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Correio Braziliense

Mostra de Tim Burton traz 41 filmes do diretor e sobre seu universo

Os filmes complementam exposição em cartaz no CCBB


postado em 11/07/2019 06:30 / atualizado em 10/07/2019 18:31

(foto: ROBYN BECK)
(foto: ROBYN BECK)

 

Haveria amor incondicional possível entre uma homem e sua bicicleta? O cinema alimentado por Tim Burton responde, naturalmente, que sim: isso na primeira incursão dele por longa de personagens em carne e osso, com o sucesso As grandes aventuras de Pee-Wee (1985), que, às 16h de amanhã, dá início à mostra A beleza sombria dos monstros: 10 anos de A arte de Tim Burton, no CCBB. Em complemento ao universo de Burton, a ser exposto em 41 filmes (21 deles assinados por Burton), com direito a 65 sessões (de graça), duas galerias do CCBB dão margem à imersão Burton, com interatividade: deitado no chão, por exemplo, o público vê personagens projetados no teto, há salas com jogos de luz e embaladas por realidade em 3-D.

Foi pelo amor aos desenhos que o, a princípio animador Tim Burton teve acesso ao cinema: sem levar crédito, esteve nas equipes de Tron (1982) e O cão e a raposa (1981). Envolvido com cartoons, desde jovem, Burton foi bolsista da Disney, e antes mesmo dessa fase, tinha paixão por cinema, com atenção às obras de diretores como James Whale, Ed Wood e Roger Corman (que terão filmes exibidos no CCBB, na mostra). “A programação conta com dois curtas e dois trabalhos para a tevê, todos raros. Teremos ainda duas mesas de debate, inclusive amanhã. Também teremos palestras sobre pontos específicos da obra de Burton e uma máster class que destrinçará a filmografia”, explica o curador Breno Lira Gomes.

A porção produtor de Burton habita, por exemplo, O estranho mundo de Jack (1993), selecionado ao lado de João e Maria (1982), que combina atores com animação, e do curta Vincent (1982), feito em homenagem a Vincent Price. A dobradinha de sucesso Batman (1989) e Batman, o retorno (1992) será exibida sábado, respectivamente, às 16h30 e às 19h. O personagem de Bob Kane, depois de Superman, o filme, deu molde para, a partir das sombras impressas por Burton, a empresa Time Warner consagrar os filmes de heróis, que rendeu o título de “filme da década”, pelo influente Peter Travis, da Rolling Stone.

 

Alguns destaques da mostra

 

 

Sweeney Todd: O barbeiro demoníaco da rua Fleet

Dia 16 de julho, às 19h15.

O enredo regressa 15 anos para situar a origem do revanchismo por parte de Benjamin Barker, interpretado por Depp como um aloprado Edward mãos de tesoura que, no lugar das tesouras, tem praticamente lâminas de afeitar como extensões do braço. “Faremos maravilhas”, canta o protagonista, ao se dirigir para as navalhas de prata. 

 

(foto: Columbia Pictures/Divulgacao)
(foto: Columbia Pictures/Divulgacao)

Peixe grande e suas histórias maravilhosas

Dia 17 de julho, às 19h.

Num fictício concurso de contos de pescador, o protagonista de Peixe grande, Edward Bloom, deixaria o incrível Forrest Gump no chinelo. O personagem goza da mesma habilidade de envolver o espectador em enredos absurdos, com a naturalidade ímpar do diretor Tim Burton.

 

 

A fantástica fábrica de chocolate

Dia 17 de julho, às 16h30.

Há a presença central do carismático menino Charlie, interpretado por Freddie Highmore, que, na pele do humilde protagonista, repete a empatia ao contracenar novamente com Johnny Depp, depois de estar em Em busca da Terra do Nunca.

 

 

(foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

 

 

 

 Quatro perguntas // Breno Lira Gomes

 

Entre os filmes clássicos, a seleção se deu por quais critérios?

Fiz uma pré-seleção dos clássicos, me baseando em entrevistas, matérias e livros sobre o Tim Burton. A partir da lista, houve análise do próprio Burton que, com a curadora da exposição Jenny He indicassem títulos a serem modificados. Para minha felicidade, concordaram com a relação, que inclui 17 filmes dos mais variados períodos e estilos.

 

Depois das suas pesquisas intensas, quais seriam as qualidades e excentricidades mais correntes do diretor?

 

Tim Burton me parece uma pessoa muito reservada. Para mim, ele usa o cinema, e também as artes plásticas, como uma forma de se expressar com o mundo. O tom sombrio de seus filmes, talvez seja mais forte em seus primeiros trabalhos. A partir de As aventuras de Peixe Grande, ele passa a realizar filmes mais solares, tendo se tornado pai nesse período. Talvez Edward Mãos de Tesoura seja seu filme mais pessoal, pois tem muito dele naquele personagem, totalmente deslocado numa comunidade tipicamente americana.


O que traz tanta popularidade quando se fala em Burton?

 

Tim Burton lida com sonhos e pesadelos. Ele é um artista visual completo. Há apuro estético, pouco visto, o que reforça a questão da autorais. Os filmes trazem a cara dele, pois participa do processo dos títulos como um todo. Alice no País das Maravilhas, A fantástica fábrica de chocolates e Dumbo são exemplos. Há registro de visual único. São filmes onde a fantasia é elemento essencial para o desenvolvimento de tramas. Quem não curte uma boa história de fantasia? O público lota as salas, já com noção do que será visto, e ainda assim se surpreende.


Quais os títulos que estabelecem uma proximidade maior, um corpo de obra, quando se analisa o montante a ser mostrado? 

 

Para mim, como curador, considero Os fantasmas se divertem, Edward mãos de tesoura e A lenda do Cavaleiro sem Cabeça. No primeiro, Tim Burton já nos mostra do que é capaz. No segundo, comprova ser ótimo contador de histórias fantásticas. E no terceiro, ele chega ao seu auge estético e presta uma bela homenagem ao cinema de horror dos anos 1950. Nos três dá para se identificar os principais características. Da trilha de Danny Elfman à parceria com atores como Michael Keaton e Johnny Depp, passando pela fotografia e direção de arte mais do que apuradas, e tornadas personagens à parte. 

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