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Correio Braziliense

Brasileira Blaya é o nome por trás do hit 'Faz gostoso'

A canção que agitou o mundo da música nas vozes de Madonna e Anitta é uma regravação da artista brasileira radicada em terras portuguesas, Blaya


postado em 22/07/2019 06:15 / atualizado em 21/07/2019 23:11

Nascida no Brasil e radicada em Portugal, Blaya mistura África e funk(foto: Warner Music/Divulgação)
Nascida no Brasil e radicada em Portugal, Blaya mistura África e funk (foto: Warner Music/Divulgação)


A parceria entre Madonna e Anitta lançada neste ano no disco Madame X agitou o mundo da música. A união da rainha do pop com a diva do funk em Faz gostoso garantiu o topo das paradas. Assim que a faixa foi divulgada, ela figurou entre as mais ouvidas das plataformas digitais. O vídeo no YouTube, com apenas o áudio da canção, tem mais de cinco milhões de audições. Os fãs de Anitta até fizeram uma petição on-line em que reivindicam a gravação de um clipe oficial. Apesar de a norte-americana e a brasileira terem popularizado a música nos Estados Unidos e no Brasil, Faz gostoso já foi muito tocada no ano passado em Portugal. Isso porque a canção gravada pelas cantoras é na verdade uma regravação do sucesso da artista brasileira radicada em terras portuguesas, Blaya, que garantiu mais de 32 milhões de visualizações do clipe da música no YouTube.

A faixa foi composta pela artista em parceria com MC Zuka. “Quem criou essa ideia toda e tinha a maior parte da letra foi o MC Zuka, que está em Portugal há alguns anos”, conta. A música surgiu durante uma reunião de produtores e compositores durante dois dias em estúdio em Portugal para chegar ao repertório do primeiro CD da carreira solo de Blaya, o disco Blaya com dios, lançado neste ano, mas que tem singles divulgados desde o ano passado. “Criamos muitas músicas para mim, uma delas foi Faz gostoso, que acabou por ter feito muito sucesso. Gosto de trabalhar com várias pessoas, assim elas me mostram mais da vida delas e acabo por ter mais ideias”, completa.

A chegada da música até Madonna veio de diferentes formas. Morando em Portugal, a estadunidense tem consumido bastante o produto local, seja influenciado pelos filhos, seja pelas amizades, como a do cantor Dino D’Santiago. “Visto que Madonna está a viver em Portugal, os filhos dela ouviam muito a minha música no rádio, na escola, em casa. Então, a música entrou na cabeça da Madonna e ela quis regravar. Acho que é também uma maneira dela homenagear Portugal e, ao mesmo tempo, o Brasil. O Diplo (um dos produtores do Madame X) entrou em contato comigo e disse que ela queria fazer uma regravação, queria ir pra estúdio e ver no que dava a música. E pronto, foi assim que nasceu”, afirma.

Antes mesmo da gravação, a outra intérprete da música, Anitta, havia tocado Faz gostoso. Atração do Rock in Rio Lisboa do ano passado, a funkeira incluiu o hit de Blaya no repertório do show. “É muito engraçado, porque a Anitta veio aqui e quis saber mais da música que passava em Portugal. Nessa altura, a minha música estava a passar imenso e ela decidiu, então, colocar Faz gostoso também no show dela”, diz Blaya, que ainda teve a oportunidade de conhecer a brasileira na época: “Depois do final do show, fui conhecê-la. Dei dois beijinhos e tiramos uma foto. Só quis mesmos dar as boas-vindas”.

Já com Madonna, Blaya não teve a mesma sorte. O único contato que elas tiveram até hoje foi de serem as intérpretes da mesma música. “Não participei (do processo de concepção das mudanças para a versão). Mas o Dino, que trabalhou com a Madonna no novo álbum, participou e ajudou a encontrar as melhores palavras, porque há palavras difíceis, tanto em português com sotaque de Portugal, quanto com sotaque do Brasil”, acrescenta.

Carreira


Nascida em Fortaleza, Blaya foi com poucos meses para Portugal. A mudança se deu porque o pai da cantora havia recebido um convite para jogar futebol em um time português. A partir daí, a cantora nunca mais deixou as terras lusas. O primeiro passo na música foi aos 14 anos como rapper. “Comecei a escrever rap, mas em Portugal o rap feminino não tinha muita saída naquela altura. Então, comecei a ficar mais focada na dança. Mesmo assim, fazia minhas músicas em estúdio caseiro. Depois, em 2008, entrei num grupo chamado Buraka Som Sistema e comecei a cantar outra vez. Fomos a vários locais (fazendo shows), como o Rock in Rio no Brasil”, recorda.

África


No Buraka Som Sistema, Blaya cantava e dançava em uma sonoridade influenciada pelo ritmo africano kuduro. Após quase 10 anos no grupo, a brasileira decidiu seguir uma carreira solo. Os primeiros trabalhos foram em 2017 e o sucesso se deu logo um ano depois. Neste ano, ela se firmou com o lançamento do primeiro CD autoral, um álbum de 15 canções em que mistura influências da música africana e brasileira, mais especificamente, o funk. “Aqui em Portugal existem muitas nacionalidades. É uma fusão de África, de Brasil, de Inglaterra, de Espanha, isso tudo misturado. Como estive num grupo no qual a influência também era muito afro, Brasil, Europa e dance music; então, eu sou essa pessoa: uma mistura de tudo. Não consigo definir qual é o meu estilo de música, porque gosto de tudo. Quando entro no palco quero mostrar essas influências todas ao público”, explica.

Neste ano, Blaya retorna ao Brasil. Ela é uma das atrações do Palco Sunset do Rock in Rio ao lado da brasileira Lellê, ex-vocalista da banda Dream Team do Passinho. As duas se apresentam em 27 de setembro no festival. “No ano passado, eu também estive no palco do Rock in Rio de Lisboa. O evento teve essa ideia de me juntar com a Lellê. Ela veio a Portugal e fizemos um show. Agora é a minha vez de ir até o Rio e fazer um espetáculo mostrando o que se passa em Portugal. É uma fusão muito boa que deveria acontecer muitas mais vezes”, admite.
 
 
 

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