. E quando a gente fica focado no potencial, consegue selecionar mais pessoas”, acredita. Segundo ele, o prêmio só foi possível graças aos recursos e apoios. O Vera Brant contou com R$ 200 mil do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e apoio da Universidade de Brasília (UnB) e do Espaço Cultural Renato Russo, que recebe a exposição.



Reivindicação dos premiados na primeira edição, a presença de artistas na comissão julgadora se tornou uma realidade este ano. David Almeida, Waleska Reuter, João Angelini e Pedro Gandra estavam entre os vencedores em 2018 e foram, agora, convidados a integrar a comissão como forma de trazer um olhar que vai além da curadoria. É o que Angelini chama de “olhar mais técnico”. “O artista tem condição de lançar um olhar de análise sobre a produção, é uma outra perspectiva, que não é de quem olha por cima, das patentes altas, dos curadores e doutores, e sim uma visão num nível equivalente de quem está se inscrevendo. A gente consegue ter uma aproximação de algumas propostas de natureza diferente da que os curadores têm”, acredita.

Todos os artistas foram acompanhados pelos curadores em um diálogo que ajudou a compreender a própria pesquisa, mas a convivência entre eles também foi fundamental. Alguns, como Amanda Yuki e Barbara Paz, passaram a trabalhar com grandes formatos e outros, caso de Silvie Eidam, experimentaram cores, paisagens e temas que nunca haviam abordado. As mudanças significam desenvolvimento na trajetória e na obra dos artistas, o que ajuda no amadurecimento. “Essa edição foi muito rica. Percebo uma mudança, os trabalhos ficaram mais aperfeiçoados, eles ficaram mais atentos ao que estavam fazendo. Entre o projeto inicial que apresentaram e a finalização, houve mudança grande de escala, de preocupação com o fazer, de definição do que estão fazendo. Em todas as linguagens”, observa Graça Ramos, uma das curadoras responsáveis pelo acompanhamento.




II Prêmio Vera Brant de Arte Contemporânea
Visitação até 9 de junho, de terça a sábado, das 10h às 20h, e domingo, das 10h às 19h, no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul)
 
 
 
 
 
 
 

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