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Correio Braziliense

10ª edição do Festival Varilux de Cinema Francês chega à reta final

Depois de quase 300 sessões na cidade, festival chega ao fim nesta quarta-feira. Juliette Binoche e Louis Garrel estão nas fitas da saideira


postado em 17/06/2019 08:15 / atualizado em 17/06/2019 10:53

O ator François Civil está em nos longa 'Amor à segunda vista' e 'Quem você pensa que sou'(foto: Rogerio Resende/R2Foto)
O ator François Civil está em nos longa 'Amor à segunda vista' e 'Quem você pensa que sou' (foto: Rogerio Resende/R2Foto)

É a reta final: até quarta-feira (19/6), a 10ª edição do Festival Varilux de Cinema Francês exibe 26 sessões de um apanhado da recente produção da sétima arte na terra dos irmãos Lumière, os chamados pais do cinema. Com a leva de filmes recentes, natural que despontem astros ainda desconhecidos no Brasil, caso do jovem François Civil (leia entrevista) que está em duas atrações do evento. Enquanto no romântico Amor à segunda vista, Civil interpreta um homem atordoado pela possibilidade de perder o amor da vida dele; em Quem você pensa que sou, o papel revela praticamente o reverso da moeda — no drama, ele vive o jovial Alex, capaz de despertar o interesse e a insanidade da madura Claire, obcecada por um amor inexistente.

A indiferença também é componente de outro filme: o thriller psicológico O professor substituto (com sessão no Cine Cultura Liberty Mall, terça (18/6), às 16h30), de Sébastien Marnier, vem todo apoiado numa reação inesperada de um sexteto de irrepreensíveis alunos que presenciam o suicídio de um professor. O sentimento de reparação para uma realidade bastante dura igualmente se projeta noutro tom (de comédia) em Finalmente livres, que tem derradeiras exibições, nesta segunda (17/6), (no Cultura Liberty Mall, às 18h50) e quarta (19/6), (às 16h30, no Espaço Itaú). Há quatro anos, um astro projetado no Varilux, o ator Pio Marmai estrela o longa, ao lado de Adèle Haenel e Audrey Tautou. No filme, encabeçado por personagens policiais, uma viúva tenta desfazer atrocidades cometidas pelo marido morto.

Um homem fiel
Ainda que o astro do cinema francês Louis Garrel se desdobre, dirigindo este longa que não se decide entre o drama, o policial e a comédia (na linha de alguns filmes de Truffaut), é outro nome que salta aos olhos: impressionantemente ativo, aos 89 anos, o roteirista Jean-Claude Carrière marca presença. Carrière é associado pela colaboração com Luis Buñuel, tendo auxiliado na criação de clássicos como A bela da tarde e O discreto charme da burguesia. Morte, cirandas amorosas e ironia se alinham no filme estrelado por Laetitia Casta e Lily-Rose Depp. Cultura Liberty Mall, segunda (17/6), às 16h30 e terça (18/6), às 14h. Na sala Le Corbusier (SES 801 — Embaixada da França), quarta (19/6), às 19h.

Quem você pensa que sou
Numa extensa série de sessões de terapia, o espectador vai desvendando e ainda se compadecendo pelo dia a dia da solitária Claire (Juliette Binoche). Com mais de 50 anos, ela começa a tatear a tecnologia que pode dar uma reviravolta na sua vida em que uma das prioridades é a de recuperar um tempo perdido. À frente dela está o ambiente virtual, com infinitas possibilidades de relacionamentos. Mas há crueldade e pessoas mal-intencionadas neste filme conduzido por Safy Nebbou. Na pele de Alex, François Civil desfila uma vitalidade a postos para encantar Claire e levar o público a reflexões. Atriz e diretora de filmes como Um instante de amor, Nicole Garcia, na pele de uma psicóloga, impressiona, a exemplo da perturbadora e maquiavélica personagem de Binoche. Cinemark Pier 21, terça (18/6), 18h45.

Boas intenções
Numa comédia com elenco de participação bastante coletiva, o cineasta Gilles Legrand se aplica no destino da amistosa e altruísta Isabelle (Agnès Jaoui), uma protagonista dedicada a benfeitorias no cotidiano de imigrantes. Como desafio ela deverá encaminhá-los na aquisição de importante documento para maior independência: a carteira de motorista. Espaço Itaú, segunda (17/6), às 14h50.

Através do fogo
Um intenso drama de Frédéric Tellier, em que o protagonista, um bombeiro que se entrega de corpo e alma ao trabalho, deve administrar as consequências de ações desmedidas a favor de terceiros. Pierre Niney (Promessa ao amanhecer). Espaço Itaú, terça (18/6), 20h45.


» Quatro perguntas /François Civil, ator 

Quais os encantamentos e aprendizados despertados por Juliette Binoche?
Trabalhar com Juliette foi uma chance incrível. Aprendi muito com ela e fui inspirado quando vi como ela aborda um filme, um personagem, um set. A generosidade dela impressiona: dá tudo a sua personagem. Aprendi com ela que devemos nos livrar de todos os medos e nos entregar inteiramente ao momento.

O quanto Binoche significa até mesmo para a tua porção de fã de cinema?
Cometi o erro de visualizá-la no Google na véspera do nosso encontro... Tinha esquecido que ela venceu prêmios em todos festivais: Berlim, Cannes, Veneza, César e o Oscar! Mas eu tive que esquecer de tudo isso para atuar com ela. Felizmente, Juliette me fez me sentir à vontade.

Quem você pensa que sou puxa um tema atual, o catfishing (envolvimento virtual com pessoa inexistente). Como reagiria a isso na vida real?
Na era das fake news, nós duvidamos de todos. Pessoalmente, seria difícil para mim manter uma relação com alguém que se recusa ir ao encontro. Acho que eu sentiria — teria a percepção da chegada de um problema por trás.

Num dos filmes do Varilux seu personagem, como escritor, revira a narrativa do avesso? Como encara a leitura, hoje em dia, e do que gosta? 
Gosto dos livros do japonês Haruki Murakami. Adoro Seda do romancista e autor teatral Alessandro Baricco. Infelizmente, não tenho tempo suficiente para ler como gostaria.
 
 
 

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