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Correio Braziliense

Exposição no Museu Histórico de Planaltina traz diversos artistas da cidade

Em cartaz no Museu Histórico de Planaltina, 2º Salão Mestre d´Armas apresenta uma seleção de obras de artistas de várias cidades do DF


postado em 18/06/2019 07:20 / atualizado em 17/06/2019 19:25

Waleska Reuter destruiu a própria obra em performance(foto: Thiago Sabino/Divulgação)
Waleska Reuter destruiu a própria obra em performance (foto: Thiago Sabino/Divulgação)

 
Dos 15 artistas selecionados para o 2º Salão Mestre d’Armas, em Planaltina, nove são mulheres e pelo menos quatro não produzem no Plano Piloto. Entre os três premiados, um é do Itapoã. É um dado importante para compreender como esse salão, que está em sua segunda edição, tem movimentado uma cena que ajuda a descentralizar as artes visuais em Brasília e chama a atenção para o que está sendo produzido nas cidades do Distrito Federal.

Montado no Museu Histórico de Planaltina, e idealizado pela Associação de Amigos do Museu, o Mestre d’Armas foi uma ideia de Simone dos Santos Macedo para movimentar e modernizar a instituição. Entre os selecionados, três foram premiados e terão as obras incorporadas ao museu.

Waleska Reuter ganhou o primeiro lugar com Isto não é uma obra de arte e vai receber R$ 10 mil. Em segundo lugar, Luciana Paiva recebe R$ 8 mil pela instalação Inverso e Marcos Antony vai levar R$ 7 mil por três esculturas. Além disso, todos os 15 selecionados recebem um pro labore de R$ 3 mil. “O salão surgiu dessa ideia de mesclar o colonial com o contemporâneo, pois o museu estava desprovido de acervo e com muitos locais vazios. Foi mesmo uma ideia de ocupação”, destaca Simone.

Membro do júri, João Angelini encara o salão como um sopro de diversidade e descentralização. “Não lembro de um evento parecido que tenha a diversidade de artistas que esse salão representa. É uma mostra com predominância de mulheres, de pessoas de diferentes regiões administrativas e de outras cidades do DF, como Ceilândia e Taguatinga. É muito bom poder apresentar essa diversidade e ver, no evento, a primeira vez de vários desses artistas porque é primeira seleção na qual se conseguem ser bem-sucedidos. Não são os mesmos nomes dominando e protagonizando, são nomes novos, periféricos, de artistas negros, LGBTs e mulheres. Isso é muito importante”, acredita.

Entre os premiados, Marcos Antony, morador do Itapoã, nunca havia participado de uma seleção de salão de arte. Ele começou com grafite, trabalhou muito com pintura e formou-se em artes plásticas na Universidade de Brasília (UnB). Hoje, dá aulas em escolas da rede pública no próprio Itapoã e faz da condição periférica um tema de pesquisa. “Estou sempre levando esse espaço de construção social, com esses aspectos arquitetônicos que a cidade tem”, explica o artista, cujo trabalho procura causar um incômodo na paisagem.

Em uma das três obras apresentadas, Antony propõe uma intervenção urbana no Lago Paranoá. Vai malandra, um conjunto de três esculturas flutuantes destinadas a boiar à deriva, faz uma referência a Anitta, ao funk, à periferia e, sobretudo, à apropriação de um espaço público nem sempre acessível. “É mesmo a tomada de posse de um lugar. Moro no Itapoã e o lago é próximo, mas é um acesso difícil, monopolizado por uma classe social, não tem um acesso democrático, e as esculturas causam um incômodo na paisagem. O lago é um espaço público, mas também é um espaço político. É a lembrança de que estamos a 10km do Lago Sul, de IDH altíssimo, e perto de um lugar que tem IDH de países da África”, compara o artista.

O questionamento de limites também está na obra de Waleska Reuter, selecionada para o primeiro lugar. Durante a performance Isto não é uma obra de arte, na noite de abertura, munida de uma motosserra, ela destruiu a escultura de um manequim. Boa parte da obra de Waleska consiste em transformar objetos banais, adquiridos em lojas, em esculturas nas quais questiona a reprodutibilidade e imprime um novo significado por meio da transformação. A intenção é chocar e provocar uma releitura dos objetos.

Muitas vezes, a proposta da artista vem carregada de uma perspectiva sexual e de gênero. “O objetivo é sempre chocar o outro de uma maneira profunda, através de várias camadas de interpretação. Às vezes, parece uma coisa óbvia, mas não é. Mexe com o outro. Com o passar do tempo, fui ganhando mais entendimento sobre o que queria mostrar”, explica.

Em segundo lugar, Luciana Paiva comemora a descentralização provocada por um salão de arte realizado em Planaltina. “É fundamental a importância de um salão fora do Plano Piloto. E essa edição está com uma seleção incrível porque representa praticamente o DF inteiro, o Entorno e tem até um artista de Cavalcante (GO). Tem artistas de quase todas as regiões administrativas. A diversidade desse salão é algo que nunca vi em nenhuma exposição em Brasília”, garante. Em Inverso, uma série iniciada em 2018, Luciana mostra um poema visual fora da ordem linguística, ou o que ela chama de “pensamento visual” no qual a letra interage com o espaço e não necessariamente com a linguagem.

II Salão Mestre D’Armas
Com Camila Soato, Clarice Gonçalves, Débora Passos, Gabriela Mutti, Gustavo Silvamaral, Isabela Couto, Lis Marina Oliveira, Luciana Paiva, Márcio Mendanha de Queiróz, Marcos Antony Costa Pinheiro, Mattheus Mota, Patricia Bagniewski, Rafael da Escóssia, Shevan Lopes e Waleska Reuter. Visitação até 11 de agosto, de terça a domingo, das 9h às 21h, no Museu Histórico e Artístico de Planaltina (Praça Salviano Guimarães, 24, Setor Tradicional de Planaltina)

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