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Correio Braziliense

Abandono e perdão são os temas do espetáculo 'Deixe a luz da varanda acesa'

Peça está em cartaz neste fim de semana e no próximo no Espaço Cultural Renato Russo


postado em 14/06/2019 16:10

(foto: Diego Bressani/Divulgação)
(foto: Diego Bressani/Divulgação)

O abandono encontra o caminho para o perdão na peça Deixe a luz da varanda
acesa. O espetáculo resgata o amor e o carinho a partir da reaproximação — depois de 20 anos — entre Verônica e Rita, companheira da mãe já morta. Vai ser neste fim de semana, no Espaço Cultural Renato Russo.

De certa forma, a peça mostra um ciclo de abandono que só acaba com o perdão.
Verônica havia sido abandonada pelo pai e, depois, acabou por deixar a mãe biológica e a mulher dela, uma espécie de segunda mãe. “Elas (Verônica e Rita) tinham uma proximidade, carinho e amor muito grandes”, compartilha Gelly Saigg, uma das diretoras. Segundo ela, o fato de existir uma personagem lésbica não é central na peça. “Isso é tratado como uma coisa bem natural (pelas personagens)”, pontua.

“O que me marcou muito foi a receptividade do público com as personagens”, define
a dramaturga Áurea Liz. “Depois da peça, as pessoas vinham falar como se fóssemos as personagens. Elas desabafavam e nos acolhiam. Teve uma senhorinha que chegou até mim e falou "eu sei o que você passou, minha filha também me abandonou". Isso me matou”, continua, emocionada.

A obra nasceu de uma situação real, mas não é autobiográfica. Quando a mãe da
dramaturga manteve acesa a luz externa da casa — coisa que nunca fazia —, a filha sabia que havia algo errado. “O nome foi a primeira coisa em que eu pensei. Esse código que ela criou é muito forte pra mim”, emociona-se Áurea. Quando escreveu a peça, ela queria a atriz Verônica Moreno como a personagem Rita. Com a morte dela em 2015, a dramaturga assumiu o papel para homenageá-la.

A trama se passa numa casa e apela às memórias afetivas do público. “A gente fez
questão de se inspirar numa casa de interior, em Minas Gerais, de onde vem a Áurea, e mostrar uma casa simples, bem cuidada e bem arrumada”, conta Gelly. Além disso, o olfato é primordial na montage,. “Minha vontade era colocar cheiros durante todo o espetáculo”, continua ela, que também é responsável pela cenografia e pela maquiagem. Ao longo da peça, é possível sentir o aroma de alfazema, café e terra molhada.

Deixe a luz da varanda acesa estreou no fim de 2018 e está na segunda temporada.
O projeto recebeu patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e ganhou os prêmios de melhor atriz e de melhor espetáculo no 2º Festival Nacional de Teatro de Bolso, no Teatro H20, no Recanto das Emas, em maio.

*Estagiária sob supervisão de Adriana Izel

Serviço
Deixe a luz da varanda acesa
Teatro multiuso do Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul, Bl. A, lj. 72). Sexta (14) e sábado (15), às 20h, e domingo (16), às 19h. Próxima sexta (21/6) e sábado (22/6), às 20h, e próximo domingo (23/6), às 19h. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), à venda na bilheteria do espaço uma hora antes da peça. Classificação indicativa livre.

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