Publicidade

Correio Braziliense

Biografia de Fagner por Regina Echeverria é lançada em Brasília

Obra foi escrita com base em acervo da própria família de Fagner


postado em 25/04/2019 06:30 / atualizado em 24/04/2019 18:55

(foto: Acervo Raimundo Fagner/Divulgação)
(foto: Acervo Raimundo Fagner/Divulgação)

 

O rico acervo sobre a vida e a trajetória de Raimundo Fagner, organizado pela irmã dele Marta Lopes, com cartas, fotos e reportagens de jornais, foi o que motivou a criação do livro Raimundo Fagner: quem me levará sou eu, escrito pela jornalista e biógrafa Regina Echeverria. “Essa biografia não estava nos meus pensamentos. Foi iniciativa da minha irmã e da Teresa (Tavarez), que é diretora da fundação (Fundação Raimundo Fagner). A gente tem um arquivo tão grande, com tanta história e tanta coisa acumulada que elas acabaram sugerindo e, quando olhei, estava tudo encaminhado”, lembra o artista em entrevista exclusiva ao Correio.


A obra demorou cerca de três anos para ser concluída, e hoje tem lançamento oficial em Brasília, na Livraria Leitura do Terraço Shopping, com a presença do cearense, que está na cidade desde segunda-feira para participar da programação do Encontro Internacional do Choro, no Clube do Choro (Eixo Monumental), onde se apresentou na última terça-feira.

“Agora está vindo muito convite para fazer (o lançamento) em várias cidades. Mas aqui em Brasília é importante, pois faz parte da minha história. Foi o lugar que me acolheu quando sai do Ceará para viver, fazer faculdade, participar do festival do Ceub, tudo isso está muito ligado. A minha história em Brasília é muito forte. Então, merecia (esse lançamento) e foi uma coincidência por conta da minha vinda para a festa do Clube do Choro”, explica.

Com 440 páginas, a obra perpassa diferentes momentos da vida do artista, desde a infância em Orós, cidade que ele considera a natal, apesar de ter nascido em Fortaleza; a passagem por Brasília quando estudou na UnB; o início da carreira no Rio de Janeiro; e toda a trajetória de altos e baixos dentro da música a partir dos anos 1970.

Momentos mais pessoais também são lembrados na obra, como a descoberta tardia da paternidade, história que abre o livro. Em 2006, aos 57 anos, foi revelado que tinha um filho, Bruno, que, na época, tinha 32 anos. Naquele momento, além de um filho, ele ganhou ainda dois netos: Clara e Arthur.

Foi o mote inicial da pesquisadora Regina Echeverria. “Achei que era uma história inusitada que pouca gente sabia. Nem eu sabia. Eu sempre faço isso nas biografias que escrevo. Começo por uma história que acho legal e depois volta para o nascimento e vou na cronologia mesmo. Achei que era uma história muito interessante para um cara que nunca se casou e tinha essa solteirice convicta”.

Outro destaque é a relação de Fagner com a política e com o futebol, dois assuntos bastante importantes na trajetória do artista. “Minha vida sempre foi muito intensa, são 45 anos de carreira, viajando muito, participando de muitos momentos da vida brasileira, política e esportiva. Sempre fui muito ligado e acho que isso faz um pouco a força da biografia. Não só a música, como a política e o futebol, acho que isso dá uma perspectiva diferente para o conteúdo do livro”, destaca o personagem da biografia.

(foto: Acervo Raimundo Fagner/Divulgação)
(foto: Acervo Raimundo Fagner/Divulgação)


Vida em Brasília

Para retratar a história do artista da forma mais fiel possível, Regina contou com o acervo cedido pela irmã de Fagner Marta Lopes. Entre as raridades, está uma série de cartas enviadas pelo cearense, ao longo da vida, aos pais. “Marta me cedeu as cartas. Quando eu vi aquilo, fiquei louca. É uma preciosidade ter acesso às cartas. Ele era muito jovem quando foi embora para Brasília e depois para o Rio. Foi superlegal, porque elas deram uma boa enriquecida no livro”, classifica a autora.
 
(foto: Acervo Raimundo Fagner/Divulgação)
(foto: Acervo Raimundo Fagner/Divulgação)
 
 
São pelas cartas, inclusive, que Regina conta algumas histórias, entre elas, a da passagem por Brasília. Enviado para cidade para “tomar jeito”, Fagner entrou no curso de administração na UnB. No entanto, a música não ficou de lado. Pelo contrário, ela foi protagonista. Foi na trajetória universitária que, em 1971, participou e ganhou o Festival de Música Jovem com as músicas Mucuripe, que ficou em primeiro lugar, Manera Fru Fru Manera, sexta colocada, e Cavalo ferro, que conquistou o prêmio especial do júri. Faixas escritas com Belchior e Ricardo Bezerra.

“Pareceu muito, mas vivi praticamente um ano até chegar, fazer vestibular... As coisas aconteceram muito rápido. Teve muita gente em Brasília que fez parte disso (da vida na cidade e da carreira). Brasília acho que foi meu momento decisivo para a música. Não tem como tirar Brasília e é muito oportuno estar aqui (para o lançamento)”, completa Fagner.
 
(foto: Acervo Raimundo Fagner/Divulgação)
(foto: Acervo Raimundo Fagner/Divulgação)
 
 
Para Regina, o grande objetivo no livro é mostrar as diferentes facetas de Fagner, um artista, ao mesmo tempo, polêmico e autêntico. “Quis mostrar que Fagner é uma pessoa de personalidade forte, com opiniões firmes, que não se arrepende do que fala. Ele é uma pessoa que declara sua opinião e, no Brasil, é difícil encontrar pessoas assim. Ele é bem diferente. É um cara que queria ser popular, respeito muito isso. É isso que quero mostrar, uma pessoa complexa e segura de si”, analisa.

A autora ainda conta que o título do livro, que foi sugerido pela irmã de Fagner, é capaz de representar tudo isso: “Ele é seguro do que representa e do que quer ser”. A faixa Quem me levará sou eu foi lançada no fim dos anos 1970 e integra o álbum Eu canto — Quem viverá chorará.



Raimundo Fagner: quem me levará sou eu
De Regina Echeverria. Editora Agir, 440 páginas. Preço médio: R$ 49,90.



Lançamento do livro Raimundo Fagner: quem me levará sou eu
Livraria Leitura (Terraço Shopping). Hoje, a partir das 19h. Lançamento da biografia e sessão de autógrafos com Fagner. Entrada franca. Classificação indicativa livre.
 
 
 
 
 
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade