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Correio Braziliense

Décimo-terceiro disco do grupo Boca Livre é exemplo de resistência

Novo disco do Boca Livre, liderado por Zé Renato, traz repertório totalmente escolhido pelo grupo, além de quatro músicas músicas criadas por integrantes do grupo


postado em 25/06/2019 07:33

Boca Livre: sequência para os sofisticados arranjos-vocais-instrumentais de sempre(foto: Frederico Mendes/ Divulgação)
Boca Livre: sequência para os sofisticados arranjos-vocais-instrumentais de sempre (foto: Frederico Mendes/ Divulgação)
 
 
Os sofisticados arranjos-vocais-instrumentais sempre foram a marca registrada do Boca Livre. Quarenta anos depois de surgir na cena da MPB com um histórico LP independente, o grupo carioca mantém-se fiel ao estilo que o caracteriza. Isso é facilmente perceptível em Viola de bem querer, o seu 13º disco.
 
Coincidentemente, esse novo projeto do quarteto não está sendo lançado por gravadora e só pôde chegar ao público — após hiato de seis anos — graças ao esforço e tenacidade de Zé Renato (voz e violão), Maurício Maestro (voz e baixo), David Tygel (voz e viola de 10 cordas) e Lourenço Baeta (voz, violão e flauta). Eles têm a companhia João Carlos Coutinho (piano elétrico e acordeon), Pantico Rocha (bateria), Bernardo Aguiar (pandeiro), Marcelo Costa e Thiago da Serrinha (percussão).
 
“Suor e prazer, palavras que simbolizam, para mim, a chegada desse novo trabalho. Após seis anos sem lançar um álbum, olhamos para nós mesmos, sem compromisso ou regras e tendências do mercado, postura adotada desde o primeiro disco. Estamos reunidos com o que sabemos fazer melhor: cantar um repertório escolhido com o rigor habitual, e que nos inspirou a chegar em um resultado, antes de mais nada, prazeroso”, afirma Zé Renato.
 
Viola de bem querer, com direção musical dos quatro e arranjos vocais de Maurício Maestro, traz um repertório de nove canções. Dessas, quatro êm a assinatura de dois integrantes: Eternidade (Maurício Maestro), O paciente (David Tygel) Santa Marina (Lourenço Baeta e Cacaso) e Noite (Zé Renato e Joyce). As outras são releituras dos clássicos Amor de índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos), Um violeiro toca (Almir Sater e Renato Teixeira), Vida da minha vida (Moacyr Luz), além de Um paraíso de lugar (Geraldo Azevedo e Fausto Nilo) e a que dá nome ao CD composta por Paulo César Pinheiro e Breno Ruiz.

Viola de bem querer 
CD do Boca Livre com nove faixas. Produção independente. Preço sugerido R$ 30. Disponibilizado nas plataformas digitais.

Entrevista// Zé Renato

Havia seis anos que o Boca Livre não lançava disco. Nesse período, o que o grupo fez?
 
Nunca deixamos de fazer shows. Temos sido contratados para apresentações em vários locais, mas, na maioria das vezes, não há divulgação. A Brasília, infelizmente, não vamos há bastante tempo. Paralelamente, cada um de nós tem envolvimento com projetos individuais, ligados à música e a outras manifestações artísticas.

Quando o Viola do bem querer começou a ser concebido?
 
Esse disco teve um processo diferente do habitual. Primeiro testamos as músicas em shows, para sentirmos a resposta das pessoas. A primeira delas foi Amor de índio, que acabou sendo escolhida como o primeiro single. Estivemos trabalhando esse repertório durante os dois últimos anos.

Qual foi o critério para a escolha das canções recriadas por vocês?
 
Costumamos gravar canções que se adequam ao estilo do Boca Livre, à nossa forma de interpretar, a partir dos arranjos vocais estruturados pelo Maurício Maestro, tendo como referência a sonoridade acústica que o grupo vem desenvolvendo nas últimas quatro décadas.

Como é a seleção de repertório?

Nós quatro ficamos atento às músicas que ouvimos. Algumas a gente separa, e testamos nos ensaios. Foi assim, por exemplo, com Um violeiro toca, Violeiro do bem querer, Vida da minha vida. Já Um paraíso sem lugar nos foi apresentada pelo Geraldo Azevedo e gostamos bastante. Ele também gravou e está no disco mais recente dele.

As músicas autorais são inéditas?
 
Não. Cada uma veio de outros projetos. Noite, que fiz com a Joyce, ela gravou no CD Bebedouro. O paciente David Tygel compôs para a trilha do filme homônimo (sobre os últimos dias de Tancredo Neves) de Sérgio Rezende. Santa Marina veio do repertório de um disco solo do Lourenço Baeta, de 1978; e Eternidade, fez parte de projeto do Maurício Maestro com Naná Vasconcellos.

Vai ter turnê para lançar o álbum?
 
Fizemos o lançamento com show no Teatro Rival, aqui no Rio e queremos levar o show para outras cidades brasileiras, inclusive Brasília. Mas as coisas estão difíceis, pois vivemos um momento nebuloso no país, em que o governo tomou a cultura e educação como inimigas. Nosso papel, porém, é resistir a tudo e continuar levando adiante nossa arte.

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