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Correio Braziliense

No streaming e na televisão, animações do Brasil se projetam

Séries como Irmão do Jorel e Oswald conquistam espaço cativo na grade de televisão ou ainda por meio de plataformas de streaming


postado em 18/06/2019 07:02 / atualizado em 17/06/2019 19:43

Depois de Irmão do Jorel, a nova aposta do Cartoon Network para desenhos brasileiros é Oswaldo(foto: Cartoon Network/ Divulgação)
Depois de Irmão do Jorel, a nova aposta do Cartoon Network para desenhos brasileiros é Oswaldo (foto: Cartoon Network/ Divulgação)
 
 
Centenário, o mercado de animações brasileiro se consolida a cada ano. Isso porque há uma presença maior e de melhor qualidade de produções feitas no Brasil. Dois bons exemplos desse cenário são as animações Irmão do Jorel, no ar desde 2014 no Cartoon Network com exibição mundial, e Tito e os pássaros, que representou o país tropical no Oscar de 2019.

“Eu nunca vi um fenômeno como Irmão do Jorel. É uma série que já está sedimentada na cultura brasileira, de uma forma que eu nunca vi antes. O mais legal é que ela acabou com esse preconceito com o produto brasileiro na animação. A gente percebe que a geração mais nova abraçou a animação brasileira como um produto de qualidade e que não é inferior”, analisa Pedro Eboli, criador da animação Oswaldo.

Esses dois desenhos animados não estão sozinhos nesse bom cenário. Há cada vez mais animações sendo produzidas no Brasil e conquistando o público. O próprio Cartoon Network transmite em sua programação desde 2017 outro desenho brasileiro, a série animada Oswaldo, de Pedro Eboli. “Há 10 anos seria inconcebível (o cenário atual da animação brasileira) e acho que aconteceu que graças ao fomento e aos esforços de canais como o Cartoon. É incrível e uma experiência surreal ver um negócio que você desenhou na sala da sua casa, sozinho, sendo abraçado desse jeito”, avalia Eboli.
 
Oswaldo está atualmente na segunda temporada. Uma sequência que estreou este ano e aproveitou o sucesso da primeira temporada, que teve 13 episódios. Agora, o canal exibe mais 13 novos capítulos da animação e tem pelo menos mais 26 gravados. Como Irmão do Jorel, o sucesso de Oswaldo está no ineditismo da história, que acompanha o protagonista de mesmo nome, um pinguim de 12 anos que foi criado numa família humana e vive uma vida cotidiana de uma criança humana da mesma idade, frequentando a escola, jogando videogame e comendo pizza.


Conceito de Oswaldo

A ideia da animação surgiu entre 2011 e 2012 com a premissa de ser uma metáfora ao não pertencimento. “Cresci no Rio de Janeiro e eu era um menino bem nerd nos anos 1990. Não sabia jogar futebol, fiquei muito tempo me sentindo como alguém que não pertence, um peixe fora d’água. Eu tinha um grupo de amigos, que era como eu, e sempre tive pais que me apoiaram bastante. Peguei esse gancho e quis dar um ponto de vista positivo. Toda criança se sente um pouco diferente e deslocada”, revela o criador de Oswaldo.

As histórias retratadas na narrativa se inspiram em vivências pessoais — tanto de Pedro Eboli quanto dos outros roteiristas — durante a infância. O time de Oswaldo buscou situações engraçadas de um conceito básico muito simples: a diferença. Apesar de ser uma animação voltada para o público infantil, a produção segue uma tendência dos desenhos atuais, com um tipo de humor que atinge tanto as crianças quanto o público adulto e com mensagens que debatem assuntos atuais, como representatividade, diferentes tipos de família, entre outros.

Produzir uma série animada como Oswaldo ainda tem muitas dificuldades mesmo que o país tenha cada vez mais profissionais talentosos e preparados. “Nunca é fácil. É sempre muito trabalhoso. Não tem um atalho, não tem um botão que anima. Temos que fazer desde o roteiro à gravação de voz. A vantagem numa segunda temporada é que já sabemos como é a série, o que fica bom nela. É mais fácil pensar numa ideia que cabe na série. O desafio agora é expandir o mundo do Oswaldo para não fazer apenas uma reprodução da primeira temporada”, explica.
 

Produção candanga

Em setembro de 2017, a animação brasiliense Caninópolis estreou no YouTube. Concebida pelos publicitários Rafael Frota e Renato Blanco, a série gira em torno do protagonista Otto e dos amigos dele Flip, Mel, Luka e Ralf. Além de uma narrativa, a grande aposta do desenho animado é a trilha sonora original com canções infantis. “Eu e meu sócio viemos da animação, em que iniciamos nossa carreira. Sempre alimentamos esse desejo de voltar a fazer. Tínhamos esse projeto e estávamos buscando recursos da Ancine. Mas acabamos fazendo com recursos próprios mesmo”, afirma Frota.

A principal ideia da dupla era lançar um projeto para crianças com idade pré-escolar de seis meses a três anos. A partir daí, Frota e Blanco foram avançando no projeto, que ganhou outros braços, a animação Acesso remoto, em que Otto aparece como youtuber e tem como público alvo as crianças entre 3 e 7 anos, e a próxima, ainda em processo de concepção e finalização, o spin-off Esconderijo secreto do Vovô Totó, uma resposta aos mais de 30 mil inscritos no canal, as mais de sete milhões de visualizações e o espaço em exibição na televisão, disponível em plataformas da Net, Vivo, iTunes e no canal por assinatura Zoomoo.

Esconderijo secreto do Vovô Totó é considerada a terceira fase de Caninópolis. A produção é uma mistura de animação e live action. “Começa com a animação, contando as histórias, mas tem uma mistura dos personagens dos bonecos do Vovô Totó, essa é uma parte mais teatral”, conta Rafael Frota. O desenho derivado tem como foco o personagem  do Vovô Totó e o espaço secreto em que ele guarda brinquedos.
 
No terceiro projeto do Caninópolis, Esconderijo secreto do Vovô Totó, animação e live action se misturam(foto: Cartoon Network/ Divulgação)
No terceiro projeto do Caninópolis, Esconderijo secreto do Vovô Totó, animação e live action se misturam (foto: Cartoon Network/ Divulgação)

 


Desenho em Brasília


Atualmente, Caninópolis tem duas temporadas animadas já disponíveis no YouTube e em outras plataformas parceiras. Além disso, uma temporada de Acesso remoto e quatro programas pilotos de Esconderijo secreto — esses sem previsão de lançamento oficial. “A nossa intenção é viabilizar a parte de recursos de patrocínio e soltar no YouTube para teste. Mas já temos quatro episódios prontos”, adianta.

Mesmo com um cenário de animação fértil no Brasil, Frota comenta que em Brasília a situação não é igual. “Tem sido um grande desafio e até meio maluco, porque Brasília não tem um ecossistema de animação. Existem animadores, mas não é algo como no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde estão todos os estúdios e redutos. Estamos tendo que treinar o staff e mão de obra”, diz.

De acordo com o publicitário, isso também se deve ao fato de a equipe candanga ter apostado em um software mais raro, que foi criado pela Netflix e está entre os premiados mundialmente. “Ele tem algumas características diferentes, como deixar os movimentos mais fluídos, dar uma realidade maior às animações. Estamos implementando e é uma grande obra, pois não temos patrocinadores, não existe mão de obra de qualidade. Então é um desafio maior que o outro”, acrescenta.


Onde assistir

Caninópolis:
 Episódios das duas primeiras temporadas disponíveis no canal oficial do YouTube e também em plataformas da Net, Vivo, iTunes e no canal da tevê por assinatura Zoomoo.

Oswaldo:
 Cartoon Network. Quartas e quintas, às 20h30. Sábado, às 11h30. Domingo, às 12h.

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