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Correio Braziliense

'Vin\co' traz movimentos inspirados no origami

Espetáculo está em cartaz no Espaço Cultural Renato Russo


postado em 16/05/2019 06:30 / atualizado em 15/05/2019 18:47


Vin\co: inspiração a partir do objeto do origami japonês(foto: João Saenger/Divulgação)
Vin\co: inspiração a partir do objeto do origami japonês (foto: João Saenger/Divulgação)
 
De hoje até domingo, o espetáculo Vin\co está em cartaz no Espaço Cultural Renato Russo. Por trás da apresentação, que dura cerca de 70 minutos, o diretor Édi Oliveira e os artistas circenses Julia Henning e Daniel Laccourt se prepararam por nove meses. “O nosso tema partiu da inspiração do objeto do origami”, explica Édi. “Não é sobre o origami, teve o origami como inspiração”. O espetáculo é realizado pelo grupo dança pequena com auxílio do coletivo Instrumento de Ver.

A ideia veio de um grupo de pesquisa em movimento do qual o diretor participou há vários anos, o Grupal. “Nós fazíamos investigação de movimentos e uma vez trabalhamos com o movimento da dobradura no corpo. Isso ficou na minha cabeça durante muito tempo. O corpo também é capaz de realizar dobraduras mais complexas”. O contato com Júlia e Daniel, membros do coletivo Instrumento de Ver, já existia há muito tempo. “Existia a vontade de fazermos um trabalho juntos e tivemos a oportunidade de inscrever esse projeto no FAC”, conta Édi. É a primeira vez que os dois artistas circenses se envolvem em um espetáculo de dança.

“O Instrumento de Ver é um coletivo com interesse muito grande em circo mas que se interessa por outras linguagens também”, explica Júlia Henning. “Fazemos projetos individuais e coletivos. Montamos espetáculos com coisas diferentes, respeitamos muito esse desejo de pesquisar diferentes formatos”. As atividades do grupo são centralizadas em um galpão na Vila Planalto. Júlia tem formação em Artes Cênicas pela UnB e estudou dramaturgia circense nas escolas Cnac, na França, e Esac, na Bélgica. No coletivo, é artista criadora e já atuou também na direção.



Já Daniel Lacourt acumula formações na área de circo no Atelier de Pesquisa Aérea e na Escola Nacional de Circo (ambos no Rio de Janeiro), na Cnac, da França e na Esac, da Bélgica. Dentro do Instrumento de Ver, exerceu diferentes funções nos 10 anos em que faz parte do grupo, como diretor técnico, artista circense, diretor ou rigger (o profissional responsável por manejar cargas pesadas e fazer o transporte dessas).

Depois do convite de Édi para participar da inscrição e contemplação do projeto, começou a construção do espetáculo de dança contemporânea. “Nós fomos para a sala de ensaio, e a partir de exercícios a gente foi criando material corporal, criando movimento. Fomos escolhendo caminhos que, no fim das contas, levou ao espetáculo”, relembra Júlia. Ela explica como a arte milenar oriental serviu de inspiração: “Usamos alguns elementos que podem ser percebidos no origami: a limpeza, a economia do movimento, a precisão”, pontua.

Durante o espetáculo, os atores desenvolvem movimentos inspirados em conceitos como a experiência da pausa,  o preenchimento de vazios, a desaceleração e o desfrute dos sentidos. “O próprio nome da peça tem tudo a ver com a pesquisa que desenvolvemos”, explica Édi. “O vinco significa criar dobras, marcar a dobradura no papel”. Outros profissionais foram de fundamental importância no desenvolvimento do projeto, como Euler Oliveira, responsável por compor a trilha sonora; Moiséz Vasconcellos, que trabalhou com os desenhos de luz e Roustang Carrilho, que desenvolveu o figurino. “Eles trabalharam colados ao nosso processo criativo”, diz o diretor.

*Estagiária sob supervisão de Severino Francisco



Temporada curta
Vin\co foi apresentado ao público em pré-estreia na quinta edição do Movimento Internacional de Dança (MID), evento que reuniu espetáculos de dentro e fora do Brasil em abril deste ano. Agora, os artistas se apresentam em uma curta temporada que vai de hoje a domingo, no Espaço Cultural Renato Russo.


Vin\co
Teatro Galpão do Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul). Hoje, amanhã e sábado, às 20h. Domingo, às 19h. Ingressos: 
R$ 10 (meia-entrada). Classificação indicativa livre.
 
 
 

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