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Correio Braziliense

O espírito de alegria dos tambores impera no pioneiro grupo Hikaridaiko

O grupo Hikaridaiko é um dos pioneiros da capital brasileira na arte do taiko, e já conquistou títulos nacionais


postado em 18/06/2019 07:05

O grupo Hikaridaiko é um dos pioneiros de Brasília da arte do taiko e já conquistou títulos nacionais(foto: Hamile Mey Takematsu/ Divulgação )
O grupo Hikaridaiko é um dos pioneiros de Brasília da arte do taiko e já conquistou títulos nacionais (foto: Hamile Mey Takematsu/ Divulgação )

 

Precisão, musicalidade e performance são as principais elementos da arte japonesa do taiko, palavra que, em japonês, quer dizer tambor, mas fora do Japão se refere à arte coletiva de tocar tambores de diferentes tonalidades para criar um espetáculo único. Misto de arte e competição, é preciso treinar muito e ter técnica apurada para se apresentar e participar das competições.

 

O grupo Hikaridaiko é um dos pioneiros em Brasília, e já conquistou diversos títulos no campeonato nacional, tendo chegado uma vez ao primeiro lugar na categoria Júnior (com tocadores de até 18 anos) e duas vezes na categoria Livre (com tocadores de qualquer idade), o último deles no ano passado. Existem outros dois grupos no DF, que não participam de competições, um por ser ainda muito novo e outro 

por se dedicar a uma outra vertente.

 

O empresário Marcio Yukihiro Mikami, um dos fundadores do Hikari, conta que tudo começou em 2005, quando dois tocadores de Maringá (PR) realizaram um workshop no DF. “Eu acabei me apaixonando pela arte do taiko. Era algo que tocava muito no meu coração”, lembra. Desse workshop surgiu o grupo Miyakodaiko, que treinava todos os domingos no Bukyo, em Taguatinga. “Era praticamente um grupo de amigos”, explica Marcio.

 

Com o tempo, alguns participantes, que moravam no Plano Piloto, não conseguiram mais frequentar os treinos. Então, Marcio, com a anuência do líder do Miyako, fundou um novo grupo que se reuniria no Clube Nipo, na Asa Sul. Assim surgiu o Hikaridaiko, cujo nome significa “luz”, “brilho”, “alegria”. “Esse é o objetivo do grupo, levar brilho e alegria ao coração das pessoas por meio da arte do taiko e da cultura japonesa”, afirma Marcio.

 

Alegria e diversão

 

Foi justamente o brilho e alegria de tocar os tambores japoneses que garantiram o primeiro título ao Hikaridaiko, em 2008. Yukihiro recorda-se de que, na época, o grupo estava recebendo treinamento do grupo Ishindaiko, de Londrina (PR). Por coincidência, os veteranos tocaram antes deles no campeonato. Dos bastidores, os integrantes do Hikari assistiram à apresentação dos mestres, tecnicamente superiores, e começaram a ficar nervosos. 

 

“A gente reuniu o grupo falamos para eles não se se preocuparem com colocação ou em tocar de maneira perfeita, para eles entraram no palco e se divertirem, fazer o que eles mais gostam de fazer que é tocar taiko”. 

 

Deu certo: “Eles tocaram com outro espírito, um espírito de alegria, e realmente se divertiram”, narra Marcio. Surpresos, ficaram em primeiro lugar e foram cumprimentados pelos treinadores. “Isso foi uma grande lição de vida pra gente. Foi um momento em que o discípulo superou o mestre, mas o os mestres foram bem humildes e vieram parabenizar o grupo”, alegra-se Marcio.   


Início

 

No começo, o grupo possuía apenas três taikos, doados pelos pais de alguns integrantes. Os instrumentos não eram baratos e era preciso importar de um fabricante de Taubaté (SP). Os demais instrumentos eram fabricados com bambu, pelos próprios tocadores, e amarrados com barbante a um cavalete. Os integrantes se revezavam entre os instrumentos, como fazem até hoje. “Tocar no Taiko era um verdadeiro 

privilégio”, relata Márcio. “Mas não era um sofrimento. Era muito divertido e serviu pra unir o grupo, pois tínhamos um objetivo em 

comum e um desafio a ser superado”, comenta. 

 

Ao longo dos anos o grupo foi crescendo, incorporando novos membros e adquirindo mais instrumentos. Atentos à continuidade do projeto, passaram a realizar um workshop anual, incorporar novos membros e renovar lideranças. Hoje, nenhum dos membros originais fazem mais parte do grupo, pelos qual já passaram três gerações: as gerações Suiren, Amaterasu e Habataki. 

 

Apesar da reverência às tradições, o grupo formado essencialmente por tocadores de oito a 26 anos. Há pouco tempo, abriram um grupo na categoria Master, com tocadores mais velhos, que foram ensinado pelos membros mais novos. 

 

Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco 

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