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Correio Braziliense

Curtas locais alcançam projeção no AnimaMundi

'Xingu, o rio que pulsa em nós' e 'O sumidouro de Ágreda' representam a produção brasiliense na 27ª edição do AnimaMundi


postado em 21/07/2019 06:05 / atualizado em 19/07/2019 19:59

'Xingu, o rio que pulsa em nós': produção impulsionada pelo Instituto Socioambiental(foto: Reprodução)
'Xingu, o rio que pulsa em nós': produção impulsionada pelo Instituto Socioambiental (foto: Reprodução)


Totalmente animado em 3D, feito em plataforma hiperrealista, o curta em realidade virtual O sumidouro de Ágreda — “um produto 100% brasiliense”, como ressalta o diretor Márcio Moraes — forma a dupla de filmes locais selecionados para a 27ª edição do AnimaMundi, com a etapa carioca a ser encerrada hoje e com a programação paulistana a ser iniciada na próxima quarta-feira.

Ao lado do curta do diretor Márcio Moraes, na verdade um segmento de projeto de longa em desenvolvimento, está outra produção com origem em Brasília: Xingu, o rio que pulsa em nós (fruto do Instituto Socioambiental, ISA, que agrupa parte da sociedade civil nacional), com direção de João Maia, e criado numa ponte integrada em Brasília, Altamira (Pará) e São Paulo. “O filme trata de um direito fundamental: a garantia da vida de povos indígenas e ribeirinhos que vivem em uma região única no mundo: a Volta Grande do Xingu. Para isso, é essencial que o hidrograma e consenso sejam revistos e seus testes cancelados”, observa Biviany Rojas, advogada do ISA.

No âmbito da mostra competitiva de realidade virtual do Anima Mundi, O sumidouro de Ágreda trouxe cinco meses de trabalho para a equipe. Lidando com resolução em 4K, o filme consumiu 12 dias para a compactação das imagens e a mistura de dados que trouxe o aspecto final no acabamento. Modelagem, cenário e animação exigiram quatro meses. O orçamento foi de R$ 55 mil, e veio via FAC (Fundo de Apoio à Cultura do DF) e do Fundo Setorial da Ancine. “Competiremos com muitos títulos internacionais, donos de muito mais verba do que a gente. Ser selecionado é grande vitória. É um filme que agrada bastante ao público. Estamos em rol que traz títulos premiados internacionalmente”, comemora Márcio Moraes.

Na fita, há apresentação de trama em intramundo — “como se no interior da Terra, tipo ‘viagem ao centro da terra’”, conta Moraes. Mais de 15 anos dedicados à animação, formação em cinema na França e experiências como professor no Iesb renderam inspirados momentos para o cineasta que tem 54 anos, e é primogênito do reconhecido diretor Geraldo Moraes, morto em 2017. Dentro de um elaborado universo, criado em roteiros desde 2013, o filme, sem violência, tem como meta o público juvenil.

Primeiro capítulo do projeto sob o nome de Na terra dos Ekitumans, O sumidouro de Ágreda coloca o espectador como agente ativo da trama: na pele do personagem central (uma moça), o público faz passeio, a partir da experiência de um sequestro em que Elias (um barqueiro) poderá ajudar, na rota de fuga para espécie de calabouço.

“Não tem discos voadores, neste planeta habitado por seres fantásticos. Nosso cenário é enorme, e você fica dentro de uma caverna gigantesca; para qualquer lado que olhar, você está no ambiente do filme. A sensação é de tela muito maior do que a do cinema — você imerge no filme. Com uso de óculos, a experiência melhora. Hoje em dia, com um filme em computador, você coloca os óculos e assiste”, comenta o diretor Márcio Moraes. Grosso modo, O sumidouro de Ágreda — desenvolvido para uma experiência individual de imersão — contempla viés crítico relacionado à ecologia. “Os ekitumans dominam a gente, como nós, homens, temos dominado os animais. Em trabalhos forçados e lavoura, os homens são usados na construção de uma crítica sutil, sem moral da história”, conclui.

Duas perguntas /João Maia


Quais as maiores dificuldades,ao elaborar aspectos artísticose de produção do curta Xingu, o rio que pulsa em nós?

O maior desafio nesta produção foi transformar a enorme e relevante pesquisa que os indígenas Juruna (Yudjá), em parceria com o ISA e Universidade Federal do Pará, conduzem sobre o tema em um filme curto, tocante, potente, capaz de gerar engajamento e convidar o público para atuar como parceiro numa luta fundamental.

Que relevância tem a seleção para o AnimaMundi?

Conseguir que uma mensagem tão urgente, relevante e necessária chegue a público por meio do AnimaMundi é de essencial importância para ampliar o alcance desta luta.
 
 
 
 
 

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