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Correio Braziliense

Despedida emocionada à atriz Ruth de Souza

Atriz pioneira foi enterrada no Rio de Janeiro, depois de homenageada por artistas como Lázaro Ramos, Taís Araújo e Tony Tornado


postado em 30/07/2019 07:13

Artistas durante o velório de Ruth de Sousa: referência do teatro brasileiro (foto: Tania Rego/ Agência Brasil)
Artistas durante o velório de Ruth de Sousa: referência do teatro brasileiro (foto: Tania Rego/ Agência Brasil)
 
 
“Voa, senhora mãe da liberdade”, cantou a escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz ao desfilar o samba-enredo Ruth de Souza — Senhora liberdade abre as asas sobre nós no carnaval carioca deste ano. Uma homenagem à atriz que fez história na dramaturgia brasileira. Meses depois, a escola e o Brasil se despedem de Ruth de Souza no palco que marcou sua carreira: o Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Ao lado do caixão, a bandeira verde e branca da Acadêmicos de Santa Cruz exibe o carinho de centenas de admiradores. 

Sob aplausos, por volta das 13h de ontem, o corpo da atriz deixou o teatro em direção ao Cemitério da Penitência. No local, o enterro teve início às 16h30 em uma cerimônia fechada só para a família. Durante a manhã, as portas do Teatro Municipal se abriram para que o público pudesse prestar as últimas homenagens. Aos 98 anos, Ruth de Souza morreu na manhã do último domingo em decorrência de uma pneumonia, doença que a levou a ser internada, uma semana antes, no Hospital l Copa D’Or, em Copacabana, no Rio de Janeiro. 

Emocionado, o ator Milton Gonçalves esteve no velório e lamentou a perda de um talento nacional. “Uma atriz, pessoa maravilhosa e sorridente. Uma semana estávamos feliz conversando com a nossa patota. De repente, vem Deus e a leva. É justo? Não sei. É uma dor sempre muito grande, mas a gente sabe que mais hoje, mais amanhã, Deus nos chama“, comentou o ator.

A bailarina Ana Botafogo, o ator Lázaro Ramos e as atrizes Nathália Timberg e Taís Araújo também compareceram para se despedir e consolar amigos e parentes. Aos jornalistas, eles pontuaram a relevância da luta e do legado de Ruth para os negros no meio artístico. “Não é uma atriz qualquer. É uma mulher que construiu, com mais outros, um lugar no teatro, um lugar nas artes cênicas brasileiras para o ator negro”, afirmou Nathália.

Lázaro Ramos e Taís Araújo também comentaram sobre o sentimento de seguir em frente no caminho semeado pela atriz. “Além da atriz incrível, de ser um exemplo, de ser uma força da natureza, ela fazia uma coisa: ela chamava a gente à casa dela. Chamava os atores jovens para assistir filme com ela. Viveu 98 anos, mas era uma pessoa muito presente nas nossas vidas. A gente aqui agora segue com saudade. Ela era um exemplo lindo e fazia isso [a luta pelos artistas negros] com elegância. Era como uma mãe para gente”, afirmou Lázaro. “É uma grande perda. Tinha muito lucidez ali e muito desejo em compartilhar o que ela sabia. Ela deixa um legado gigantesco, e a gente agradece”, complementou Taís. 

Figura importante para a história da dramaturgia brasileira, em sua vida, Ruth sempre foi protagonista. O último trabalho na tevê foi a série Se eu fechar os olhos agora, disponível no Globoplay. Apesar da pequena participação, a atriz deixou sua marca na trama. Em sua homenagem, o Canal Viva abre, por três dias para não assinantes, o episódio dela no Damas da TV!, série para reverenciar os 50 anos da telenovela no país com consagradas atrizes nacionais.

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