Publicidade

Correio Braziliense

Corte no FAC: Artistas protestam contra extinção de empregos na Cultura

Classe artística se reuniu em frente ao Teatro Nacional e se manifestou a favor da manutenção de edital que prevê R$ 25 milhões para fomento cultural no DF


postado em 16/05/2019 19:47 / atualizado em 16/05/2019 20:51

Artistas do DF temem que 42 mil empregos sejam afetados por corte em cultura (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Artistas do DF temem que 42 mil empregos sejam afetados por corte em cultura (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)


Profissionais do ramo cultural do Distrito Federal se reuniram nesta quinta-feria (16/5) em frente ao Teatro Nacional Cláudio Santoro (Esplanada) para protestar contra os cortes de investimentos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). A medida do Governo do Distrito Federal (GDF) publicada no Diário Oficial de quarta-feira (15) cancela o investimento de R$ 25 milhões em projetos culturais previstos para este ano pelo edital Áreas Culturais 2018. 

Além da redução de atividades artísticas no Plano Piloto e nas regiões administrativas, os manifestantes criticaram a extinção de quase 42 mil empregos providos direta ou indiretamente pelo fundo. Os números foram fornecidos pela Frente Unificada da Cultura do DF, grupo que articulou o encontro e também estimou a participação de cerca de 250 pessoas no ato desta quinta.

Outra insatisfação dos trabalhadores da cultura é com o direcionamento da verba do edital para a reforma do Teatro Nacional Cláudio Santoro, fechado para obras há cinco anos. A ação foi anunciada pelo secretário de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Adão Cândido, no último sábado (11), com o objetivo de reabrir o espaço a tempo do aniversário de 60 anos de Brasília, em 2020. Em reação ao corte, o Conselho de Cultura do Distrito Federal recomendou o afastamento de Adão Cândido da pasta.

“Sabemos da importância e sempre defendemos a reforma do Teatro Nacional. Mas não com os artistas pagando essa conta”, queixa-se Ricardo Pipo, membro do coletivo brasiliense Melhores do Mundo. Ele esteve no protesto e lamentou a possível queda no número de atrações culturais fora do Plano Piloto como consequência do corte do FAC.
 
Dai Schimidt, diretora do Desfile Beleza Negra, teme que o corte afete cerca de 200 profissionais do projeto entre modelos, estilistas, produtores, maquiadores. “Trabalhamos desde 2012 para combater a discriminação racial e para inserir o negro no mercado de trabalho. Como negros, para nós é mais difícil conseguir patrocínio. Recorremos ao FAC ou a emendas parlamentares. Isso vai afetar para sempre nossos trabalhos. O mercado da moda já é mto fraco aqui em Brasília”, declarou.

Participaram do ato representantes de grupos como Melhores do Mundo, G7, Desfile Beleza Negra, Tripé, Instrumento de Ver, Basirah, Anti Status Quo, Sutil Ato, Andaime, Pé direito, Celeiro das Antas, La Casa Incierta, Agrupação Teatral Amacaca.

Com o cancelamento do edital Áreas Culturais, ficam mantidos os editais FAC Audiovisual 2018, FAC Regionalizado 2018 e FAC Ocupação 2019, que juntos somam R$ 27 milhões. 

*Estagiário sob supervisão de Adriana Izel.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade