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Correio Braziliense

Pianista pernambucano Amaro Freitas se apresenta hoje na cidade

Um dos músicos brasileiros mais respeitados da atualidade, toca no festival Música não é barulho


postado em 27/07/2019 06:12 / atualizado em 27/07/2019 08:56

Com o power trio que toca hoje(foto: Reprodução/instagram)
Com o power trio que toca hoje (foto: Reprodução/instagram)
 
Se for para contar em estrada rodada, Amaro Freitas, aos 27 anos, quase perde as contas. As turnês de lançamentos dos álbuns Sangue negro e Rasif podem ser comparadas a pelo menos uma volta na Terra, passando por cidades brasileiras, norte-americanas e europeias. Se for para contar os locais onde ele tocou e ainda vai se apresentar nos próximos dias, é bom destacar os melhores clubes de jazz do mundo, como Ronnie Scott’s (Londres), Unterfahrt (Alemanha), Dizzy’s, do Lincoln Center (Nova York), mas vale lembrar também teatros históricos como o Santa Isabel, no Recife, a capital onde um dia tudo começou. Se for para contar encontros e conversas com lendas da música, vale citar gente como Quincy Jones, Chick Corea, Kamasi Washington e Milton Nascimento — para ficar em alguns poucos desses últimos tempos.

Amaro, o menino que ganhou o mundo, se apresenta hoje, às 16h30, durante o festival Música não é barulho. Nascido em Nova Descoberta, um bairro pobre da periferia do Recife, ele começou a tocar teclado aos 13 anos, mas abandonou as aulas no Conservatório Pernambucano de Música por não ter dinheiro para as passagens de ônibus. Foi se virando como tantos, mas desde o lançamento de Sangue negro, em 2016, acumula milhas e encontros.

Há duas semanas, por exemplo, o pianista participou do Festival de Jazz de Montreux — o mais importante do mundo — onde conheceu Corea, o lendário músico norte-americano autor de Spain (1971). “Foi um sonho realizado encontrar com ele, um monstro da música instrumental. Corea foi atencioso, perguntou sobre a minha história e ficou com Rasif (lançado neste ano) em vinil”, disse Amaro em entrevista ao Correio, por telefone.

Um dos mais festejados pianistas brasileiros da atualidade, Amaro tem histórias para contar. O início na música se deu nos cultos evangélicos na periferia do Recife, onde o pai, Jeremias, estimulava as crianças do bairro a tocar na banda da igreja. “Comecei pela bateria, mas a competição era enorme. Aí meu pai sugeriu o teclado. Não larguei mais”, lembra Amaro, entre uma risada e outra.

O músico une técnica e criatividade nas composições. Nelas mistura a pegada do jazz norte-americano com ritmo regionais — baião, frevo, o coco de trupé e variações da ciranda. Esse último ritmo está numa das faixas do último disco do cantor Lenine. Em Lua candeia, a parceria entre os pernambucanos, Amaro executa todas as células rítmicas da ciranda, dos sons percussivos mais agudos aos mais graves, como se o piano se transformasse em caixas, agbés e bumbos.

Amaro chega a Brasília com os amigos que o acompanha desde Sangue negro, um power trio, com Jean Elton no baixo e o baterista Hugo Medeiros. A produção é de Laércio Reis, da 78 Rotações. No matulão, todas as referências musicais acumuladas na estrada: Capiba, Charles Mingus, Keith Jarret, João Donato, Thelonious Monk, John Coltrane, Hermeto Pascoal, Brad Mehldau e Herbie Hancock. Do encontro com Corea veio a promessa de um dia tocar uma versão de Spain.

Depois da capital, o pianista pernambucano e a banda embarcam para Nova York para tocar no Lincoln Center, onde o trompetista Wilton Marsalis é diretor artístico. Para Amaro, Recife ficou pequeno. O mundo agora é a casa dele.

Amaro Freitas e banda
Sábado, no projeto Música não é barulho, na Pracinha do Piauíndia Vila Planalto (Acampamento DFL, Rua 5). Horário: 16h30. Entrada gratuita.

Escalas nas pontas dos dedos


Cidades onde Amaro leva os últimos dois shows dos álbuns Rasif e Sangue Negro:

• Recife
• Fortaleza
• Garanhuns (PE)
• Brasília 
• São Paulo 
• Campinas (SP)
• Belém
• Porto Alegre
• Belo Horizonte
• Jurerê (SC)
• Rio das Ostras (RJ)
• Petrópolis (RJ)
• Vitória
• Maceió
• Natal
• João Pessoa
• Bauru (SP)
• Campinas (SP)
• Salvador
• Munique (Alemanha)
• Paris 
• Madrid
• Terrasa (Espanha) 
• Barcelona (Espanha) 
• Oeiras (Portugal) 
• Porto (Portugal)
• Bari (Itália) 
• Milão (Itália) 
• Grado (Itália) 
• Budapeste
• Basel e Montreux Suíça)
• Amsterdã 
• Londres
• Buenos Aires
• Nova York

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