Publicidade

Correio Braziliense

Elogiado pela crítica, documentário feminista indicado ao Oscar estreia

Longe do circuito dominado por Aladdin, sete opções de filmes estão no circuito de estreias no Distrito Federal


postado em 23/05/2019 11:10

Ruth Bader Ginsburg é um foco de resistência dentro da politicagem americana(foto: Magnolia Pictures / Divulgação)
Ruth Bader Ginsburg é um foco de resistência dentro da politicagem americana (foto: Magnolia Pictures / Divulgação)


Crítica // A juíza  ****
 

Outro lado para facetas de subordinação e dependência antigamente associados à condições femininas puxam os temas explorados pelo documentário (que concorreu ao Oscar) A juíza, assinado pela dupla Julie Cohen e Betsy West. Ícone depois dos 80 anos de idade, a notória segunda mulher a integrar a Suprema Corte norte-americana, Ruth Bader Ginsburg, para mostrar a que veio, cita outra mulher que ela mesma venera — a abolicionista e sufragista, nascida no século 18, Sarah Grimké, famosa por rogar a igualdade entre homens e mulheres, recorrendo ao pedido de favor para que eles tirassem "os pés" dos "pescoços" delas.
 
Afirmação de divergências (a favor da equidade entre minoria e maioria que compõem a sociedade) e a visão do tribunal como oportunidade de ensinar fazem da discreta e tímida Ruth (conhecida pela sigla RBG) uma figura, na cultura dos EUA, vistosa a ponto de balançar presidentes como Trump, Jimmy Carter e Barack Obama. No lugar de gritos, Ruth se fixa em argumentos sólidos, imprimindo a austeridade reproduzida na ficção Suprema, baseada na vida dela e que recentemente chegou aos cinemas.
 
Junto com o retrato do trabalho duro, da atenção para com os outros e, sobretudo, pelas vias da educação, RBG ganha, em muito, pela capacidade de autocrítica — a ponto de pedir desculpas públicas, quando de um erro em meio ao processo eleitoral americano. O marido Marty (morto em 2010) ganha um retrato adequado (em relação ao visto em Suprema). Admirável, e com a capacidade de rir de si mesma, e de interagir, na base da camaradagem entre pares, a juíza segue firme, detendo um panorama de indignidades que atingem aquelas e aqueles menos favorecidos. 



Outras estreias

Brightburn — Filho das trevas 
• De David Yarovesky. Sinistra criança chega à Terra, vinda de outro mundo.

Tolkien
• De Dome Karukoski. Nicholas Hoult interpreta o célebre autor J.R.R. Tolkien, de obras como O hobbit e O senhor dos anéis.

Os papéis de Aspern
• De Julien Landais. Homem assume falsa identidade, nesta adaptação de obra escrita por Henry James, a fim de desvendar segredos do poeta Jeffrey Aspern. Destaque para a veterana Vanessa Redgrave no elenco.

A costureira de sonhos
• De Rohena Gera. Em Mumbai, uma viúva pretende galgar a condição de estilista e confronta tradições e seus sentimentos.

Hellboy
• De Neil Marshall. A ressurreição de uma rainha sanguinária coloca em evidência o potencial do raro herói batizado Hellboy.

Mormaço
• De Marina Meliande. Uma defensora pública, às vésperas das Olimpíadas de 2016, se vê em choque contra o Estado e a favor da manutenção da rotina dos moradores da Vila Autódromo.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade